Segundo L. Palhano Jr. (Dicionário de Filosofia Espírita – Celd) essa palavra vem do grego: xeno= estrangeiro; glossa= língua. Segundo Charles Richet (Metapsíquica) é o uso de uma língua (escrita ou falada) que se não aprendeu e que não se conhece em condições normais. O médium influenciado por um Espírito, fala uma língua estrangeira que lhe é por inteiro desconhecida. É conhecida também por outros nomes, entre eles Xenoglossolalia; Xenopsicoglossia; Glossolalia; Xilolalia; Glossotéia; Xenopsicofonia; Xenopsicografia.

A xenoglossia é uma faculdade mediúnica antiquíssima. Nos Atos, II, 1-13, lemos:

“Quando chegou o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído semelhante ao soprar de impetuoso vendaval e encheu toda a casa onde estavam congregados. E apareceram-lhes umas línguas como que de fogo, que se destacaram e foram pousar sobre cada um deles. Encheram-se todos do Espírito Santo e começaram a falar em línguas estranhas, conforme o espírito os impelia a que falassem.

Habitavam então em Jerusalém judeus religiosos, vindos de todos os povos que há debaixo do céu. Quando, pois, se fez ouvir aquele ruído, acudiu a multidão, cheia de pasmo, porque cada um os ouvia falar em sua própria língua. Estupefatos, e fora de si, diziam: “Porventura não são galileus todos esses que estão falando? Como é, pois, que cada um de nós ouve falar a sua língua materna? Nós, partos, medos e elamitas; os que habitamos a Mesopotâmia, a Judéia, a Capadócia, o Ponto, a Ásia, a Frigia, a Panfília, o Egito, as plagas da Líbia para as bandas de Cirene, bem como os forasteiros de Roma, judeus e prosélitos, cretenses e árabes – ouvimo-los em nossas línguas apregoar as maravilhas de Deus”.

Estavam todos atônitos e perplexos, dizendo uns aos outros: “Que vem a ser isto?” Outros, porém, escarneciam, dizendo: “É porque estão cheios de vinho doce”. (Novo Testamento – Tradução de Huberto Rohden – Martin Claret)

O “dom das línguas” (como escrevia Paulo) não foi dado exclusivamente aos apóstolos. Foram em grande número na época do Cristianismo nascente (conforme salientou Cairbar Schutel na obra “Vida e Atos dos Apóstolos”- Casa Editora O Clarim)” e delas participavam homens e mulheres, livres e servos”.

“A mediunidade poliglota, na fase espírita, desde o seu início, se salienta, de modo admirável, nos relatos dos sábios e investigadores.”

Outro caso citado por Schutel é o da filha do Juiz João W. Edmonds, 1º Juiz do Tribunal Supremo, de New York, magistrado talentoso, hábil, perspicaz e muito querido.

“Referindo-se aos trabalhos do Juiz Edmonds, o grande sábio Alfred Russel Wallace escreveu:

“Os trabalhos do Juiz Edmonds são provas convincentes de fatos resultantes das experiências desse magistrado. Sua própria filha tornou-se médium, e pôs-se a falar línguas estrangeiras que lhe eram totalmente desconhecidas. Ele exprime-se do seguinte modo sobre o assunto:

“Ela não sabia outro idioma além do seu, salvo um ligeiro conhecimento de francês, aprendido na escola. Não obstante isso, tem conversado frequentemente em nove ou doze idiomas diferentes, muitas vezes durante uma hora, com a segurança e a facilidade de uma pessoa falando sua própria língua. Não é raro que estrangeiros se entretenham, por seu intermédio com seus amigos espirituais e em seu próprio idioma. Cumpre-nos dizer como se passou tal fato em uma das circunstâncias.

Uma noite em que doze ou quatorze pessoas se achavam em meu pequeno salão, o Sr. E. D. Green, um artista desta cidade, foi introduzido em companhia de um cavalheiro que se apresentou como sendo Evan Gelides, natural da Grécia. Pouco depois, um Espírito falou-lhe em língua inglesa, por intermédio de Laura, e tantas coisas lhe disse que ele reconheceu estar por seu intermédio em relação com um amigo que falecera em sua casa alguns anos antes, mas de quem ninguém tinha ouvido falar. Nessa ocasião, por intermedeio de Laura, o Espírito disse algumas palavras e pronunciou diversas máximas em grego, até que, enfim, o Sr. E. perguntou se ele poderia ser compreendido quando falasse em grego. O resto da conversação transcorreu durante mais de uma hora, da parte do Sr. E. inteiramente em língua grega; Laura também falava em grego e algumas vezes em inglês. Em certos momentos, Laura não compreendia a idéia sobre a qual ela ou o Sr. Gelides falavam; mas, em outras ocasiões, a compreendia, posto que falasse em grego e ela própria se servisse de termos gregos”.

Além do citado caso, outros ocorreram com Laura e foi observado que ela falava as línguas espanhola, francesa, grega, italiana, portuguesa, latina, húngara, hindu, bem como em outras que eram desconhecidas das pessoas presentes. Elas eram faladas em nome de pessoas desencarnadas que conversavam com os seus parentes e conhecidos que ali estavam.

Encontramos em outras obras e revistas notícias de muitos casos de “Xenoglossia”. Vou me referir apenas a alguns:

_ Durante seus transes, as freiras ursulinas de Loudum (envolvidas num famoso caso de obsessão coletiva (século 17) – falavam em latim, grego, turco, espanhol e até mesmo numa língua indígena.

_ Entre os camisard (grupo de camponeses protestantes que lutou contra a imposição da religião católica na França), até os bebês falavam em francês com dicção perfeita (século 18).

_ Emma Hardinge (século 19), em sua obra “Modern American Spiritualism, conta que a médium Jenny Keys cantava em italiano e espanhol e as senhoras Shepherd, Sweets, Inmann, Tucker, Susan Hoyt, Ruggles e outras, fizeram apresentações em espanhol, dinamarquês, italiano, hebraico, grego, malaio, chinês e hindustâni.

_ J. Busching (século 20), um estudante de teologia de Leipzig (Alemanha), citou uma dezena de casos de xenoglossia ocorridos numa concentração religiosa destinada a revigorar a fé entre os habitantes da cidade de Almerode.

_ O pesquisador inglês F. H. Wood (século 20) registrou o que uma médium chamada Rosemary dizia quando sua mentora espiritual estava incorporada. Essa entidade, conhecida como Lady Nona, falava em egípcio. As suas mensagens foram estudadas por egiptólogos, que encontraram 140 vocábulos usados na época em que o faraó Amenófis III construiu o grande templo em Luxor, em homenagem ao deus Amon-Rá (século 15 a.C.). O mais interessante é que Lady Nona demonstrou como essas palavras deveriam ser pronunciadas. (Revista Parapsicologia- Editora Três- nº 1)

_ Assisti dois fenômenos de xenoglossia:

1º) Estava visitando uma amiga e na casa dela se encontrava uma senhora que morava em Adamantina. Conversa vai, conversa vem, a mulher desandou a falar outra língua que não o português. Falava rápido. Curiosa, quando ela “desincorporou”, perguntei que língua o guia dela havia falado. Respondeu-me: Tupi-guarani.

2º) Esse caso ocorreu na casa da minha irmã, em São José do Rio Pardo. Comemorávamos as Bodas de Prata dela e do meu cunhado Edmundo. À noite, alguns parentes foram para um hotel e outros ficaram na casa, como eu. Colocaram perto da minha cama um colchão e nele se deitou um menino que era filho de uma sobrinha do meu cunhado. Dormimos logo, pois estávamos todos muito cansados. Acordei no meio da noite com o menino falando. Chamei-o, mas não respondeu. Prestei atenção. Não era francês, inglês, alemão, castelhano, italiano, japonês, árabe ou outra qualquer língua que eu pudesse distinguir. Dormi novamente. No dia seguinte perguntei à mãe do menino que língua ele falava. Ela me explicou que o guia dele era hindu. Valeu a experiência de ter presenciado dois fenômenos de xenoglossia, só que não fiz a menor idéia do que foi dito pelos médiuns.

O nosso querido Chico Xavier vivenciou inúmeros fenômenos e entre eles também os de xenoglossia, e entre esses os de xenoglossia invertida.

O que mais me chamou a atenção foi um fenômeno ocorrido em 1933, estando Chico com 23 anos apenas.

“Referimo-nos a uma curiosa e estranha mensagem que o médium recebeu em sua terra natal, em reunião pública de 23 de novembro de 1933. O texto, aparentemente um jogo de passatempo, do tipo caça-palavras, na verdade ensejava um convite à meditação e à pesquisa, além de muita paciência.”

A comunicação continha a assinatura de Emmanuel, o guia espiritual de Chico, e era composta de cem letras. Vinha acompanhada de uma observação do Espírito comunicante: “Meus amigos, boa saúde e paz. Penso que se enfileirardes inversamente as minhas letras, elas vos revelarão o meu pensamento. Paz a todos nós.”

Colocadas as letras na ordem indicada, de trás para frente e de baixo para cima, obteve-se em inglês a seguinte decifração da mensagem: “My brothers, our generous Father´s House is truly very large. Truth and hope to the men. You have many friends of the your well.”

Em português, o texto assim foi traduzido: “Meus irmãos, a casa generosa de Nosso Pai é, em verdade, muito vasta. Verdade e esperança aos homens. Tendes muitos amigos do vosso Bem.” (RIE- Ano LXXV- nº 10 – Novembro de 2000)

Outro fato extraordinário relacionado ao tema em questão ocorreu em 1937, quando Chico participou da Semana Metapsíquica, em São Paulo. Lá ele psicografou uma mensagem em inglês (idioma não conhecido de Chico). Além disso, o texto foi psicografado invertido. Para ser lido, é necessário a ajuda de um espelho.

“Com o objetivo de evitar discussões sobre a autenticidade do texto que o médium iria produzir, dois especialistas no assunto foram convidados a assistir à sessão e rubricaram cada uma das folhas antes que fosse iniciada a psicografia. Abaixo, a íntegra do que Chico Xavier passou para o papel na ocasião:

“My Dear Brothers

 

In the modern times is necessary the union from all elementes truth´s doctrine in the fraternity that is universe´s golden law.

My companions of S. Paul! – Let us love one another! Here is the premier instruction!

Let us learn! – here are the second!

In these words is the sublime lesson of Espirit from Truth!

In the world is not have greater message!”

Emmanuel

“Meus caros irmãos!

 

Nos tempos modernos é necessário a união de todos os elementos em torno da doutrina da Fraternidade, que é a lei áurea do Universo.

Meus companheiros de São Paulo: Amemo-nos uns aos outros! Eis a primeira instrução!

Aprendamos! Eis a segunda.

Nestas palavras concretiza-se a sublime lição do Espírito da Verdade!

No mundo não pode haver maior mensagem”.

Emmanuel

(Chico Xavier- O Homem Amor – Coleção Profecia Nº 6 – Ediouro)

Em fevereiro de 1933, Chico recebeu uma mensagem de Emmanuel, escrita em italiano, psicografada às avessas, em Pedro Leopoldo. Eis a mensagem:

“Buona Salute. Mi allegro de potervi parlare, ma prima de tutto deggio ringrazziari a Dio, lasciandovi anche i miei sentimenti amichevoli, tropo sinceri. Pernonnatemi si vi tengo come miei fideli amici. Mi chiamo Emmanuel, ma io non era figlio d´Itália. Sono vostro amico vecchio.

“Bisognarebbero ció per sapere che siamo com voi? Perché i che giá non siamo prisioneri della Terra, non bisognamo delle lingue umane. Nostra lingua é il pensiero. Qualcheduno vi a detto che tale manifestazione spiritiche sono utile per condurre la credenza quelli di vostri fratelli i quali non credono ancora. Ma sono deluso. Colla prove stessa  non ci crederebbero. Gl´uomini se sentono saggi colle piccoli cienzi o colle religioni dogmatiche.

“Bisogno capire vostro doveri. Il laboro dello Francesco é fissato; voglio appena dimostrarvi che l´immortalitá é la vertá; non teniamo colori o aggetivi per pingerla. Aspettate colla pacienza. Conservate in vostra anime i fiori della speranza; per molti di vostri fratelli l´orgoglio é tutto. A eglino viene la luce per lo camino delle grandi dolori. Sotto gli pianti sono le luci che rischiarono lasu conocenza. Ricordatevi che gli scolari fanciulli ubbidiscono al loro precettori, Ieri cravte cattivi, oggi siete meggiori i dimani sarete buoni.

“Adio. Non dimentichiate vostri doveri giamai. Sia lode a Dio. Oggi come altrevolte vostro amico i fratello, piccolo i povero. Emmanuel.

“Gl´esempli per le piu sono megiori delle parole.”

Em português, o texto foi assim traduzido:

“Boa saúde. Alegro-me de poder saudar-vos, mas primeiramente devo agradecer a Deus, deixando também os meus sentimentos amigáveis mais sinceros. Permita-me que vos tenha como meus fiéis amigos. Chamo-me Emmanuel, mas não era filho da Itália. Sou vosso velho amigo.

“Precisaria disto para saberdes que estamos convosco? Porque, como já não somos prisioneiros da Terra, não precisamos da linguagem humana. Nossa língua é o pensamento. Qualquer um de nós vos tem dito que tais manifestações espirituais são úteis para conduzir a crença daqueles dos vossos irmãos que não acreditam agora. Mas estão enganados. Com esta mesma prova eles não acreditarão. Os homens se sentem sábios, com, a pequena ciência ou com as religiões dogmáticas.

“É preciso compreender o vosso dever. O trabalho do Francisco está determinado; quero apenas demonstrar-vos que a imortalidade é a verdade; não temos cores ou adjetivos para pintá-la. Esperai com paciência. Conservai em vossa alma as flores da esperança; para muitos dos vossos irmãos o orgulho é tudo. Por ele vem a luz pelo caminho das grandes dores. Somente no pranto está a luz que despertará a vossa consciência. Recordai-vos que os escolares e as crianças obedecem aos seus preceptores. Ontem, prisioneiros da maldade, hoje sois melhores e amanhã sereis bons.

“Adeus. Não esqueçais vosso dever jamais. Deus seja louvado. Hoje e sempre vosso amigo e irmão menor e humilde. Emmanuel.

“O exemplo é melhor do que a palavra.”

Outro caso ocorreu a 13 de maio de 1935, em Pedro Leopoldo.Em 15 linhas, Chico psicografou, em inglês, da direita para a esquerda, a mensagem a seguir, lida somente com o auxílio de um espelho ou através da luz:

“My dear spiritualist friends. Men´s learning is nothing over against of the death; let you support your cross with patience and courage. The pain and faith are the greater carthly treasure and the work is the gold of the life.

“But for all you, believing either not, here is the our great message:God is our Father. We are brothers. Let us love one another. Emmanuel.”

Tradução:

“Meus caros amigos espiritualistas. O conhecimento dos homens é nulo em face da morte; suportai a vossa cruz com paciência e coragem. A dor e a fé são os maiores tesouros terrenos e o trabalho é o ouro da vida.

“Para todos vós, entretanto, crentes ou não, aqui está a nossa grande mensagem: Deus é nosso Pai. Nós somos irmãos. Amemo-nos uns aos outros. Emmanuel.”

Outro caso de xenoglossia invertida ocorreu em Belo Horizonte. Chico psicografou mensagem em inglês de autoria de Emmanuel, de trás para diante, na sede da União Espírita Mineira. Com o auxílio de um espelho, lê-se:

“My dear and generous friends of the fraternity´s doctrine.

“Good health and peace in God, our Father.

“Let us learn the life in the love´s law, from the instructions of Jesus Christ; except this work represent the struggle and studies of the vanith and from the darkness of the little men´s science.

Your brother, Emmanuel.”

Tradução:

“Meus prezados e nobres amigos da Doutrina da Fraternidade.

“Boa saúde e paz em Deus, nosso Pai.

“Aprendamos a viver sob a lei do amor, pelos ensinamentos de Jesus Cristo; fora deste mister, o mundo terreno retrata apenas o combate e o cálculo da soberba, proveniente da cegueira da estreita ciência dos homens.

“Vosso irmão, Emmanuel.”

“Recebida em dois minutos, esta mensagem é um apelo ao entendimento fraterno, tendo em vista a guerra fratricida que se antevia, preocupação manifestada em diversas ocasiões pelo mentor espiritual.”

Antes de dar continuidade aos casos de xenoglossia, quero fazer um esclarecimento muito importante:

Hernani Guimarães Andrade, parapsicólogo, engenheiro, escritor brasileiro, fundador do Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicológicas, autor de vários livros e monografias, deu o seu contributo em relação ao fenômeno da xenoglossia: “a ocorrência de casos de xenografia invertida se dá pelo fato de existir no homem uma função que permite a transcomunicação entre uma mente para outra, sendo chamada na linguagem parapsicológica de função da categoria psi-gamma. Os parapsicólogos que admitem a existência dos Espíritos e a possibilidade da comunicação entre o morto e o vivo denominam essa faculdade de função psi-tetha.

A capacidade de escrever a comunicação é outra razão da ocorrência desses fenômenos, segundo Andrade. De acordo com o parapsicólogo, existe o médium mecânico ou automático que nem sempre toma conhecimento do que escreve. Esses médiuns são os que geralmente captam as mensagens e, às vezes, escrevem-nas em forma especular (de trás para diante)”. (RIE – Ano LXXVI – nº 12- Janeiro de 2001)

João Pio de Almeida Prado, médium portador de importantes faculdades, conhecido como “O Mensageiro das Estrelas”, na década de 80 viajou pela Europa. Ao voltar foi entrevistado pela equipe da Revista Planeta. Após visitar a Itália foi para a Espanha. Lá ocorreu com ele um fenômeno muito interessante: “Havia momentos em que eu falava português, mas todo mundo entendia como se eu estivesse falando espanhol- e eu não falo aquela língua. Isso também aconteceu na Itália: falei português, mas todo o pessoal me entendia. Acho que alguma coisa mexe com a mente do pessoal nessas apresentações”. A revista apresenta também uma página com escritos de João Pio em línguas mortas. (Planeta – número 135 – Dezembro de 83)

A grande articulista Elsie Dubugras, numa edição especial da revista Planeta (Fronteiras do Desconhecido- Editora Três) comenta um livro de David Christie Murray, Voices from the Gods, que trata de fenômenos que usam a voz humana: a glossolalia e a xenoglossia. Essas palavras, para o autor, não têm o mesmo significado. “Na glossolalia, as palavras pronunciadas pelos sensitivos são incompreensíveis e precisam ser interpretadas; na xenoglossia, as frases são proferidas em línguas que os sensitivos desconhecem mas compreensíveis a outros familiarizados com os idiomas.

Diz o autor que estes fenômenos são constatados nas cerimônias religiosas de muitos povos. A glossolalia faz parte dos rituais divinatórios e de maldição dos esquimós e é usada pelos xamãs da Sibéria, que caem ao chão desacordados depois de rugir como loucos e falar de forma incoerente e incompreensível aos assistentes. O comportamento e a forma de falar dos sacerdotes, xamãs e sensitivos de outros povos pode variar, mas a glossolalia tem um requisito importante. Os pigmeus da ilha de Sumatra (Indonésia) falam a língua dos espíritos celestiais, mas fazem isso mansamente. As sacerdotisas de Bornéu também não se comportam de forma violenta quando oferecem encantamentos a um jarro sagrado, o qusi, mas essas oferendas verbais são feitas numa língua que só elas e os espíritos entendem. Na costa ocidental da África, contudo, o feiticeiro fica violento, e resmunga e grasna ao conversar com os deuses no seu idioma.

A glossolalia também é encontrada nos rituais de cura dos zulus (África). Depois de dias de danças exaustivas, o espírito se apodera do doente, que começa a falar numa língua estranha. E supostamente se cura”.

Elsie cita muitos outros casos apresentados pelo autor, mas muitos deles já apresentei no presente artigo.

Temos muito ainda que estudar, pesquisar os fenômenos anímicos e mediúnicos, aliar cada vez mais a ciência à religião, para poder entender quem somos, donde viemos e para onde vamos. O véu é levantado pelo Criador de acordo com a nossa evolução mental. Prestemos atenção para não perdermos os meios que Ele nos oferece.

Maria Madalena Naufal