O Dr. Sérgio Felipe de Oliveira (R C de Espiritismo, número 18}, escrevendo sobre transplante, um dos assuntos tratados no auge da evolução das técnicas cirúrgicas, trás os seus pareceres para que entendamos do que se trata.

O perispírito, entidade colocada por Allan Kardec por ocasião da codificação da doutrina dos Espíritos, é definido como sendo o corpo do espírito, feita de substância etérea, condensação do fluido cósmico universal, ingrediente básico da estrutura da matéria.

Não se delimita a transição do corpo de carne para o perispírito, pois são ambos, na verdade, uma condensação do fluido cósmico, sendo em maior grau, no caso do corpo biológico, ou menor, no caso do corpo espiritual. A gradação entre eles é sutil, sem limites preciosos. Tal questão mostra o quanto as desavenças do espírito, que ficam registradas no perispírito, imediatamente se refletem no corpo biológico, gerando as chamadas  doenças psicossomáticas.

Assim sendo, sabendo que o espírito vai transferir sua individualidade única, retratando-a no corpo biológico e no perispírito, o transplante de órgãos, por mais necessário que seja, provocaria alterações metabólicas como nos perispirituais, com repercussões em cadeia para o espírito. No entanto, temos que ressaltar que tais repercussões metabólicas são contingências da necessidade inevitável do transplante do órgão.

Essas mesmas alterações, em graus diferentes, ocorrem sempre que corpos ou elementos estranhos ao nosso organismo são incorporados por ele. Existem condições que simulariam transplantes de órgãos ou tecidos, como a gravidez (onde células estranhas ao organismo materno são transportados para o útero), a ingestão de alimentos (órgãos vegetais ou animais são transplantados para o estômago e absorvidos pela circulação sanguínea), a transfusão de sangue (transplante de tecido vital) e o passe magnético (transplante de energias vitais do médium ou da espiritualidade para o receptor. Desta maneira, já convivemos rotineiramente com transplantes de órgãos ou tecidos, sem que nos afetemos com isso. Muito pelo contrário, quando existe boa intenção, amor, afeição, fraternidade etc, todas essas condições têm apenas beneficiado o homem em sua escalada evolutiva.

Os espíritas preocupam-se muito com as repercussões perispirituais dos transportes de órgãos, como por exemplos a amplificação  dos transplantes de coração, rins, fígado, córnea, medula óssea, entre outros e sua popularização  pelos diversos meios de comunicação. A transfusão sanguínea, que também é um transplante de tecidos, no entanto, não tem motivado a aversão dos espíritas.

Existem os limites de biotransformação do organismo e da habilidade  ou capacidade do espírito de promovê-la. O que determina a identidade, a impressão digital da célula são conjuntos protéicos da membrana celular chamados “antígenos de histocompatibilidade”. Eles se diferenciam de pessoa para pessoa e são responsáveis pela manutenção da individualidade do organismo, rejeitando as células que não possuem os mesmos antígenos.

Temos que utilizar medicamentos que reprimam a rejeição imunitária do receptor, bloqueando a não aceitação dos antígenos celulares do órgão doador. Com a ajuda dos medicamentos de um lado e, do outro, do influxo mental positivo do receptor, teremos uma dupla ação sobre o perispírito, obrigando-o à adaptação.

Esclarece o Dr. Sérgio que o Centro Espírita é um excelente lugar para alojar grupos de estímulo e apoio à doação de órgãos, Os espíritas têm o dever de oferecer esta contribuição  à sociedade. Aí está uma excelente tarefa.

Doar órgãos para transplantes é um ato de amor derradeiro do doador e de sua família.

Sônia Aparecida Ferranti Tola

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