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EVANGELHO E VIDA

Esta mensagem foi recebida psicofonicamente, pelo médium Francisco Cândido Xavier. Compõe-se de uma poesia e comentários.

“No mundo de hoje, há boa vida e há vida boa.

Boa vida é bem estar.

Vida boa é estar bem,

Por isso, temos criaturas de boa vida e criaturas de vida boa.

As primeiras servem a si mesmas.

As segundas respiram no auxílio incessante

aos outros.

A boa vida tem rastros de sombra.

A vida boa apresenta marcas de luz.

A desordem favorece a boa vida

A ordem garante a vida boa.

Palavra enfeitada costuma escorar boa vida.

Bom exemplo assegura vida boa.

Preguiça mora na boa vida.

Trabalho brilha na vida boa.

Ignorância escurece a boa vida.

Educação ilumina a vida boa.

Egoísmo alimenta a boa vida.

Caridade enriquece a vida boa.

Indisciplina é objetivo da boa vida,

Disciplina é roteiro de vida boa.

Vejamos as lições do Evangelho.

Madalena, obsidiada, perdera-se nos enganos da boa vida, mas encontrou em nosso Divino Mestre a necessária orientação para a vida boa.

Zaqueu, afortunado, apegara-se em demasia às posses efêmeras de boa vida, entretanto, ao contacto de Nosso Senhor, aprendeu como situar os próprios bens na direção da vida boa.

Judas, o discípulo invigilante, procurando a boa vida, entregou-se à deserção, e sentindo extrema dificuldade para voltar à vida boa, foi colhido pela loucura.

Simão Pedro, o apóstolo receoso, tentando conservar a boa vida, instintivamente negou o Divino Amigo por três vezes , contudo, regressando, prudente, à vida boa, abraçou o sacrifício pela própria  ascensão, desde o dia do Pentecostes.

Pilatos, o juiz dúbio,interessado em desfrutar boa vida, lavou as mãos quando o destino do Excelso Benfeitor, adquirindo o arrependimento e o remorso que o distanciaram da vida boa.

Todos os que crucificaram Jesus pretendiam guardar-se nas ilusões da boa vida, no entanto, o Senhor preferiu morrer na cruz da extrema renúncia para ensinar-nos o caminho da vida boa.

Como é fácil observar, nas estradas terrestres há muita gente de boa vida e pouca gente de vida boa, porque a boa vida obscurece a alma e vida boa mantém a consciência acordada para o desempenho das próprias obrigações.

Estejamos, pois, alertas quanto à posição que escolhemos, porquanto, pelo tipo de nossa experiência diária, sabemos, com segurança, em que espécie de vida seguimos nós.”

A vigilância constante deve sempre nos acompanhar em tudo que fazemos.

Sônia Aparecida Ferranti Tola

ESPERANÇA CONSTANTE

 

                “O pessimismo é uma espécie de taxa pesada e desnecessária sobre o zelo que a responsabilidade nos impõe, induzindo-nos à aflição inútil.

Atenção, sim.

Derrotismo, não.

Para que nos livremos de semelhante flagelo, no campo íntimo, é aconselhável desfixar o pensamento, muitas vezes, colado a detalhes ainda sombrios da estrada evolutiva.

 

Para que se sustente desperto o entendimento, quanto à essa verdade, recordemos as bênçãos que excedem largamente às nossas pequenas e transitórias dificuldades.

É inegável que o materialismo passou a dominar muita gente, perante o avanço tecnológico da atualidade terrestre, contudo, existem admiráveis multidões de criaturas, em cujos corações a fé se irradia por facho resplendente, iluminando a construção do mundo novo.

As enfermidades ainda apresentam quadros tristes nos agrupamentos humanos; no entanto, é justo considerar que a ciência já liquidou várias moléstias, dantes julgadas irreversíveis, anulando-lhes o perigo com a imunização e com as providências adequadas.

Destacam-se muitos empreiteiros da guerra, tumultuando coletividades; todavia, os obreiros da paz se movimentam em todas as direções.

Muitos lares se desorganizam; mas outros muitos se sustentam consolidados no equilíbrio e na educação, mantendo a segurança entre os homens.

Grande número de mulheres se ausentam da maternidade; entretanto, legiões de irmãs abnegadas se revelam fiéis ao mais elevado trabalho feminino no Planeta, guardando-se na condição de mães admiráveis no devotamento ao grupo doméstico.

Os processos de violência aumentam, quase que em toda parte; ampliam-se, porém, as frentes de amor ao próximo que os extinguem.

 

Anotando as tribulações que se desdobram no Plano Físico, não digas que o mundo está perdido.

Enumera as bênçãos de Deus que enxameiam, em torno de ti.

 

E se atravessas regiões de trevas, que se te afiguram túneis de sofrimento e desolação, nos quais centenas ou milhares de pessoas perderam a noção da luz, é natural que não consigas transformar-te num sol que flameje no caminho para todos, mas podes claramente acender um fósforo de esperança.”

Como todos nós temos livre arbítrio, podemos ou não ajudar os outros. Mas devemos, pois é isso que o Pai Eterno espera de nossa parte.

 

Maria Madalena Naufal

 

FONTE

 

                ATENÇÃO – Francisco Cândido Xavier – Emmanuel – Instituto de Difusão Espírita

CRÔNICAS QUE ME CONTARAM

  • A MÃE INTELIGENTE

 

Antônia era uma senhora muito inteligente. Era funcionária pública aposentada. Viúva cedo, criou os dois filhos: Raul e Maurício com muito sacrifício. Não quis mais se casar, apesar de receber muitos pedidos, pois era uma mulher muito bonita.

Raul e Maurício quando pequenos quase não brigavam, mas assim que cresceram, as discussões eram constantes, para desgosto de Antônia.

Certo dia as discussões estavam terríveis, até que Raul, o caçula, falou com raiva:

_ Vou embora desta casa.

Antônia interviu:

_ Vocês dois vão, já que não sabem viver como irmãos educados, pois jogaram no lixo tudo que lhes ensinei. Os dois sairão da casa e eu também. A casa abandonada ficará fechada. Não precisam ir me visitar. Já que a família acabou, acabou para sempre.

Os dois rapazes estavam perplexos. Jamais a mãe havia dito tal coisa. Sempre procurava acalmá-los, apaziguá-los.

Raul desesperou-se. Correu e abraçou a mãe.

_ Não! Eu não vou embora. Falei por nervosismo.

_ Eu também não vou embora – disse Maurício, que se levantou da cadeira e correu a abraçar a mãe.

Antônia, abraçada pelos dois filhos, disse-lhes calmamente:

_ Bem, já que ninguém vai embora, permanece a família. Só que vocês dois têm que parar de brigar. Tratem de se entender.

É óbvio que Antônia não tinha a mínima intenção de deixar a sua casa, mas usou de um estratagema para modificar a insustentável  situação entre os dois filhos.

Daquele dia em diante os rapazes passaram a analisar o que falavam e em pouco tempo  tornaram-se amigos.

Antônia ficou muito feliz. Usando a inteligência deu um jeito na situação em que viviam.

 

  • A MUDANÇA DE AMÉLIA

 

Andréia era uma senhora que possuía cinco filhas e um filho. As meninas chamavam-se Aline, Sabrina, Gilda e Amélia. O menino chamava-se Milton.

O menino e quatro das meninas eram obedientes, mas Amélia era o oposto. Não obedecia os pais, fazia coisas erradas e vivia brigando com os irmãos.

Andréia não entendia o que estava acontecendo. Amélia recebia a mesma educação que os outros, mas não tinha o mesmo comportamento.

Perto da casa de Andréia morava uma senhora espírita. Ela procurou ajuda com a dita senhora, cujo nome era Ricarda.

Ricarda ouviu Andréia e depois lhe disse:

Os pais formam o corpo do filho, mas o espírito vem de Deus. Por isso os filhos podem ser diferentes. Tirando Amélia, seus outros filhos fazem parte de uma família espiritual bem formada.  Por isso têm bom comportamento. Amélia é um espírito cheio de defeitos. Veio para vocês tentarem ajudá-la.

Para que Andréia entendesse  melhor o assunto, Ricarda falou-lhe sobre reencarnação,

Que atitude tomar? Esclarecida, Andréia reuniu os filhos (menos Amélia) e contou-lhes a conversa que tivera com Ricarda.

_ Eu acho que devemos ter mais paciência com Amélia – disse Milton.

_ Eu também acho – concordou Aline. Quando ela ficar brava e começar a xingar, vamos ficar quietos. É uma forma de ajudá-la.

Boletim de abril/2016

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UMA REALEZA TERRENA

Disse Jesus: “Meu reino não é deste mundo”.

Uma rainha de França comentando o assunto no ESSE, afirmou que ninguém poderia compreender melhor a verdade das palavras de Nosso Senhor:

_ O orgulho  me perdeu sobre a Terra. Quem, pois, compreenderia o nada dos reinos do mundo se eu não o compreendesse? O que foi que eu levei comigo, da minha realeza terrena? Nada, absolutamente nada. E como para tornar a lição mais terrível, ela não me acompanhou sequer até o túmulo! Rainha eu fui entre os homens, e rainha pensei chegar ao Reino dos Céus. Mas que desilusão! E que humilhação, quando, em vez de ser ali recebida como soberana, tive que ver acima de mim, mas muito acima, homens que eu considerava pequeninos e os desprezava, por não terem nas veias um sangue nobre! Oh!, só então compreendi a fatuidade dos homens e das grandezas que tão avidamente buscamos sobre a Terra!

Para preparar um lugar nesse reino são necessárias a abnegação, a humildade, a caridade, a benevolência para com todos. Não se pergunta o que fostes, que posição ocupastes, mas o bem que fizestes, as lágrimas que enxugastes.

Oh!, Jesus! Disseste que teu reino não era deste mundo, porque é necessário sofrer para chegar ao Céu, e os degraus do trono não levam até lá. São os caminhos mais penosos da vida os que conduzem a ele. Procurai, pois, o caminho através de espinhos e abrolhos, e não por entre as flores!

Os homens correm atrás dos bens terrenos, como se fossem os guardar para sempre. Mas aqui não há ilusões, e logo eles se apercebem de que conquistaram apenas sombras, desprezando os únicos bens sólidos e duráveis, os únicos que lhes podem abrir as portas dessa morada.

Tende piedade dos que não ganharam o Reino dos Céus. Ajudai-os com as vossas preces, porque a prece aproxima o homem do Altíssimo, é o traço de união entre o Céu e a Terra. Não o esqueçais!”

A rainha não se identificou, mas a instrução que nos deixou é muito valiosa.

Maria Madalena Naufal (in memorian)

TRANSIÇÃO PLANETÁRIA

A escritora Sara Nousiainen trata desse assunto na sua obra “Chegou a Hora e Agora? – Editora Aliança.

Escreveu ela: “A finalidade deste trabalho não é a de especular sobre acontecimentos profetizados para esta época de transição, porque isto em nada iria nos ajudar. O que podemos fazer agora é nos preparar devidamente, “acendendo nossas luzes”, credenciando-nos, assim,  a transitar junto com a Terra para o mundo de regeneração.

A maioria dos que estudam e procuram interpretar o Apocalipse, prendem-se às profecias catastróficas, ignorando o “depois”, e como é impossível saber o que realmente vai acontecer, o mais sábio é nos prepararmos para esse “depois”, ou seja, nos adequarmos devidamente a ser incluídos no mundo de regeneração.

Assim como estamos transitando de um mundo de provas e de expiações para outro modelo, o de regeneração, é importante entender com mais exatidão o que significa essa regeneração. Será apenas no sentido moral-espiritual, ou seja, a reforma interior?

Pelo desenvolvimento de ideias novas, de novos paradigmas e de nova mentalidade nos mais diversos segmentos humanos, inclusive pelo que indicam o bom senso e a lógica dentro dos conceitos  espíritas, é necessário começarmos a perceber a maior abrangência dessa questão.

Se essa regeneração ocorre pela evolução do ser humano, que passa a respirar em mais elevados patamares morais e espirituais, isto forçosamente deverá implicar evolução em todos os demais sentidos, inclusive no de seus próprios potenciais mentais e espirituais.

Sendo assim, pensemos na necessidade de ampliar o conceito de reforma interior para evolução espiritual, que é bem mais abrangente”.

A seguir a autora explica porque é tão importante evoluir espiritualmente: “Além da possibilidade de reprovação no exame final do atual ciclo evolutivo da Terra, com a consequente permanência em um grau inferior, podemos apontar outras duas razões, cada qual mais importante: melhorar as próprias condições de vida; colaborar na transformação da Terra.

Se as condições externas são importantes para o nosso bem-estar, as internas são muito mais. As externas, modifica-se, são transitórias. Num momento podemos estar muito bem, com saúde, família, profissão e recursos materiais, tudo em harmonia com os nossos desejos. Mas não há qualquer garantia de que isto não possa mudar de um instante para outro. Num segundo, milhões de pessoas veem suas vidas e felicidade destroçadas, caindo do topo do bem-estar ao abismo dos sofrimentos.

Já as condições internas mais maduras, mais bem desenvolvidas, são a nossa âncora segura nos momentos difíceis e a garantia de bem-estar nas horas leves; são geradoras de saúde e equilíbrio físico, além de balizas que sinalizam e definem  nossas programações de vida para os futuros anos  e próximas encarnações”.

Nessa fase que estamos tudo é muito confuso, “mas se já conseguimos compreender o momento atual, por certo havemos de aperceber também da urgente necessidade de trabalhar pelo nosso crescimento como seres cósmicos que somos, não apenas pensando no nosso próprio progresso, mas também em poder colaborar de forma a mais intensa possível nesta grande transição.

Vemos, então, como a evolução espiritual é excelente para quem consegue realizá-la: enriquece com valores espirituais; ajuda a transmutar o energismo pesado do inconsciente, limpando-o, e se reflete de forma positiva na vida material, em todos os sentidos. Para isso, no entanto, é preciso que a pessoa esteja realmente decidida a limpar o lixo dos pensamentos baixos, agressivos e mesquinhos, o coração dos ódios, mágoas, rancores e falsidades, e a substituir tudo isso pelo amor fraterno, a alteridade, a humildade, procurando direcionar-se sempre pelas leis cósmicas. Também é muito importante a religiosidade, ou seja, aquele sentimento de pequenez diante do Criador, de admiração pela Sua sabedoria, poder e perfeição, que se manifestam em toda a criação, desde as coisas mais simples, como o germinar de um grão de feijão, até às mais complexas, como a fabulosa mecânica cósmica. Essa admiração é o primeiro passo para se amar a Deus, já que é impossível amar-se alguém só porque nos mandam fazê-lo”.

Devemos começar a minimizar certos valores e  passarmos a valorizar mais nossos próprios potenciais, procurando conhecê-los, desenvolvê-los e usá-los  em benefício do próximo e em proveito do nosso crescimento.

 

Sônia Aparecida Ferranti Tola

TRANSFIGURAÇÕES

Segundo Palhano Jr. transfiguração é fenômeno de efeitos físicos, de ordem ectoplasmática , em que há modificações na aparência externa do médium , Pode ser parcial ou global. O médium pode transfigurar-se  na aparência palpável do Espírito  que se manifesta. Tem acontecido, em alguns médiuns, apenas o braço ou a mão transfigurar-se, outra hora, apenas o rosto. Existe o exemplo bíblico da transfiguração de Jesus de Nazaré no Monte Tabor (Mateus, 17: 1-9).

Aproveitando o exemplo de Palhano, vamos ao texto:

Tomou Jesus consigo a Pedro, Tiago e João, irmão deste conduziu-os de parte a um monte elevado e transfigurou-se diante deles; o seu rosto resplandecia como o sol, e suas vestes se tornaram brancas como a luz. E eis que  “lhe apareceram Moisés e Elias, falando com ele. Então tomou Pedro a palavra e disse a Jesus: Senhor, que bom que é estarmos aqui! Se quiseres, vou armar aqui três tendas, uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”.

Estava ainda falando, quando uma nuvem luminosa os envolveu, e de dentro da nuvem luminosa ecoou uma voz: “Este é meu filho querido, em que pus a minha complacência; ouvi-o!” Ao perceberem isso, os discípulos caíram de face em terra, transidos de terror. Jesus, porém, chegou-se a eles e os tocou, dizendo: “Levantai-vos e não temais”. Ergueram os olhos, e não viram ninguém senão só Jesus.

“Enquanto iam descendo do monte, pôs-lhes Jesus este preceito: “Não digais a pessoa alguma o que acabais de ver, até que o Filho do homem tenha ressuscitado dentre os mortos”.

Como os fenômenos de materialização e desmaterialização, os de transfiguração também são maravilhosos. Confirmam, como os outros dois, a sobrevivência do espírito e demonstram o seu poder sobre a matéria.

O fenômeno da transfiguração “consiste na mudança de aspecto de um corpo vivo”. É este fenômeno, no seu grau mais elevado, acompanhado de transformação completa do médium, isto é, o corpo e sobretudo a fisionomia do sensitivo transfiguram-se temporàriamente de tal forma que o fazem parecer extraordinàriamente com a pessoa falecida.

O fenômeno processa-se da seguinte maneira:

Entrando o sensitivo em estado de transe, (letargia) o seu perispírito exterioriza-se, e o corpo abandonado é ocupado pelo perispírito do morto, que gradualmente vai amoldando e facetando a matéria orgânica do médium de forma a reproduzir, com maior ou menor perfeição, os seus traços fisionômicos.

Os médiuns que produzem as transfigurações  são aqueles que a natureza dotou da estranha faculdade  de exteriorizar o seu perispírito com grande facilidade. Sabemos que o perispírito  tem, por natureza própria, a faculdade de assimilar a si, do meio ambiente, os elementos materiais de que carece, daí resulta  que, exteriorizando-se o perispírito do médium, o espírito que quer se manifestar atrai a si a imagem viva de si próprio, imagem tão viva e real, que as transfigurações são sempre susceptíveis de serem vistas por qualquer  pessoa.

O Dr. Gabriel Delanne faz um esclarecimento importante. Diz ele:

“Parece-me que a transfiguração do médium é possível pela superposição do perispírito desencarnado, e é provável que a transfiguração do fantasma ódico   do médium deve se produzir algumas vêzes, sobretudo quando o espírito, ainda pouco habilitado a se materializar, quer tornar-se visível. É provavelmente nessas circunstâncias que se verifica, às vezes, uma parecença entre a aparição e o médium”.

Devemos também recordar o seguinte:

Se para os fenômenos de efeitos físicos o papel do sensitivo é sempre importante, o dos assistentes está longe de ser indiferente, Constituindo eles um círculo fluídico, cujas vibrações mentais podem aumentar a emissão da força nervosa fluídica adensada sobre a organização mediúnica e impedir que o perispírito do médium perca as energias condensadas como fluxões magnéticas, tolhem por outro lado que influências exteriores e contrárias ao grupo, se as houver, apossem-se dele. Os assistentes podem, pela sua boa ou má vontade, ou pela sua desconfiança para com o médium, auxiliar ou prejudicar, em parte, a produção dos fenômenos.

Eu tive a oportunidade de ver alguns casos de transfiguração.

Para maiores esclarecimentos, vou narrar a primeira transfiguração registrada nos anais do Espiritismo, citada por Allan Kardec. O fato ocorrido durante os anos de 1858 e 1859, manifestou-se nos arredores de Saint-Etiénne:

“Uma jovem, de mais ou menos quinze anos, gozava da singular faculdade de se transfigurar, isto é, de tomar, em dados momentos, todas as aparências de certas pessoas mortas. Tão completa era a ilusão, que os assistentes julgavam ter diante de si a própria pessoa cujo semblante ela reproduzia, tal a semelhança dos traços fisionômicos, do olhar, do metal da voz e, até, da maneira peculiar de falar. Este fenômeno renovou-se por centenas de vezes, sem que para isso a vontade da jovem contribuísse em coisa alguma.

Tomou, em várias ocasiões, a aparência de seu irmão, morto alguns anos antes. Reproduzia não somente o aspecto, mas também o porte e a corpulência. Um médico do lugar, que muitas vezes testemunhou  esses extraordinários efeitos, querendo certificar-se de que não havia naquilo ilusionismo ou que não era joguete de uma manifestação, fez a experiência que vamos relatar. Conhecemos os detalhes, pelo que ele próprio nos referiu, mais o pai da moça e diversas outras testemunhas oculares muito honradas e dignas de crédito.

Veio a esse médico a ideia  de pesar a moça no seu estado normal e de fazer-lhe o mesmo durante a transfiguração, quando apresentava a aparência do irmão, que contava, ao morrer, vinte e tantos anos, e era mais alto do que ela e de compleição mais forte.

Pois bem! Verificou que, no segundo estado, o peso da moça era quase duplo do seu peso normal. Concludente se mostra a experiência, tornando impossível atribuir-se aquela aparência a uma simples ilusão de ótica” – “O Livro dos Médiuns”.

Pedro Granja apresenta muitos outros casos interessantes, mas vou ficar com os de Jesus e da jovem de quinze anos, como exemplos.

Tão consideráveis e repetitivas são as observações destes fenômenos que, apesar das hesitações humanas, hoje não se pode pôr em dúvida a sua existência, nem explicar racionalmente a sua realização pela cômoda mas fantástica lei das coincidências, que para tais casos nada elucida.

 

Maria Madalena Naufal (in memorian)

 

FONTES

 

DICIONÁRIO DE FILOSOFIA ESPÍRITA – L. PALHANO Jr. – Celd;

AFINAL, QUEM SOMOS? – PEDRO GRANJA – Edição Calvário;

NOVO TESTAMENTO – Tradução de Huberto Rohden – Martin Claret.

Disponível nosso boletim mensal.

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O articulista Eliseu F. da Mota escreveu um artigo para a RIE (março de 98) que traz esclarecimentos sobre o assunto.

“O eminente professor de psicologia e psiquiatria Emílio Mira Y Lópes afirmou que o medo, a ira, o amor e o dever são os quatro gigantes da alma, estudando cada um deles com rigor científico impressionante, valendo-se de sólidos estudos psicológicos, psicanalíticos e psiquiátricos para embasar e construir o livro sobre o assunto, modificando inclusive diversos dogmas freudianos até então vigentes, além de municiar o leitor com vários segredos de sua estratégia bélica, descrevendo algumas de suas batalhas mais frequentes.

Lamenta-se apenas que tanto Freud quanto Mira Y Lópes, embora escrevendo suas obras após o advento do Espiritismo, não se dignaram a examiná-lo com a devida atenção, porque então saberiam que existem mais  dois gigantes, o egoísmo e o orgulho. Desse modo, em vez de quatro, na verdade temos seis gigantes da alma: o medo, a ira, o amor, o dever, o egoísmo e o orgulho.

Mas tal lacuna não desmerece de todo a obra de Mira Y Lópes. Com efeito dela podemos tirar enorme proveito, sobretudo porque ele também admite que a máxima conhece-te a ti mesmo, gravada no frontispício do oráculo de Delfos e recomendada por Sócrates, é uma poderosa arma para enfrentar todos aqueles gigantes do Espírito”.

Ele também advertiu: “Dois grandes obstáculos, entretanto dificultam este autoconhecimento que Sócrates já reclamava como princípio de toda atuação: o primeiro deles consiste na própria proximidade, que dificulta enormemente todo intento introspectivo (do mesmo modo que quanto mais aproximamos um objeto de nossa vista pior o vemos); o segundo deriva das modificações constantes de nosso tônus vital – refletidas em nosso humor e em nossa autoconfiança – que nos levam atingir  sempre o autojuízo estimativo, dando-lhe uma exagerada coloração rósea ou um injustificado tom de obscuro pessimismo. De fato, o homem, depois de considerar-se o ‘ Rei da Criação’, passa, quase que sem meio-termo, a julgar-se  ‘simples barro’; umas vezes se considera como espírito ‘ próximo de Deus’ e outras como máquina de reflexos”.

Kardec, segundo Eliseu,  apresentou farto material sobre o orgulho e egoísmo – suas causas, seus efeitos e os meios de destruí-los. Vamos resumir:

A causa do orgulho está na crença, em que o homem se firma, da sua superioridade individual.

O egoísmo se origina do orgulho.

O egoísmo e o orgulho nascem de um sentimento natural: o instinto de conservação. Todos os instintos têm sua razão de ser e sua utilidade, porquanto Deus nada pode ter feito de inútil. Contido em justos limites, aquele sentimento é bom em si mesmo. O exagero é que o torna mau e pernicioso.

Muitas vezes o orgulho se desenvolve no médium à medida que cresce a sua faculdade. Essa lhe dá importância e ele acaba por sentir-se indispensável. A faculdade foi dada por Deus para o bem e não para vaidade e ambição. As consequências são drásticas para o médium imprudente.

O orgulho e o egoísmo serão sempre os vermes roedores de todas as instituições progressistas; enquanto dominarem, ruirão aos seus golpes os melhores sistemas sociais. Por isso devem ser atacados.

O Espiritismo é o mais poderoso elemento de moralização, pois mina pela base o egoísmo e o orgulho, facultando um ponto de apoio  à moral. As curas são ainda individuais e não raro parciais, mas um dia atingirá às massas ( primeira fonte de sua moralização). Não mais  esbarrando o progresso no egoísmo e no orgulho, as instituições se reformarão por si mesmas e avançaremos para os destinos que estão prometidos na Terra, esperando os do céu.

Vamos procurar desenvolver em nós os bons gigantes e enfraquecer os maus.

Maria Madalena Naufal (in memorian)

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