DISCUSSÃO ESPÍRITA

Como sempre, o nosso Odilon Fernandes escreve sobre mediunidade, trazendo esclarecimentos que nos remetem a reflexões profundas.

Temos lido discussões entre espíritas e não espíritas e entre os próprios espíritas que não levam a nada. O tema controverso continua controverso. Então para que discutir.

Odilon escreveu: “Não é tarefa do médium polemizar, fomentando discussões estéreis.

Intermediário entre os dois Planos da Vida, não lhe cabe impor o seu modo de crer a quem quer que seja, mesmo porque a fé é uma conquista individual.

O médium, digamos, estaria na condição de um artista que expõe à opinião pública a sua obra de arte, sem que, na maioria das vezes, ele próprio saiba explicar os detalhes de sua concepção.

Evidentemente, o médium não deve ter a pretensão de ser acreditado por todos..

Em outras palavras, diríamos que lhe cabe fornecer “material de discussão” em torno da vida e da morte, e não envolver-se em contendas que o desviariam de sua tarefa fundamental.

Ele não deve advogar em causa própria, como se estivesse ferrenhamente interessado em defender a autoridade dos fenômenos produzidos por seu intermédio.

Se assim agisse, ele estaria, no mínimo, faltando com a humildade necessária aos medianeiros bem intencionados.

Existem médiuns que querem colocar a Doutrina a serviço de suas faculdades mediúnicas, e não o contrário como deve ser.

Fazem da mediunidade um trampolim para as suas vaidades pessoais, embora se esforcem para aparentar que são simples…

O médium, quando age com sinceridade, não receia a crítica, recebendo-a na condição do aprendiz que deseja aprimorar-se valendo-se das observações que lhe são transmitidas.

Tanto quanto possível, o médium, consciente de suas responsabilidades com o Cristo, deve esquivar-se de demonstrações públicas de seus dons medianímicos.

É lamentável o medianeiro que aceita, com frequência, aparecer em programas de televisão, quase sempre tendenciosos, na vã tentativa de convencer os que confessam incrédulos…  Lamentável porque, expondo-se ao ridículo diante das câmaras, acabam por, se possível fora, ridicularizar a doutrina, da qual se fazem despreparados divulgadores.. Referimo-nos aqui a quantos se propõem a curar nos palcos dos teatros, e não aqueles que, corajosamente, enfrentam plateias imensas para dialogar em torno da filosofia espírita, esmerando-se por difundi-la nos padrões estabelecidos pelo Codificador.

O Espiritismo, no momento justo, triunfará, mais pelo exemplo do que pelas palavras de seus profitentes.

É em silêncio que a Doutrina tem se propagado de forma extraordinária!

A Verdade não precisa de estardalhaços para se estabelecer.

Que o médium, portanto, não se melindre, quando o seu trabalho for questionado.

Persevere na tarefa a que se consagra porque, se estiver com a razão, o tempo se encarregará de calar os seus opositores e a própria obra que executa haverá de sustentá-lo.

O médium sem cobertura doutrinária ou sem a retaguarda de um serviço assistencial que possa garanti-lo, dificilmente se desincumbe do seu dever com o
êxito desejado.

Em suas atividades “domésticas”, ou seja, no próprio grupo a que se encontra vinculado, o médium poderá fazer muito pela Causa que abraçou sem que necessite entristecer-se porque não pode fazer mais…

Que ele trate de fortalecer-se para as futuras tarefas, dentro do quadro das encarnações porvindouras quando, então, dependendo hoje do seu desempenho nas pequeninas tarefas, será naturalmente chamado a obrigações de maior envergadura espiritual”.

Os esclarecimentos, conselhos e advertências de Odilon devem ser levadas em conta por todos os espíritas, médiuns ostensivos ou não e pelos que se preparam para trabalhar em mesas mediúnicas. Existem, aliás, cursos de preparação mediúnica, tanto na Terra, como no plano espiritual. Como exemplo de curso desse tipo na Terra, cito o COEM (Centro de Orientação e Educação Mediúnica), e, no Mundo espiritual, o Liceu da Mediunidade, coordenado pelo Dr. Odilon, que conta com a colaboração de inúmeros instrutores da Vida Maior.

O COEM que eu e Madalena fizemos foi iniciado com quarenta alunos, mas terminou com apenas vinte, e desses nem todos perseveraram na prática mediúnica.

O médium para bem servir aos seus semelhantes deve sentir a necessidade de estudar para conhecer e de confiar para servir.

 

Sônia Aparecida Ferranti Tola

 

FONTES

 

               MEDIUNIDADE E CAMINHO – Odilon Fernandes, psicografia de Carlos A. Baccelli –Instituto de Difusão Espírita;

LJICEU DA MEDIUNIDADE – Paulino Garcia, psicografia de Carlos A. Baccelli – Editora e Gráfica Vitória.

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