Segundo Palhano Jr. materialização é o ato ou efeito de materializar (-se). O conhecido professor Hernani Guimarães Andrade, em seu livro “A Matéria Psi”, faz judiciosas ponderações a respeito deste verbete: “O vocábulo materialização pode sugerir a idéia de transformação da substância espiritual em substância material. Isso não parece certo. Na ectoplasmia não ocorre, nem materialização nem desmaterialização. O fenômeno em jogo tem as características da organização morfológica (modelação) de uma determinada substância material (o ectoplasma). No vocabulário espírita trata-se de um fenômeno de ectoplasmia (teleplastia), quando um ser ou objeto de outra dimensão (espiritual) tornar-se visível ou tangível, por condensação de substância sutil (ectoplasma) que se desprende do médium. A formação ectoplasmática dos Espíritos pode ser parcial (dedos, mãos, braços, rostos) ou total (corpo inteiro), com substância luminosa ou não. Sob o aspecto da tangibilidade, as formações ectoplasmáticas podem ser do tipo rarefeito, de pouca densidade, mais denso e opaco com bastante nitidez e denso com solidez e tangibilidade total.

Outro autor que se destacou no estudo das materializações foi o estudioso Pedro Granja. Na impossibilidade de descrever todos os casos narrados por ele, escolhi alguns.

São citados como clássicos o caso de Estela Livermoore e o de Katie King, embora dessemelhante pelas modalidades apresentadas. Eles constituem os mais admiráveis fatos desta espécie, sendo dignos de grande atenção, principalmente pela sua durabilidade excepcional.

Quando Estela, esposa de Charles Livermoore, sentiu que estava na beira da morte, no propósito de consolar o esposo, prometeu aparecer-lhe depois do óbito. Não acreditavam muito nessa possibilidade.   Mas a ideia servia de consolo.

Certa vez, Dr. John F. Gray, convidou Livermoore para ir à casa do médium Kate Fox. Ele foi, embora céptico.

O espírito semimaterializado de Estela, apoiou a cabeça nos ombros do marido, com os cabelos a lhe cobrirem parte do rosto. Permaneceu visível por meia hora, e ao passar diante de um espelho a imagem foi vista a refletir-se nele.

Durante seis anos, Livermoore assistiu a trezentas e oitenta e oito sessões.

O processo de materialização de Estela deu-se gradualmente de modo que só na quadragésima terceira vez ela estava em condições de se manifestar integralmente.

Katie King foi pesquisada pelo eminente físico, químico, astrônomo, médico e professor inglês William Crookes.

Ela nada se distinguia das pessoas vivas, a não ser pela facilidade com que se volatilizava na presença dos circunstantes.

O médium era a jovem Florence Cook, de dezesseis anos de idade. Baixa, franzina. Trigueira, de cabelos quase negros e de saúde delicada. Trajava quase sempre de preto.

katie era formosa, alta, de tez branca e cabelos loiros. Revelava tal independência do médium, prestando-se a ser fotografada quarenta vezes, além de passear pelo aposento ao braço de William Crookes, e, finalmente reunir em torno de si os filhos deste, entretendo-os com relatos de acontecimentos de sua última vida, porém breve e venturosa.

Katie, cujo nome na Terra era  Annie Owen Morgan, escreveu, com o Espírito materializado, cartas e dedicatórias  aos seus amigos.

Outro caso notável é o da célebre Nepenthès, espírito que se manifestou no correr de uma longa série de experiências especiais, em que interveio a mediunidade de Madame Elizabete d’ Esperance. Nele se verificou o famoso incidente  de grande valor teórico, qual o do espírito que, declarando-se contemporâneo da época heróica  da antiga Grécia, escrevia uma mensagem em grego clássico no canhenho de um dos experimentadores. O valor teórico de tal incidente avultava diante da feliz coincidência de ser o grego antigo ignorado por todos os assistentes.

No  Brasil também ocorreram materializações de Espíritos.

Em Belém do Pará as identidades de dois espíritos se estabeleceu com precisão: a de João, falecido parente da família Prado; a de Raquel Figner, reconhecida pelos seus pais e irmãs.

Felismino Carvalho Rebelo (pseudônimo João – antes de se descobrir quem ele era).

A sua primeira materialização deu-se em 28 de dezembro de 1919.

Na sessão de 4 de maio de 1920 , materializou-se Anita, que era de estatura regular,  quase alta para uma mulher, tipo cabocla, cabelos longos, vestida de blusa, saia, meia e sapatos brancos, sendo que seus passos não faziam ruído. A materialização durou meia hora. Anita trabalhava com João.

João e Anita materializaram-se por várias vezes.

As maravilhosas  materializações de Raquel Figner  foram contadas pela sua mãe, Ester. Ela estava acompanhada do esposo Frederico e uma outra filha.

Na sua primeira materialização (2 de maio de 1921) os gestos, o corpo, a forma, o vestidinho  acima do tornozelo, de mangas curtas e um pouco decotado eram de Raquel. Apresentou-se assim muito parecida, porém ficou distante de nós.

Chamou a atenção da mãe que vestia preto. Disse que era muito feliz.

Ao referir-se à roupa preta foi uma misericórdia e uma prova, pois eu sempre dizia que só tiraria a roupa preta se minha filha viesse em pessoa falar-me a esse respeito. E como tal aconteceu, deixei de usar o preto.

As manifestações de carinho entre Raquel e sua família foram comoventes.

Na segunda materialização (4 de maio de 1921) Raquel, apareceu em toda a perfeição de suas formas, tal qual fora, absolutamente reconhecível.

Na terceira manifestação (6 de maio de 1921) Raquel teve a surpresa de ver a mãe toda de branco. Ficou muito contente.

Além das materializações, ocorriam outros fenômenos interessantes, tendo a participação de João e Anita.

Segundo o pai, Raquel ficou duas horas e quarenta minutos materializada.

Pedro Granja assistiu materializações.

Vou citar o caso que teve o mais puro e sadio caráter científico e fez parte de uma série que o “Instituto de Pesquisas Metapsíquicas de São Paulo realizou.

Após as preces manifesta-se um Espírito que cumprimenta os assistentes.

É a entidade chamada Padre Zabeu Kauffman que ali está, e depois de conversar em voz direta com os mais íntimos pergunta se desejam vê-lo. Todos concordam.

A seguir vimos um ser que se movimentAgora vamos tratar de dois fatos muito importantes assistidos numa só reuniãoa e gesticula- perfeito, nítido, humano.

Ele se aproxima dos assistentes e o pudemos ver muito bem. São brancos os cabelos, expressão suave e beleza harmoniosa.

Retivemos entre as nossas as suas mãos. Pudemos examiná-las detalhadamente; eram mãos com toda a aparência de vida e de uma beleza e nitidez de formas impressionantes pela conformação perfeitíssima.

As vestes brancas, quando apalpadas em nada diferiam do tecido deste mundo. Vê-se um crucifixo tão real como outro. A cruz é de madeira preta e o Cristo de prata luzente.

Revela um espírito agudo e inteligente. Suas palavras são curtas e de profundo conteúdo. Diz que já sabe da experiência de que tomará parte. Ele sabe que sofre com os trabalhos, mas sabe também que está cumprindo uma missão, que ele espera dar frutos.

Agora vamos tratar de dois fatos muito importantes, assistidos numa só reunião: as materializações dos Espíritos de Maria Martins, mais conhecida por “Irmã Noiva” e de Teresinha Cavalcante.

Do lado demonstrativo, visto ser de data recente um deles é invulnerável – tanto mais que foi assistido pelos próprios pais do espírito materializado e que observaram o processo da manifestação em todas as fases decorrentes- excluindo-se daí as hipóteses anímicas, alucinatórias, teleplásticas e outras que poderiam ser apontadas, pois ficou demonstrada a existência objetiva, real e probatória do fenômeno.

A sessão decorreu da seguinte forma:

Em princípios de 1946, reunidas as pessoas da família Cavalcante e os demais convidados foram realizados os trabalhos em São Paulo. A médium era Elvira Goulard.

Após a prece de abertura um perfume suave percorria o ambiente e da cabine ouvia-se o farfalhar de seda amassada e sinais tiptológicos na parede, o que foi explicado como avisos que precedem a materialização do espírito de “Irmã Noiva”.

Pouco depois um reposteiro entreabriu-se deixando passar uma mulher esbelta e graciosa, vestida de branco.

Era a corporificação perfeita, integral do espírito de Maria Martins, mais conhecida por !rmã Noiva”, que foi atentamente observada pelos assistentes, conservando-se materializado por mais de quarenta e cinco minutos.

Trajava-se de noiva. O seu vestido era alvo como a neve. Velava-lhe os braços um comprido véu. Os seus cabelos eram negros.

Além de falar, também cantou. Tocava nas mãos e nas cabeças dos presentes, aos quais permitiu que lhe examinassem o véu.

Findo o tempo, despediu-se pela última vez, elevando a Deus uma fervorosa prece que muito sensibilizou.

Finda a materialização da irmã Noiva”, deu-se , sob a ação de luz fosforescente a materialização de Teresinha Cavalcante, que saudou os seus pais presentes à sessão, abraçando-os carinhosamente.

Depois Teresinha dirigiu-se a cada um dos assistentes e cumprimentou-os. Em vista de seu pai ter manifestado o desejo de abraçá-la, examiná-la, beijá-la, estreitá-la enfim contra o seu coração, a jovem mais do que isso aquiesceu: permitiu que lhe auscultasse o pulsar do coração e ou visse nele as vibrações de saudades, como se ainda estivesse encarnada.

Teresinha permaneceu por longo tempo  materializada, cantando trechos da “Ave Maria”, de Gounot.

Depois, exortou os presentes a seguirem com firmeza a doutrina de Jesus, prodigalizando—lhes palavras de carinho.

Ao representante da imprensa ofertou um ramalhete de flores naturais, que se achava  na sala, pedindo-lhe que transmitisse estas palavras textuais:

_ Diga a toda a gente que Teresinha é imensamente feliz”!

Se fôssemos narrar todas as materializações ocorridas (milhares e milhares) necessitaríamos de vários livros.

O articulista José Sola notou que, hoje em dia, os fenômenos das materializações- acontecem em menor escala e não apresentam marcantes momentos como os que vimos no passado.

Com o tempo, esses fenômenos estejam deixando, acredita ele, deixando de acontecer, pois sua finalidade foi chamar a atenção dos incrédulos e, principalmente dos cientistas, para a comprovação da imortalidade.

Com o passar do tempo, esses fenômenos foram perdendo sua finalidade primeira, a comprovação da imortalidade, e começaram a ser utilizados de forma banal, com o propósito de satisfazer a curiosidade. Assim, em vez de eles ajudarem o desenvolvimento da Doutrina Espírita, tornavam os espíritas ociosos, desinteressados pelo estudo. Os grupos que viviam esses fenômenos passavam a se sentir privilegiados, pois viam os espíritos, conversavam com eles diretamente  e pensavam não haver a necessidade do estudo. Não generaliza; temos aqueles que fogem à regra e que fazem desses fenômenos motivos de estudo.

Com conhecimento de causa, Sola que participou com amigos de experiências de materialização que não se modificaram moralmente em nada  e que acreditavam que as transgressões que mantinham não traz infelizes consequências. É claro que não é a materialização a responsável pela negligência das pessoas, mas sim a imaturidade dos homens.

Maria Madalena Naufal

 

FONTES

 

DICIONÁRIO DE FILOSOFIA ESPÍRITA – L. Palhano Jr. – Edições Celd;

AFINAL, QUEM SOMOS? – Pedro Granja – Edição Calvário;

ESPIRITISMO E CIÊNCIA ESPECIAL – GRANDES TEMAS DO ESPIRITISMO – número 57.

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