O EXTRAORDINÁRIO FENÔMENO DA VOZ DIRETA

               A voz direta é um fenômeno de efeitos físicos ectoplasmáticos, no qual um Espírito forma sua própria garganta (aparelho fonador) e fala, sem o auxílio direto do corpo do médium. Há também uma modalidade em que as cordas vocais do médium sofrem transfiguração, possibilitando que um Espírito possa falar com sua própria voz.

Já ouvi as duas formas, sendo que a segunda me é bastante comum. A voz do Espírito comunicante é igualzinha a que tinha na Terra. Tanto eu, como Sônia, modificamos muitas vezes a nossa voz, identificando assim o Espírito que está falando no momento.

A voz direta não deve ser confundida com a pneumatofonia, que vem do grego: pneuma + phoné= som ou voz dos Espíritos. Voz dos Espíritos, sem o concurso da voz humana. Assim como os Espíritos podem produzir sons, ruídos e pancadas, podem fazer também com que se ouçam gritos de toda espécie e sons vocais que imitam a voz humana, ao nosso lado, como nos ares. Os sons espíritas, os pneumatofônicos se produzem de duas maneiras distintas: às vezes é uma voz interior que repercute no nosso foro íntimo, nada tendo, porém de material as palavras, conquanto sejam claramente perceptíveis; outras vezes, são exteriores e nitidamente articuladas, como se proviesse de uma pessoa que nos estivesse ao lado. De um modo ou de outro, o fenômeno é quase sempre espontâneo e só raramente pode ser provocado. Os muitos comigo ocorridos foram todos espontâneos. Vou narrar apenas dois:

O da primeira maneira ocorreu da seguinte forma: cheguei da escola, cansada, aborrecida. Joguei-me no sofá da sala e pensei “Que bom que quando eu desencarnar, não vou mais ter que ensinar”. Aí a voz interior respondeu: “Ainda lá voltarás a ensinar”. Fiquei tão triste, que as lágrimas molharam a minha roupa. Mas, reagi logo. Levantei-me e fui cuidar da vida. O mais interessante (descobri depois) é que não é preciso desencarnar para trabalhar no Plano Espiritual. Lá eu dou aulas, coordeno-as, pesquiso, faço palestras ao ar livre para jovens, etc.

O da segunda maneira ocorreu assim: eu almoçava na mesa da copa, com Maria, minha empregada. De repente ouvimos uma voz que parecia vir da sala:

_Verdureiro!

Era a voz perfeita de Valdomiro, um senhor que passava duas vezes por semana pela nossa rua, de caminhonete.

Levantei-me de imediato, abri a janelinha da porta da sala, mas não vi ninguém. Abri a porta, fui até o portão. Olhei para baixo e para cima. Não vi o Valdomiro e nem o seu veículo. No dia seguinte fui à feira e conversei com ele. Garantiu-me que não havia passado pela minha rua e muito menos havia pronunciado aquela palavra.

Nos trabalhos de fenômenos físicos a voz direta processa-se da seguinte forma: a mente funciona em planos cujas oscilações estão muito acima do campo vibratório comum da atmosfera física; a mente, pois, vibra no éter, enquanto a voz vibra no ar. Dessa forma, quando os espíritos querem falar com os encarnados, eles necessitam de um elemento intermediário que tanto lhes baixe o tom vibratório da “voz etérica”, como também a faça repercutir de forma audível no ambiente do mundo material. Esse elemento medianeiro é o ectoplasma, substância fluídica de origem psíquica, exsudada pelos médiuns através dos centros de forças do seu perispírito, em conjugação com o sistema nervoso do corpo físico. Em conexão com as forças vitais dos assistentes, o ectoplasma transforma-se em ponto de apoio para a repercussão da voz dos espíritos ou demais fenômenos comprovados pelos sentidos físicos dos encarnados.

Os espíritos que desejam falar, então, para o mundo material passam a exercitar-se com essa máscara, e o seu mais breve ou mais demorado êxito fica dependendo do treino e da habilidade com que a utilizam para vibrar e transmitirem suas palavras aos encarnados.

Em alguns casos, o espírito comunicante pode utilizar-se diretamente da laringe do médium em transe., fazendo-a vibrar sob a sua vontade e dando-lhe a entonação que quer. E os sons articulados nas suas cordas vocais são ampliados pela trombeta ou megafone que flutua no ar, através de um tubo de substância astral ligado diretamente aos órgãos vocais do médium. Os espíritos que operam controlam o médium, condicionando-lhe a voz para a trombeta, ajustando-a ao tom de voz que o comunicante possuía quando encarnado.

O som produzido pela laringe do médium e sob o controle do espírito comunicante não resulta de repercussão do ar sobre as suas cordas vocais. Essa operação é executada do “lado de cá” exclusivamente no éter, depois do que é ampliada pelo megafone e ouvida pelos encarnados. O fenômeno processa-se primeiramente na laringe etereoastral do perispírito do médium, repercutindo logo em seguida, no mundo físico, através do ectoplasma catalisado pelas ondas sonoras da palavra falada, da música ou do cântico dos presentes.

Cabe aqui uma pergunta: de que forma os espíritos podem dar a entonação da voz que possuíam quando encarnados, uma vez que falam diretamente pela laringe do médium? Embora nos pareça impossível, eles fazem aquilo que os bons ventrículos realizam no mundo matéria, quando imitam a voz humana dos outros e até o canto das aves.

Quando o ectoplasma é bom, eles optam pela confecção da laringe ectoplasmática, da máscara etereoastral ou mesmo agem no interior dos megafones sem luminosidade, passando a produzir as palavras em conexão com as ondas sonoras emitidas, tal como se operassem pela garganta do médium.

Os procedimentos nos trabalhos de voz direta são muito difíceis para os técnicos do espaço. As imensas dificuldades exigem muita disciplina, muita perseverança e intensos esforços. Por isso, nem todos os desencarnados submetem-se aos fatigantes cursos e exercícios que a técnica sideral exige a fim de se produzir a voz direta. O treino tem duração variável. Pode levar dias, meses e até mesmo anos.

A voz direta é também chamada de Autofonia e Mistefonia.

 

Maria Madalena Naufal

FONTES

               ELUCIDAÇÕES DO ALÉM, de Ramatis, psicografia de Hercílio Maes – Editora Conhecimento;

DICIONÁRIO DE FILOSOFIA ESPÍRITA, de L. Palhano Jr. – Edições Celd;

ENCICLOPÉDIA DE PARAPSICOLOGIA, METAPSÍQUICA E ESPIRITISMO, de João Teixeira de Paula – Cultural Brasil Editora Ltda.

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