CONSEQUENCIAS DAS MÁGOAS E DOS RESSENTIMENTOS

O corpo físico do homem padece, às vezes, de tumores perniciosos que precisam ser extirpados através de uma cirurgia.

Contudo, esclarece o doutor Victor Ronaldo Costa, “é preciso entender que o êxito decorrente de tal empreendimento só será definitivamente consolidado se, em obediência aos ditames da consciência, as mágoas e ressentimentos forem concomitantemente suprimidos através de cirurgia moral a ser realizada de forma intransferível e inadiável, por iniciativa da própria vontade. Se assim não acontecer, o foco espiritual gerador de desarmonias continuará a sua imperceptível e permanente ação deletéria, produzindo toxinas fluídicas realimentadoras do processo enfermiço. É como se o morbo fluídico retido na delicada trama eletromagnética da organização perispirítica permanecesse drenando para a equipagem física os fluidos de baixíssimo teor vibratório, a estimular o dinamismo da multiplicação desordenada das células na dependência exclusiva, do próprio estado de espírito da criatura.

Nos dias atuais encontra-se mais do que provado, pelos pesquisadores científicos, a ação maléfica exercida por alguns defeitos de personalidade no desenvolvimento de tumorações malignas. Um reduzido padrão vibracional da mente, pelo cultivo de um ressentimento interminável, exerce uma poderosa ação bloqueadora dos mecanismos defensivos do organismo físico deixando-o totalmente desguarnecido, em termos de defesa.

Portanto, há de se compreender o valor de uma postura mental equilibrada e da predisposição ao cultivo das virtudes evangélicas, sobejamente exemplificadas pelo Cristo.

O processo de conscientização dos reais valores da vida, ao qual todos devemos nos adaptar, serve de embasamento moral às iniciativas redentoras. Diante de uma ofensa recebida, dos desentendimentos decorrentes de um relacionamento conjugal estremecido, das desilusões sentimentais experimentadas e de outras contingências geradoras de mágoas recorramos inicialmente ao concurso da prece, a fim de nos mantermos em relativo estado de equilíbrio psíquico sem nos deixar arrastar, imprevidentemente, pelo torvelinho das emoções descontroladas.

O recurso da prece é terapêutica emergencial capaz de nos auxiliar na manutenção da vigilância necessária para que não raciocinemos egoisticamente, supervalorizando nossas desditas. O esforço dispendido no ato da oração promove na intimidade do ser significativas alterações no campo consciencial, não perceptíveis através dos sentidos, porém promotoras da elevação da frequência vibratória mental, o que, de certa forma, permite a livre circulação das correntes vitais responsáveis pela estimulação adequada do sistema imunológico defensivo.

Desde as mais priscas eras, este sutil mecanismo higienizador da mente tem sido valorizado pelos sábios e sacerdotes vinculados às religiões iniciáticas voltadas para o bem da espécie humana. Não era à toa que o pórtico do Templo de Delfos na Antiga Grécia ostentava a célebre frase “Conhece-te a ti mesmo”, demonstrando a preocupação dos velhos filósofos com a necessidade desse mergulho profundo na intimidade da própria Alma, na incessante busca da essência moral que adorna o espírito.

O estado de auto-intoxicação fluídica decorre, em grande número de casos, de uma viciação mental, alimentada por um período de tempo mais prolongado. A curtição de um sentimento duradouro gera verdadeira corrente mental desgastante e enfermiça, a circular em torno do fulcro consciencial, acabando por fixar-se nas entranhas do perispírito, constituindo-se na matriz energética de múltiplas desarmonias psicofísicas.

A mágoa persistentemente alimentada mantém uma estreita e perigosa relação com as neoplasias malignas, porquanto as vibrações geradas e conduzidas em regime de circuito fechado suprimem os fatores imunológicos antitumorais. Daí o porquê de na atualidade os pesquisadores valorizarem os métodos psicológicos que visam reprogramações mentais, de tal sorte que os pensamentos enfermiços possam ser substituídos por clichês mentais harmônicos e significativos para o bem estar e o progresso do espírito imortal. De certa forma, as atuais preocupações da Medicina Psicossomática, valorizando os mais elevados padrões de higiene mental, condizem perfeitamente com as pregações do Mestre Jesus que nos aconselhava, desde há quase dois mil anos, a amar ao próximo e a perdoar incondicionalmente, setenta vezes sete, a qualquer maldade praticada contra a nossa pessoa. Se antes esses conselhos mais pareciam atitudes simplistas integrantes do contexto da Boa-Nova, hoje bem sabemos que eles revelam um alto teor de sabedoria, pois naquela época ninguém imaginaria que o rancor, o ódio ou a mágoa fossem apontados como fatores desencadeantes de enfermidades mais críticas.

Daí admitirmos a proximidade do tempo em que a Medicina Clássica, melhor conhecendo as sutis relações entre a mente e o corpo, defrontar-se-á com as verdades perenes do Evangelho de Jesus, reafirmando o perdão como lídima atitude científica a ser mobilizada diante da mágoa, pois além de evitar as degenerações neoplásicas, o perdão é um dos mais valiosos instrumentos de evolução espiritual”.

Não foi à toa que Allan Kardec escreveu: “ Na prática do perdão, como, em geral, na do bem, não há somente um efeito moral: há também um efeito material”.

O Espírito Danti também traz comentários sobre o assunto. Escreveu ele:

“Os excessos geram os vícios e os vícios comprometem nossas ações.

As ações influem em nosso campo mental e do equilíbrio da mente depende a saúde. Nossos atos se traduzem em princípios que se avolumam e interferem em nosso viver.

Pequenas doses de ácidos colaboram com a digestão. A homeopatia busca nos curar com doses infinitesimais de venenos. E assim, as pequeninas coisas vão se interferindo na nossa vida, produzindo algo de bom ou de ruim, conforme o nosso entendimento de agir.

É fato comum ao homem preocupar-se com seu bem-estar ou manter seu físico forte. Mas o corpo é um aparelho delicado e sensível, sujeito a variações no seu funcionamento, de acordo com o comando da mente e o nosso estado mental, será a consequência das nossas ações.

Diante do Código Divino, como nos recomenda o Cristo, os nossos atos devem ser medidos e reconsiderados.

Os atos são os investimentos que fazem parte da nossa bagagem mental, e da qualidade destes investimentos depende a garantia do nosso bem-estar e paz para a nossa consciência.

O mau uso de nossas forças mentais, a negligência diante dos  nossos deveres afeta-nos o campo da mente. Do nosso modo de pensar depende o equilíbrio da nossa mente.

Mentalizando quadros negativos ou acontecimentos doentios, estaremos desajustando nossas emissões mentais. A mente desajustada gera pensamentos negativos e os pensamentos negativos condicionam as nossas ações.

Da paz interior depende o equilíbrio mental e deste, como consequência, a nossa saúde. As ações negativas criam os vícios da mente, influenciam nossos atos, e com falta de vigilância, este círculo vicioso vai se avolumando, qual bola rolando sobre a nevasca.

Buscando praticar somente as boas ações, estaremos zelando pelo nosso bem- estar e construindo o lastro necessário para que sejamos felizes.

O tempo que gastamos com as futilidades da vida material ou preocupando-nos com coisas negativas, será o mesmo de que dispomos para usar na prática das boas ações. Tudo o que a vida nos oferece é válido para o nosso uso, mas é necessário que gozemos a vida com bom senso.

A felicidade depende em fazer os outros felizes. De nosso despreocupado modo de agir poderão resultar pesadas consequências.

O uso irrefletido da razão nos leva a cultivar os maus costumes. E os maus costumes geram os vícios.

Viver bem é uma ciência. As boas ações só partem de quem tem a mente equilibrada, e os atos, quando medidos pela luz do raciocínio, iluminarão a consciência com a luz do Evangelho.

Orai e vigiai, nos recomenda o Mestre. Com esta recomendação Ele quer que entendamos a necessidade de vigiarmos a nossa mente.

A mente será sã se o corpo for são e a sanidade física está condicionada à sanidade da mente”.

Preservemos sempre o nosso corpo físico e o nosso corpo espiritual das mágoas, ressentimentos, ódios, rancores, vícios e outras mazelas que só nos prejudicam e nos afastam do caminho do bem.

 

Maria Madalena Naufal

 

FONTES

 

REVISTA INTERNACIONAL DE ESPIRITISMO – Artigo: Mágoas e ressentimentos: Agentes geradores de neoplasias, de Vitor Ronaldo Costa – fevereiro de 1996- Casa Editora O Clarim;

RECADOS DO OUTRO MUNDO – pelo espírito de Danti, psicografia de Maria Amélia- Edições Culturesp Ltda. Mensagem: Mente sã, corpo são.

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