OS CEGOS QUE JESUS CUROU

JESUS E O CEGO DE BETSAIDA

Viajava Jesus com Seus discípulos pelas aldeias e cidades da Palestina, sempre ensinando e curando. Certo dia chegaram a Betsaida-Júlias (El Tell), a 3 Km ao norte do lago de Genesaré e a 300 m a leste do rio Jordão. Foi construída pelo tetrarca Filipe (Um dos filhos de Herodes, o Grande, casado com Herodíades, a qual foi levada como mulher pelo seu irmão Herodes. Este foi o responsável pela degola de João Batista, a quem Herodíades odiava. Trouxeram um cego até o Mestre e pediram que o tocasse (Marcos 8:22-26). Jesus tomou o cego pela mão e o conduziu para fora da aldeia; tocou-lhe com saliva os olhos, impôs-lhe as mãos e perguntou-lhe: “Enxergas alguma coisa?”

Levantou ele os olhos e disse: “Vejo andar homens como árvores”.

Novamente lhe pôs Jesus as mãos sobre os olhos; então se tornou penetrante a vista dele; ficou curado e distinguia nitidamente todas as cores.

Mandou-o Jesus para casa com esta recomendação: “Não entres na aldeia”.

Foi a primeira cura desse tipo narrada pelo evangelista Marcos e privativa deste Evangelho, assim como a do surdo-gago. O pedido é sempre o mesmo: “que o toque” ou “que lhe imponha as mãos”. O gesto, hoje denominado “benção” pelos católicos, “benção apostólica” por uma das ramificações evangélicas (Igreja Semear) e “passe” pelos espiritistas é idêntico: lançamento de fluidos curadores, mediante gesto das mãos, com ou sem contato físico.

Ao invés de fazer isso, Jesus segura a mão do cego e o leva para fora da fora da aldeia. Após isso pergunta-lhe se está vendo. A resposta nos parece bastante desconcertante: “Vejo os homens porque como árvores os vejo andando”.

Não ficou claro se o cego era de nascença ou não. O que nos parece claro é que, em sua cegueira, ao ouvir o farfalhar das ramagens, ele tinha a impressão de que as árvores “caminhavam em redor”; e a visão ainda deficiente fazia-lhe ver os homens grandes, como ele imaginava serem as árvores.

A cura não se completara. Havia necessidade de nova intervenção, embora de menor intensidade. O Mestre usa os fluidos magnéticos das mãos, sem mais necessidade do uso da saliva. A cura então se torna completa, ao ponto do homem enxergar nitidamente mesmo ao longe.

 

CURA DE DOIS CEGOS

 

               Quando Jesus prosseguia viagem, foram-lhe ao encalço dois cegos que bradavam: “Filho de Davi, tem piedade de nós! Tendo chegado à casa, logo se acercaram dele os cegos. Perguntou-lhes Jesus: Credes que eu possa fazer isto? “Sim, Senhor!”, responderam-lhe. Então lhes tocou os olhos e disse: “Faça-se convosco, assim como credes! E abriram-se-lhes os olhos. Jesus, porém lhes deu este aviso severo: “Vede que ninguém o chegue a saber!”

Eles, porém, se foram e espalharam por toda a região a fama de Jesus. (Mateus 9,27-31.)

 

OS CEGOS DE JERICÓ

 

Quando iam saindo de Jericó, foi Jesus seguido de grande multidão de povo. E eis que à beira da estrada se achavam sentados dois cegos. Mal ouviram que Jesus vinha passando, puseram-se a clamar: “Senhor, filho de Davi, tem piedade de nós!” O povo os repreendia para que se calassem. Eles, porém, gritavam cada vez mais: “Senhor, filho de Davi, tem piedade de nós!” Ao que Jesus parou, chamou-os e perguntou: “Que quereis que vos faça? “Senhor, que se nos abram os olhos!”, responderam eles. Jesus teve pena deles e tocou-lhes os olhos. E no mesmo instante viam, e o foram seguindo. (Mateus 20, 29-34.)

O CEGO DE JERICÓ

 

Chegaram a Jericó. Quando Jesus ia saindo de Jericó, em companhia de seus discípulos e muito povo, estava sentado à beira do caminho um mendigo cego. Era Bartimeu, filho de Timeu. Mal ouviu que vinha passando Jesus de Nazaré, pôs-se a clamar: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!”

Repreenderam-lhe muitos para que se calasse; ele, porém, gritava cada vez mais: “Filho de Davi, tem piedade de mim!”

Parou Jesus e disse: “Chamai-o cá!” Foram chamar o cego e lhe disseram: Tem confiança; levanta-te; que ele te está chamando”. Lançou de si sua capa, levantou-se dum salto e correu para Jesus.

“Que queres que te faça?”, perguntou-lhe Jesus.

“Mestre, suplicou o cego, “faze com que eu veja!”

Disse-lhe Jesus: “Vai! Que a tua fé te curou”. No mesmo instante via, e o foi seguindo pelo caminho. (Marcos 10, 46-52.)

Esta passagem narrada por Marcos é,  provavelmente,  a mesma que Mateus narrou. Só que aqui aparece apenas um cego e Mateus apresentou dois. O cego de Marcos é identificado. Seu nome era Bartimeu. Pode ser que foram curas em períodos diferentes, pois Jericó era uma cidade muito importante da Palestina, distando apenas 23 quilômetros de Jerusalém, onde Jesus pode ter ido várias vezes.

 

O CEGO DE JERICÓ

 

Quando se aproximava de Jericó, achava-se um cego sentado à beira do caminho, pedindo esmola. Ouvindo o tropel de gente que passava, perguntou o que era aquilo. Disseram-lhe que vinha passando Jesus de Nazaré. Ao que ele se pôs a clamar: “Jesus, Filho de Davi, tem piedade de mim!”

Os que vinham à frente repreenderam-no para que se calasse. Ele, porém, clamava cada vez mais: “Filho de Davi, tem piedade de mim!”

Então Jesus parou e mandou que lho trouxessem. Tendo chegado, perguntou-lhe: “Que queres que te faça?”

“Senhor, que eu torne a ver”, respondeu ele.

“Torna a ver, disse-lhe Jesus . “A tua fé te curou.”

No mesmo instante via, e o foi seguindo, glorificando a Deus. Também todo o povo que isso presenciara louvava a Deus. (Lucas 18, 35-43.)

Novamente a narrativa da mesma passagem. Foram, então três evangelistas que abordaram esse assunto, sendo que um deles foi discípulo direto de Jesus (Mateus).

 

O CEGO DE NASCENÇA

 

Ao passar, deparou-se-se-lhe um homem que era cego de nascença. “Mestre, perguntaram-lhe os discípulos, “quem pecou para ele nascer cego: ele ou seus pais?”

Respondeu-lhes Jesus: “Nem ele nem seus pais pecaram; mas é para que nele se manifestem as obras de Deus. Temos de levar a efeito as obras de quem me enviou, enquanto é dia. Vem a noite, quando ninguém mais pode trabalhar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo”.

Dito isso, cuspiu na terra, fez um lodo com a saliva, untou com o lodo os olhos do cego e disse-lhe: “Vai e lava-te no tanque de Siloé” – que quer dizer “Enviado”.

Foi, lavou-se e voltou vendo.

Disseram então os vizinhos e os que outrora o tinham visto mendigar: “Não é este o mesmo que estava sentado a pedir esmolas?”

“Sim, é ele”, diziam uns. Outros: “Não é; apenas se parece com ele”.

Ele, porém, declarou: “Sou eu mesmo”.

Ao que lhe perguntaram: “Como foi que se abriram os olhos?”

Respondeu ele: “O homem que se chama Jesus fez um lodo, untou-me os olhos, e disse-me: ‘Vai e lava-te no tanque de Siloé’. Fui, lavei-me e vejo”.

“Onde está o homem?”, perguntaram-lhe

“Não sei”, respondeu. (João 9, 1-12.)

João continua a narrar os acontecimentos em 13-41:

Levaram então aos fariseus o homem que fora cego. Ora, era sábado quando Jesus fizera lodo e lhe abrira os olhos. E novamente inquiriram dele os fariseus como é que recuperara a vista.

Disse-lhes ele: “Pôs-me um lodo sobre os olhos, lavei-me e vejo”.

Observaram então alguns fariseus: “Esse homem não é de Deus, pois não guarda o sábado”. Outros, porém, diziam: “Como pode um pecador fazer semelhantes prodígios? E havia dissensão entre eles. Pelo que tornaram a interrogar o cego: “E tu, que dizes dele, pois que te abriu os olhos?…”

“É um profeta”, respondeu ele.

Então os judeus não acreditaram que ele estivera cego e recuperara a vista, enquanto não chamassem os pais do que fora curado. Fizeram-lhe esta pergunta:”É este vosso filho que dizeis ter nascido cego? Como é, pois, que agora vê?”

Responderam os pais: “Sabemos que este é nosso filho que nasceu cego; mas de que modo agora vê é que não sabemos; tampouco sabemos quem foi que lhe abriu os olhos; interrogai-o a ele mesmo; tem idade para dar informações de si”. Assim falaram os pais com medo dos judeus; porque já tinham os judeus decretado expulsar da sinagoga a quem confessasse como sendo o Cristo. Por essa razão disseram os pais: “Tem idade: interrogai-o a ele mesmo”.

Ao que tornaram a chamar o homem que fora cego e disseram-lhe: “Dá glória a Deus. Nós sabemos que esse homem é pecador”.

Tornou-lhes ele: “Se é pecador, não sei; uma coisa, porém sei: que eu era cego e agora vejo”.

Inquiriram eles: “Que foi, pois, que te fez? Como te abriu os olhos?”

“Já vo-lo disse”, respondeu-lhes ele. “Não o ouvistes? Por que quereis ouvi-lo mais uma vez? Acaso quereis também vós ser discípulos dele?”

Ao que o cobriram de injúrias, dizendo: “Discípulo dele sejas tu Nós somos discípulos de Moisés. Sabemos que Deus falou a Moisés: mas quanto a esse tal, não sabemos donde vem”.

“Pois é estranho”, tornou o homem, “que não saibais donde ele vem, quando me abriu os olhos. Ora, sabemos que Deus não atende os pecadores; mas quem teme a Deus e lhe cumpre a vontade, a esse é que atende. Desde que o mundo existe, nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença. Se este não fosse de Deus, não poderia fazer coisa alguma”.

“Nasceste todo em pecados”, revidaram-lhe eles, “e pretendes dar-nos lições a nós?”

E expulsaram-no.

Soube Jesus que acabavam de expulsá-lo e, encontrando-se com ele, perguntou-lhe: “Crês no filho do homem?”

“Quem é, Senhor”, respondeu o outro, “para eu crer nele?”

Tornou-lhe Jesus: “Estás a vê-lo; quem fala contigo, este é”.

“Creio, Senhor!”, exclamou ele, prostrando-se-lhe aos pés.

Disse Jesus: “Para exercer juízo é que vim ao mundo, a fim de que os cegos vejam, e os que veem se tornem cegos”.

Ouviram isso alguns dos fariseus que o cercavam e perguntaram: “Porventura, também nós somos cegos?”

“Se fosseis cegos”, respondeu-lhes Jesus, “não teríeis pecado; mas como afirmais: ‘Nós vemos’ – subsiste o vosso pecado”.

Segundo Schutel “A vida de Jesus é uma lição extraordinária. Fonte de ensinamentos inesgotáveis que jorra para a Vida Eterna, só por ela seremos capazes de nos fortalecer para o cumprimento dos desígnios divinos.

Todos os mestres da Terra têm errado e continuam a errar, só Jesus falou a Eterna Verdade que irá sendo assimilada à proporção que crescermos no seu conhecimento e à medida que as graças de Deus abundarem em nós”.

“As graças de Deus são luzes que nos iluminam os caminhos da Vida, que nos mostram as obras divinas, desvendando-nos o reino da felicidade imortal.

Quem ama a Deus e procura cercar-se de suas obras, se é cego, fica vendo; se é surdo, ouve; se é mudo, fala; porque as obras de Deus vivificam os nossos sentidos para nos extasiar com as suas maravilhas”.

O assunto merece outras reflexões: cada um é responsável por suas obras. Se o rapaz era cego de nascença, o seu pecado teria sido cometido em outra existência. Isto depõe a favor da reencarnação e contra a unicidade da existência. Mas Jesus esclareceu que a cegueira dele não provinha de pecado que ele houvesse cometido, mas que a enfermidade longe de ser castigo, era uma graça de Deus, para que suas obras fossem manifestas.

De fato, os filhos não podem pagar pelos erros dos pais, mas os pecados dos pais podem chegar a cegar os filhos. Se os pais educam mal os filhos, os seus vícios, os seus defeitos refletem nos filhos e os filhos pagam as consequências ruins dessa má educação; pelo mesma maneira os pais têm de prestar contas a Deus pelas faltas que seus filhos praticaram, visto serem elas causadas pela educação que receberam no lar.

Falando moralmente ou espiritualmente, os pais são condenados pelas faltas dos filhos, e os filhos são condenados pelas faltas dos pais.

Jesus, nos seus três anos de messianato deve ter curado muitas pessoas. Apenas uma parte aparece nos evangelhos, mas dão uma ideia do Seu poder e do Seu amor por nós, seus irmãos menores.

 

Maria Madalena Naufal

 

FONTES

 

NOVO TESTAMENTO – Tradução de Huberto Rohden- Martin Claret;

PARÁBOLAS E ENSINOS DE JESUS – Cairbar Schutel – Casa Editora O CLARIM;

SABEDORIA DO EVANGELHO – Carlos Torres Pastorino – Publicação da revista mensal Sabedoria.

 

 

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