Muitos seres humanos assumem compromissos perante a Espiritualidade antes de reencarnar, mas cumprem apenas em parte ou, simplesmente, não cumprem. Podemos citar alguns exemplos: um casal vem com o compromisso de ter um determinado número de filhos, mas para após dois ou três, alegando muitos problemas. As trompas são seccionadas e amarradas, deixando a mulher estéril. O caminho dos nascimentos é, portanto, fechado. O casal sente alívio. A decisão faz os benfeitores espirituais lamentarem, pois muito trabalho lhes custou junto ao casal, que adia para futuro incerto experiências absolutamente necessárias à própria edificação.

Outro grave problema para os humanos é o da mediunidade perdida. A mediunidade, que alguns enxergam como privilégio, nada mais é do que instrumento de trabalho, que deve ser usado muito bem. Orando, vigiando e dotado de boa vontade, o médium pode fazer muito por si mesmo e pelo próximo. Muitos levam uma existência sacrificial para cumprir a sua missão na Terra. Esquecem-se de si mesmos para servir com abnegação, humildade e amor. Temos muitos exemplos do bom uso da mediunidade, tanto no Espiritismo como fora dele, pois ela  aparece no seio de todas as outras religiões, no de todas as camadas sociais, entre ricos e entre pobres, entre crentes e descrentes, entre letrados e iletrados.. A mediunidade não depende do Espiritismo, mas ele a usa porque é um meio de comunicação; ela serve para que duas esferas, ou se preferirem, dois mundos se comuniquem entre si: o mundo ou esfera material habitado por nós e o mundo ou esfera espiritual habitado pelos espíritos.

É errado supor que o Espiritismo inventou a mediunidade, A mediunidade sempre existiu, uma vez que sempre existiram as duas esferas.

Como sabemos, as pessoas que usam a mediunidade chamam-se médiuns.

O conhecimento espírita é muito importante, tanto para médiuns ostensivos, como para os outros (em muitos a mediunidade é quase imperceptível) . No dizer do nosso grande escritor Richard Simonetti “O conhecimento espírita é bênção de esclarecimento e orientação, amenizando as agruras da jornada humana e estimulando-nos à movimentação pelo solo da fraternidade, onde colhemos abençoadas flores de Esperança e frutos dadivosos de trabalho enobrecedor.

Mas representa, também, intransferível acréscimo de responsabilidade no campo do aprimoramento individual, partindo do princípio evangélico de que muito será solicitado àquele que muito recebeu”.

Todos temos fraquezas no nosso atual grau evolutivo, mas temos que nos esforçar para combatê-las. A gula, a sexolatria, o uso do fumo, do álcool, das drogas, a irritação, a maledicência e demais desregramentos só trazem para nós consequências  drásticas, como, por exemplos, o tormento e a dor.

Os caminhos do aprimoramento espiritual não são fáceis. Sabemos disso. Mas sabemos também que temos que trilhá-los para construir uma existência melhor e nos tornar-mos, realmente, discípulos do Mestre querido.

Joanna de Ângelis traz o seu contributo para o assunto, esclarecendo:

“Mais difundido o exercício da mediunidade através das comunicações dos desencarnados com os encarnados, tal faculdade se faz a porta por meio da qual se abrem os horizontes da imortalidade, propiciando amplas possibilidades para positivar a indestrutibilidade da vida, não obstante o desgaste da transitória indumentária fisiológica.

Natural, aparece espontaneamente, mediante constrição segura, na qual os desencarnados de tal ou qual estágio evolutivo convocam a necessária observância de suas leis, conduzindo o instrumento mediúnico a precioso labor por cujos serviços adquire vasto patrimônio de equilíbrio e iluminação, resgatando, simultaneamente, os compromissos negativos a que se encontra enleado desde vidas anteriores.

Outras vezes surge, como impositivo provacional mediante o qual é possível mais ampla libertação do próprio médium, que, em dilatando o exercício da nobilitação a que se dedica, granjeia consideração a títulos de benemerência que lhe conferem paz.

Sem dúvida, poderoso instrumento pode converter-se em lamentável fator de perturbação, tendo em vista o nível espiritual e moral daquele que se encontra investido de tal recurso.

Não é uma faculdade portadora de requisitos morais. A moralização do médium libera-o da influência dos Espíritos inferiores e perversos, que se sentem, então, impossibilitados de maior predomínio por faltarem os vínculos para a necessária sintonia. Por isso, sendo um inato recurso do espírito, reponta em qualquer meio e em todo indivíduo, aprimorando-se ou se convertendo em motivo de perturbação ou enfermidade, de acordo com a direção que se lhe dê.

Em todos os tempos a mediunidade revelou ao homem a existência do Mundo Espiritual, donde todos procedemos e para onde, após o fenômeno da morte, todos retornamos.

Nos períodos mais primitivos da cultura ética da Humanidade, a mediunidade exerceu preponderante influência, porquanto, através dos sensitivos, nominados como feiticeiros. Magos, adivinhos e mais tarde oráculos, pítons, taumaturgos, todos médiuns, contribuindo decisivamente na formação do clã, da tribo ou da comunidade em desenvolvimento, revelando preciosas lições que fomentavam o crescimento do grupo social, impulsionando-o na direção do progresso.

Nem sempre, porém, eram bons os Espíritos que produziam os fenômenos, o que redundava, por sua vez, demorados estágios na barbárie do primitivismo dos que lhes prestavam culto…

À medida que os conceitos culturais e éticos evoluíam, a mediunidade experimentou diferente compreensão.

Nos círculos mais adiantados das civilizações orientais e logo depois greco-romana, a faculdade mediúnica lobrigou relevante projeção, merecendo considerável destaque nas diversas comunidades do passado.

No entanto com Jesus, o Excelso Médium de Deus, que favoreceu largamente o intercâmbio entre os dois mundos em litígio: o espiritual e o matéria, foi que a mediunidade recebeu o selo da mansidão e a diretriz do amor, a fim de se transformar em luminosa ponte, através da qual passaram a transitar os viandantes do corpo na direção da Vida abundante e os Imortais retornando à Terra, em abundante permuta de informações preciosas e inspiração sublime”.

O Cristianismo nos seus primeiros séculos se fez um hino de respeito e exaltação à imortalidade. Os vários discípulos, encarregados de reacenderem as claridades da fé, tornaram a mediunidade um fonte inesgotável que supria a sede tormentosa dos séculos, trazendo a “água viva” da Espiritualidade enquanto ardia o fogo da inquietação e do despotismo destruindo esperanças e pervertendo ideais.

Os médiuns passaram por duro cativeiro, então, e foram perseguidos (com raras exceções). Os perseguidores foram motivados por ignorância ou má fé.

Hoje a mediunidade, graças ao Espiritismo, abandonou as ficções, os florilégios do sobrenatural e do miraculoso, recebendo das modernas ciências psíquicas, psicológicas e também parapsicológicas o respeito e o estudo que lhes aumentam os meios, contribuindo com valiosos recursos de que a Psiquiatria e outros ramos podem usar para solucionar problemas de toda ordem que afligem a nossa sociedade.

Exercitemos a mediunidade com Jesus, em nome da caridade, convertendo-nos em verdadeiros celeiros de bênçãos.

Jamais devemos abandonar os compromissos assumidos com a Espiritualidade Maior.

Sônia Aparecida Ferranti Tola

FONTES

ESTUDOS ESPÍRITAS – pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco – FEB;

O ESPIRITISMO APLICADO – Eliseu Rigonatti – Editora Pensamento;

ATRAVESSANDO A RUA – Richard Simonetti – Instituto de Difusão Espírita.

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