A CASA DO CORAÇÃO

Clóvis Tavares, grande autor e tradutor brasileiro, deixou-nos belíssimas páginas, que muito nos ensinam e nos fazem refletir.

Na sua obra “DE JESUS PARA OS QUE SOFREM” (IDE) a dedicatória chamou a minha atenção:

“Estas páginas singelas são dedicadas aos que sofrem e confiam no Divino Poder que nos rege e também aos que sofrem e ainda não conhecem O SENHOR.

               Que ELE nos abençoe!”

A crônica cujo nome aparece acima mostra que Espíritos Sábios e Benevolentes ou filósofos do nosso planeta, altas vozes das antiquíssimas culturas do mundo ou singelas expressões da sabedoria do povo, tanto quanto o espírito e a essência dos ensinos do evangelho, tudo e todos nos falam que nossos sentimentos e emoções são instáveis.

Essa instabilidade é sinal da nossa imperfeição, testemunho claro de nossa imaturidade espiritual.

No Evangelho de Marcos, 9:24 lemos a tragédia de um pobre coração paterno, a pedir em lágrimas a Jesus: “Eu creio, Senhor! Ajuda a minha incredulidade!” E Jesus ajudou. Essa tragédia é também nossa e não poucas vezes.

É muito triste, mas é assim: somos e não somos, cremos e não cremos, amamos e não amamos, numa dolorosa ou apática antimonia de nossa alma.

É aquela “personalidade oscilante” de que nos fala Pietro Ubaldi, grande escritor ítalo-brasileiro, autor de vários livros (entre eles A Grande Síntese), ao estudar esse instável desequilíbrio de nossa natureza psíquica.

Agimos, sentimos, criamos hábitos e forjamos caracteres- conduzindo-nos a destinos felizes ou infelizes- tipificam aquela verdadeira reação em cadeia das lições do grande Sidarta Gautama (século VI),  Buda, o Iluminado.

Essas imponderáveis forças da alma são filhas dos milenários e desconhecidos impulsos da subconsciência, a emergirem dos porões – as mais das vezes verdadeiramente infernais – do nosso remotíssimo passado.

Considerando essa fenda de nossa vida espiritual, nossos sábios instrutores, em todos os tempos, têm assinalado a necessidade de buscarmos o equilíbrio do coração e o discernimento do espírito.

Isto quer dizer que temos urgência de promovermos ou apressarmos, voluntária e conscientemente nosso processo de maturação psíquica. Como se, com o espírito lúcido, tomássemos o volante de nossa própria evolução, atendendo aos sinais vermelhos ou verdes da estrada da vida.

Isso seria, segundo um benfeitor espiritual – evolução dirigida. É a sábia lição de Kelvin Van Dine: “Expressa o máximo escopo da existência a evolução espiritual que desponta da vivência evangélica. Evolução dirigida, porquanto a lida cotidiana pode transitar sob os ensinamentos de Jesus, ao modo de carro em rodovia tecnicamente edificada, Para evitar acidentes e atropelos, basta obedecer aos sinais estabelecidos.” – Técnica de viver, psicografada por Waldo Vieira- Ed. CEC.

O importante é vencer os estágios de desequilíbrio, num máximo esforço de concordância com as normas da Lei Divina.

O desconcerto da vida interior- fase de desequilíbrio, nos leva ao sofrimento retificador, moral ou mesmo físico. Isso se passa em nosso mundo psíquico é também verdadeiro em todos os segmentos da vida na face da Terra: no ambiente familiar ou religioso, nas estruturas políticas, sociais ou econômicas.

Todos os desequilíbrios que atingem a balança da retidão interna, são, sem dúvida alguma, geratrizes de sofrimento – sempre saneadores – mas muito amargos, São eles: excessos de toda ordem, condutas sinuosas, ciladas ou ardis em busca de bastardos prazeres, corrupções, ofensas à dignidade alheia, etc.

Em Lucas, 2: 19 lemos: “Maria guardava todas essas coisas, meditando-as em seu coração.” À sua semelhança, embora noutro sentido – não de doces lembranças, mas de cuidada vigilância – pensemos nessas coisas, meditando-as em nossos corações.

Sônia Aparecida Ferranti Tola

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