O articulista Eliseu F. da Mota escreveu um artigo para a RIE (março de 98) que traz esclarecimentos sobre o assunto.

“O eminente professor de psicologia e psiquiatria Emílio Mira Y Lópes afirmou que o medo, a ira, o amor e o dever são os quatro gigantes da alma, estudando cada um deles com rigor científico impressionante, valendo-se de sólidos estudos psicológicos, psicanalíticos e psiquiátricos para embasar e construir o livro sobre o assunto, modificando inclusive diversos dogmas freudianos até então vigentes, além de municiar o leitor com vários segredos de sua estratégia bélica, descrevendo algumas de suas batalhas mais frequentes.

Lamenta-se apenas que tanto Freud quanto Mira Y Lópes, embora escrevendo suas obras após o advento do Espiritismo, não se dignaram a examiná-lo com a devida atenção, porque então saberiam que existem mais  dois gigantes, o egoísmo e o orgulho. Desse modo, em vez de quatro, na verdade temos seis gigantes da alma: o medo, a ira, o amor, o dever, o egoísmo e o orgulho.

Mas tal lacuna não desmerece de todo a obra de Mira Y Lópes. Com efeito dela podemos tirar enorme proveito, sobretudo porque ele também admite que a máxima conhece-te a ti mesmo, gravada no frontispício do oráculo de Delfos e recomendada por Sócrates, é uma poderosa arma para enfrentar todos aqueles gigantes do Espírito”.

Ele também advertiu: “Dois grandes obstáculos, entretanto dificultam este autoconhecimento que Sócrates já reclamava como princípio de toda atuação: o primeiro deles consiste na própria proximidade, que dificulta enormemente todo intento introspectivo (do mesmo modo que quanto mais aproximamos um objeto de nossa vista pior o vemos); o segundo deriva das modificações constantes de nosso tônus vital – refletidas em nosso humor e em nossa autoconfiança – que nos levam atingir  sempre o autojuízo estimativo, dando-lhe uma exagerada coloração rósea ou um injustificado tom de obscuro pessimismo. De fato, o homem, depois de considerar-se o ‘ Rei da Criação’, passa, quase que sem meio-termo, a julgar-se  ‘simples barro’; umas vezes se considera como espírito ‘ próximo de Deus’ e outras como máquina de reflexos”.

Kardec, segundo Eliseu,  apresentou farto material sobre o orgulho e egoísmo – suas causas, seus efeitos e os meios de destruí-los. Vamos resumir:

A causa do orgulho está na crença, em que o homem se firma, da sua superioridade individual.

O egoísmo se origina do orgulho.

O egoísmo e o orgulho nascem de um sentimento natural: o instinto de conservação. Todos os instintos têm sua razão de ser e sua utilidade, porquanto Deus nada pode ter feito de inútil. Contido em justos limites, aquele sentimento é bom em si mesmo. O exagero é que o torna mau e pernicioso.

Muitas vezes o orgulho se desenvolve no médium à medida que cresce a sua faculdade. Essa lhe dá importância e ele acaba por sentir-se indispensável. A faculdade foi dada por Deus para o bem e não para vaidade e ambição. As consequências são drásticas para o médium imprudente.

O orgulho e o egoísmo serão sempre os vermes roedores de todas as instituições progressistas; enquanto dominarem, ruirão aos seus golpes os melhores sistemas sociais. Por isso devem ser atacados.

O Espiritismo é o mais poderoso elemento de moralização, pois mina pela base o egoísmo e o orgulho, facultando um ponto de apoio  à moral. As curas são ainda individuais e não raro parciais, mas um dia atingirá às massas ( primeira fonte de sua moralização). Não mais  esbarrando o progresso no egoísmo e no orgulho, as instituições se reformarão por si mesmas e avançaremos para os destinos que estão prometidos na Terra, esperando os do céu.

Vamos procurar desenvolver em nós os bons gigantes e enfraquecer os maus.

Maria Madalena Naufal (in memorian)

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