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REDENÇÃO DE UMA ALMA

Rita de Cássia era uma jovem espírita que realmente seguia os postulados da doutrina que professava. Morava com a mãe em um bangalô nos arredores de uma grande cidade. Perdeu o pai cedo, mas os bens deixados por ele davam às duas uma vida confortável. Não necessitando trabalhar para a sua subsistência, a moça dedicava o seu tempo a servir os irmãos necessitados. Estudava também as obras espíritas, principalmente as da Codificação. Era uma excelente médium de psicografia, psicofonia, clarividência e clariaudiência. Compreendia que as mediunidades não são privilégios, mas instrumentos de trabalho, que devem ser usados com sabedoria.

Certo dia caminhava ela por uma praça, quando se deparou com um mendigo sentado em um dos bancos. Ele estendeu uma das mãos pedindo ajuda. Rita olhou-o e seu coração tremeu dentro do peito. Nunca vira um olhar tão triste. De repente a jovem, em transe, viu o passado do pobre irmão de alma tão dolorida. Era ele, então, um jovem belíssimo, loiro, de cabelos encaracolados e muito rico. Levava vida desregrada, repleta de vícios os mais diversos. De roldão levou para a lama a honra de muitas moças, encantadas com a sua aparência física. Tantas ele aprontou, que desencarnou cedo. Amargou, então, quase um século de sofrimentos no Umbral grosso. Arrependido dos erros da última encarnação, pediu perdão a Deus e prometeu se emendar. Levado para uma Colônia Espiritual, foi tratado e encaminhado para o trabalho e estudo. Alguns anos depois pediu para reencarnar em um meio difícil e problemático. Foi atendido. Nasceu num lar muito pobre, de pais doentes, que partiram cedo do convívio dele. Teve que trabalhar cedo para sobreviver. Casou-se com uma jovem a quem muito amava e que julgava ser a companheira ideal. Mas, após alguns anos do matrimônio, ele adoeceu gravemente, perdendo o emprego. A esposa, ao invés de apoiá-lo, abandonou-o, fugindo com um vizinho. O desgosto e a doença quase o mataram. Mas sobreviveu, vivendo a partir de então às custas da caridade pública. Muitas vezes ia dormir com fome. No inverno passava frio, pois dormia num banco de jardim, com apenas uma rala coberta. Embora não contasse mais do que cinqüenta anos, parecia um velho, pois seus cabelos branquearam cedo, a barba longa e densa não permitiam que se visse o seu rosto como realmente era. Como acordando de um sonho, Rita voltou a si e se deparou com o mendigo olhando-a espantado. Sem se importar com as pessoas que passavam, a jovem impôs as mãos sobre a cabeça do mendigo e orou com fervor por ele. Depois, num gesto repentino, abraçou-se a ele e choraram por longo tempo.

– Vem comigo, meu irmão. Vou levá-lo para um Lar, no qual sou voluntária. Lá viverá tranquilo. Receberá tudo o de que necessita. Não mais passará fome e suas chagas serão curadas. Terá o que é mais importante na vida: amor, carinho e consideração.

Um sorriso, finalmente, apareceu no semblante do infeliz. Sem titubear, levantou-se e deixou-se guiar pela jovem.

Enquanto caminhavam iam conversando:

– Qual o seu nome?

– Casemiro. Pode me chamar só de Miro. E a senhora como se chama?

– Senhora não, Miro. Meu nome é Rita de Cássia. Sou solteira e moro com minha mãe Júlia. Você irá conhecê-la em breve. É uma mulher valorosa e de um coração amorável.

– Preciso mesmo conhecer pessoas boas. Minha vida é uma tristeza só. Não me revolto, mas também não entendo porque levo uma vida tão miserável. Não tenho ninguém por mim. Minha esposa me abandonou quando adoeci, não tenho pais e nem filhos.

– Logo você irá entender, Miro. Deus é perfeito e não comete injustiças. Quando você estiver melhor, eu lhe explico tudo. Veja! Já estamos chegando.

Miro firmou a vista e viu uma grande casa branca, com um belo jardim à frente e árvores frutíferas variadas dos dois lados.

Após alguns dias de permanência no Lar, Miro já era outro. Cabelos cortados, barba feita, roupas simples, mas limpas, deram-lhe um bom aspecto. Tão bem se sentiu que pediu para Rita deixá-lo trabalhar.

– O que você quer fazer, Miro?

– Quero ajudar o nosso bom José, que já parece cansado, a cuidar do jardim e do pomar.

– Pedido aceito com muito prazer. Pode começar na hora que você quiser.

É preciso esclarecer que Rita de Cássia pode tomar a decisão de aceitar o pedido de Miro porque, na verdade, era ela a Presidente-fundadora do Lar “Auta de Souza”, que há dois anos abrigava idosos desamparados. Com uma equipe formada por voluntários pertencentes a vários segmentos sociais e seguidores de diversas doutrinas religiosas, desempenhava um trabalho belíssimo. Apesar das aparentes divergências, o objetivo de todos era um só: servir os irmãos necessitados com o amor que Jesus não só ensinou, como exemplificou. O respeito era mútuo. Tanto, que quando havia palestras no Centro Espírita “Meimei”, que funcionava num pequeno salão conjugado à casa, quase todos os voluntário do Lar compareciam, mostrando o espírito ecumênico do qual eram portadores. O Centro já contava com cinco palestristas fixos: Rita, Júlia, Lúcia, que era professora aposentada, Dr. Eduardo, que também era aposentado, mas atendia os idosos do Lar permanentemente e Clóvis, um jovem bibliotecário dotado de grande oratória.

Não houve necessidade de Rita de Cássia revelar para Miro o seu passado. Através de uma palestra feita por ela, compreendeu ele que os sofrimentos porque passara nesta vida, foram conseqüências dos erros cometidos numa existência anterior. Colhemos só o que plantamos. Cada qual recebe de acordo com as suas obras. Quem quiser colher bons frutos, tem que selecionar as sementes que irá plantar. À noite, deitado em sua cama, elevou o pensamento a Deus e agradeceu-O pela sua infinita misericórdia por permitir que ele trilhasse novos caminhos, caminhos repletos de luzes e esperança.

Outra coisa que Rita evitou de revelar a Miro, foi que na existência passada do jardineiro, ela foi uma das vítimas dele, por quem estivera perdidamente apaixonada. A informação lhe foi passada por uma de suas mentoras, que também lhe revelou que, enquanto Miro padecia no Umbral, ela teve uma nova existência, num lar muito bom, de pais honestos, trabalhadores, que lhe ensinaram o valor da prática da caridade. Por isso, bem preparada, renasceu nesta última existência dotada de qualidades que lhe permitiam desempenhar um trabalho de envergadura, na qual era necessário ter um amor extremado. Conhecendo a verdade, em toda a sua extensão, Rita nem por um instante sentiu aversão por Miro. Coração nobre e abnegado, perdoou-o imediatamente. A paixão havia se transformado em amor puro, fraterno, até mesmo filial. Por seu lado, Miro também nutria por ela um carinho de pai.

Nós, que somos espíritas, compreendemos que o encontro dos dois não foi obra do acaso, mas fazia parte dos desígnios de Deus. Foi, na realidade, um encontro marcado.

Miro estudou, nos anos seguintes, a Doutrina Espírita com afinco e passou a fazer palestras que causaram grande impacto, tal a sua eloquência. Ao vê-lo rejuvenescido, ainda um homem belo, ninguém reconheceria o mendigo que vivia numa praça, andrajoso, faminto e cheio de dores. Dentro do Lar e da Comunidade em que vivia, não era considerado um idoso, mas um dos voluntários mais esforçados e eficientes. A consciência reta, transformou-o num homem alegre e forte. Não aceitou o convite de Rita e de Júlia para ir viver com elas no bangalô. Preferiu continuar morando no Lar, pois dizia se sentir mais útil, vivendo lá vinte e quatro horas por dia. Assim passou a resolver todos os problemas que surgiam repentinamente à noite. Quando algo mais grave acontecia, ligava imediatamente para a casa de Rita.

Como é gratificante contemplarmos a redenção de uma alma, que compreende, no dizer da nossa Venerável Joanna de Ângelis que: “A existência na Terra é um contínuo convite ao aprimoramento moral e incessante proposta de desenvolvimento interior. Aquele que se esforça para aprender, sempre poderá aspirar pelo momento de saber e ser feliz. É valioso, portanto, o empenho que todos devem aplicar na conquista de si mesmos e das bênçãos que a vida oferece àqueles que lutam, sacrificam-se e constroem a sociedade digna”.

Maria M. Naufal

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