A ESCRITURA DO EVANGELHO

Humberto de Campos, o Irmão X, escreve obras espíritas estupendas. Entre elas “Luz Acima”, psicografada por Francisco Cândido Xavier (FEB).

Os textos apresentados são interessantes e trazem ensinamentos sublimes.

Não sei se Humberto de Campos consultou os registros akáshicos ou escreveu por inspiração.

Jesus costumava dialogar com os Seus Apóstolos. Desses diálogos podemos extrair orientações para a nossa vida.

O capítulo 45, denominado A Escritura do Evangelho, é muito elucidativo:

“Quando Jesus recomendou a pregação da Boa Nova, em diversos rumos, reuniu-se o pequeno colégio apostólico, em torno dEle, na humilde residência de Pedro, onde choveram as perguntas no inquérito afetuoso.

_ Mestre – disse Filipe, ponderado -, se os maus nos impedirem os passos, que faremos? Caber-nos-á recurso à autoridade punitiva?

_ Nossa missão – replicou Jesus, pensativo – destina-se a converter maldade em bondade, sombra em luz. Ainda que semelhante transformação nos custe sacrifício e tempo, o programa não pode ser outro.

_ Mas… obtemperou Tomé – e se formos atacados por criminosos?

_ Mesmo assim – confirmou o Cristo -, nosso ministério é de redenção, perdoando e amando sempre. Persistindo no bem, atingiremos a vitória final.

_ Senhor – objetou Tiago, filho de Alfeu -, se interpelados pelos fariseus, amantes da Lei, que diretrizes tomaremos? São eles depositários de sagrados textos, com que justificam habilmente a orgulhosa conduta que adotam. São arguciosos e discutidores. Dizem-se herdeiros dos profetas. Como agir, se o Novo Reino determina a fraternidade, isenta da tirania?

_ Ainda aí – explicou o Messias Nazareno – cabe-nos testemunhar as ideias novas. Consagraremos a Lei de Moisés com o nosso respeito. Contudo, renovar-lhe-emos o sentido sublime, tal qual a semente que se desdobra em frutos abençoados. A justiça constituirá a raiz de nosso trabalho terrestre. Todavia, só o espírito de sacrifício garantir-nos-á a colheita.

Verificando-se ligeira pausa, Tadeu, que se impressionara vivamente com a resposta, acrescentou:

_ E se os casuístas nos confundirem?

_ Rogaremos a inspiração divina para a nossa expressão humana.

_ Mas, que sucederá se o nosso entendimento permanecer obscuro, a ponto de não conseguirmos registrar o socorro do Alto? – Insistiu o apóstolo.

Esclareceu Jesus, sorridente:

_ Será então necessário purificar o vaso do coração, esperando a claridade de cima.

Nesse ponto, André interferiu, perguntando:

_ Mestre, em nossa pregação, chamaremos indistintamente as criaturas?

_ Ajudaremos a todos, sem exigências – respondeu o Salvador, com significativa inflexão na voz.

_ Senhor – interrogou Simão precavido -, temos boa-vontade, mas somos também fracos pecadores. E se cairmos na estrada? E se, muitas vezes, ouvirmos as sugestões do mal, despertando, depois, nas teias do remorso?

_ Pedro – retrucou o Divino Amigo -, levantar e prosseguir é o remédio.

_ No entanto – teimou o pescador -, e se a nossa queda for tão desastrosa que impossibilite o reerguimento imediato?

_ Rearticularemos os braços desconjuntados, remendaremos o coração em frangalhos e louvaremos o Pai pelas proveitosas lições que houvermos recolhido, seguindo adiante…

_ E se os demônios nos atacarem? – interrogou João, de olhos límpidos.

_ Atraí-los-emos à glória do trabalho pacífico.

_ Se nos odiarem e perseguirem? – comentou Tiago, filho de Zebedeu.

_ Serão amparados por nós, no asilo do amor e da oração.

_ E se esses inimigos poderosos e inteligentes nos destruírem? – inquiriu o filho de Kerioth.

_ O espírito é imortal – elucidou Jesus, calmamente – e a justiça enraíza-se em toda a parte.

Foi então que Levi, homem prático e habituado à estatística, observou, prudente:

_ Senhor, o fariseu lê o Torá, baseando-se nas suas instruções; o saduceu possui rolos preciosos a que recorre na propaganda dos princípios que abraça; o gentio, sustentando as suas escolas, conta com milhares de pergaminhos, arquivando pensamentos e convicções dos filósofos gregos e persas, egípcios e romanos… E nós? A que documentos recorreremos? Que material mobilizaremos para ensinar em nome do Pai Sábio e Misericordioso?!…

O Mestre meditou longamente e falou:

_ Usaremos a palavra, quando for necessário, sabendo porém que o verbo degradado estabelece o domínio das perturbações e das trevas. Valer-nos-emos dos caracteres escritos na extensão do Reino do Céu. No entanto, não ignoraremos que as praças do mundo exibem numerosos escribas de túnicas compridas, cujo pensamento escuro fortalece o império da incompreensão e da sombra. Utilizaremos, pois, todos os recursos humanos, no apostolado, entendendo contudo, que o material precioso de exposição da Boa Nova reside em nós mesmos. O próximo consultará a mensagem do Pai em nossa própria vida, através de nossos atos e palavras, resoluções e atitudes…

Pousando a destra no peito, acentuou:

_ A escritura divina do Evangelho é o próprio coração do discípulo.

Os doze companheiros entreolharam-se, admirados, e o silêncio caiu entre eles, enquanto as água cristalinas, não longe, refletiam o céu imensamente azul, cortado de brisas vespertinas que anunciavam as primeiras visões da noite…”

A frase mais impressionante e que resume todo o capítulo é “A escritura divina do Evangelho é o próprio coração do discípulo”. Abramos, portanto, o nosso coração e recolhamos nele as palavras do Divino Amigo, Mestre Incomparável, sabendo que são também para nós.

 

Maria Madalena Naufal

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