TRANSFIGURAÇÕES

Segundo Palhano Jr. transfiguração é fenômeno de efeitos físicos, de ordem ectoplasmática , em que há modificações na aparência externa do médium , Pode ser parcial ou global. O médium pode transfigurar-se  na aparência palpável do Espírito  que se manifesta. Tem acontecido, em alguns médiuns, apenas o braço ou a mão transfigurar-se, outra hora, apenas o rosto. Existe o exemplo bíblico da transfiguração de Jesus de Nazaré no Monte Tabor (Mateus, 17: 1-9).

Aproveitando o exemplo de Palhano, vamos ao texto:

Tomou Jesus consigo a Pedro, Tiago e João, irmão deste conduziu-os de parte a um monte elevado e transfigurou-se diante deles; o seu rosto resplandecia como o sol, e suas vestes se tornaram brancas como a luz. E eis que  “lhe apareceram Moisés e Elias, falando com ele. Então tomou Pedro a palavra e disse a Jesus: Senhor, que bom que é estarmos aqui! Se quiseres, vou armar aqui três tendas, uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”.

Estava ainda falando, quando uma nuvem luminosa os envolveu, e de dentro da nuvem luminosa ecoou uma voz: “Este é meu filho querido, em que pus a minha complacência; ouvi-o!” Ao perceberem isso, os discípulos caíram de face em terra, transidos de terror. Jesus, porém, chegou-se a eles e os tocou, dizendo: “Levantai-vos e não temais”. Ergueram os olhos, e não viram ninguém senão só Jesus.

“Enquanto iam descendo do monte, pôs-lhes Jesus este preceito: “Não digais a pessoa alguma o que acabais de ver, até que o Filho do homem tenha ressuscitado dentre os mortos”.

Como os fenômenos de materialização e desmaterialização, os de transfiguração também são maravilhosos. Confirmam, como os outros dois, a sobrevivência do espírito e demonstram o seu poder sobre a matéria.

O fenômeno da transfiguração “consiste na mudança de aspecto de um corpo vivo”. É este fenômeno, no seu grau mais elevado, acompanhado de transformação completa do médium, isto é, o corpo e sobretudo a fisionomia do sensitivo transfiguram-se temporàriamente de tal forma que o fazem parecer extraordinàriamente com a pessoa falecida.

O fenômeno processa-se da seguinte maneira:

Entrando o sensitivo em estado de transe, (letargia) o seu perispírito exterioriza-se, e o corpo abandonado é ocupado pelo perispírito do morto, que gradualmente vai amoldando e facetando a matéria orgânica do médium de forma a reproduzir, com maior ou menor perfeição, os seus traços fisionômicos.

Os médiuns que produzem as transfigurações  são aqueles que a natureza dotou da estranha faculdade  de exteriorizar o seu perispírito com grande facilidade. Sabemos que o perispírito  tem, por natureza própria, a faculdade de assimilar a si, do meio ambiente, os elementos materiais de que carece, daí resulta  que, exteriorizando-se o perispírito do médium, o espírito que quer se manifestar atrai a si a imagem viva de si próprio, imagem tão viva e real, que as transfigurações são sempre susceptíveis de serem vistas por qualquer  pessoa.

O Dr. Gabriel Delanne faz um esclarecimento importante. Diz ele:

“Parece-me que a transfiguração do médium é possível pela superposição do perispírito desencarnado, e é provável que a transfiguração do fantasma ódico   do médium deve se produzir algumas vêzes, sobretudo quando o espírito, ainda pouco habilitado a se materializar, quer tornar-se visível. É provavelmente nessas circunstâncias que se verifica, às vezes, uma parecença entre a aparição e o médium”.

Devemos também recordar o seguinte:

Se para os fenômenos de efeitos físicos o papel do sensitivo é sempre importante, o dos assistentes está longe de ser indiferente, Constituindo eles um círculo fluídico, cujas vibrações mentais podem aumentar a emissão da força nervosa fluídica adensada sobre a organização mediúnica e impedir que o perispírito do médium perca as energias condensadas como fluxões magnéticas, tolhem por outro lado que influências exteriores e contrárias ao grupo, se as houver, apossem-se dele. Os assistentes podem, pela sua boa ou má vontade, ou pela sua desconfiança para com o médium, auxiliar ou prejudicar, em parte, a produção dos fenômenos.

Eu tive a oportunidade de ver alguns casos de transfiguração.

Para maiores esclarecimentos, vou narrar a primeira transfiguração registrada nos anais do Espiritismo, citada por Allan Kardec. O fato ocorrido durante os anos de 1858 e 1859, manifestou-se nos arredores de Saint-Etiénne:

“Uma jovem, de mais ou menos quinze anos, gozava da singular faculdade de se transfigurar, isto é, de tomar, em dados momentos, todas as aparências de certas pessoas mortas. Tão completa era a ilusão, que os assistentes julgavam ter diante de si a própria pessoa cujo semblante ela reproduzia, tal a semelhança dos traços fisionômicos, do olhar, do metal da voz e, até, da maneira peculiar de falar. Este fenômeno renovou-se por centenas de vezes, sem que para isso a vontade da jovem contribuísse em coisa alguma.

Tomou, em várias ocasiões, a aparência de seu irmão, morto alguns anos antes. Reproduzia não somente o aspecto, mas também o porte e a corpulência. Um médico do lugar, que muitas vezes testemunhou  esses extraordinários efeitos, querendo certificar-se de que não havia naquilo ilusionismo ou que não era joguete de uma manifestação, fez a experiência que vamos relatar. Conhecemos os detalhes, pelo que ele próprio nos referiu, mais o pai da moça e diversas outras testemunhas oculares muito honradas e dignas de crédito.

Veio a esse médico a ideia  de pesar a moça no seu estado normal e de fazer-lhe o mesmo durante a transfiguração, quando apresentava a aparência do irmão, que contava, ao morrer, vinte e tantos anos, e era mais alto do que ela e de compleição mais forte.

Pois bem! Verificou que, no segundo estado, o peso da moça era quase duplo do seu peso normal. Concludente se mostra a experiência, tornando impossível atribuir-se aquela aparência a uma simples ilusão de ótica” – “O Livro dos Médiuns”.

Pedro Granja apresenta muitos outros casos interessantes, mas vou ficar com os de Jesus e da jovem de quinze anos, como exemplos.

Tão consideráveis e repetitivas são as observações destes fenômenos que, apesar das hesitações humanas, hoje não se pode pôr em dúvida a sua existência, nem explicar racionalmente a sua realização pela cômoda mas fantástica lei das coincidências, que para tais casos nada elucida.

 

Maria Madalena Naufal (in memorian)

 

FONTES

 

DICIONÁRIO DE FILOSOFIA ESPÍRITA – L. PALHANO Jr. – Celd;

AFINAL, QUEM SOMOS? – PEDRO GRANJA – Edição Calvário;

NOVO TESTAMENTO – Tradução de Huberto Rohden – Martin Claret.

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