RETROCOGNIÇÃO

Assim como se pode ver o futuro, é possível também se ter imagens de fatos passados desconhecidos do vidente. Esse fenômeno é conhecido pelo nome de retrocognição.

João Teixeira de Paula o define desse modo- (de retro+ cognição). Conhecimento do passado através da Clarividência ou do estado de Lucidez.

Para Palhano Jr. também é o conhecimento psíquico de coisas do passado. É o mesmo que Psicoscopia psicométrica retrocognitiva.

No Dicionário do Inexplicado encontramos: O conhecimento de eventos passados através de meios que escapam à normalidade.

Um tipo especial de retrocognição é a psicometria (sobre a qual já escrevi um artigo publicado no nosso Blog “Caminheiros da Luz”), através da qual é possível reconstruir fatos decorridos no passado longínquo ou recente, a partir de um objeto que fazia parte do evento original que se pesquisa.

Um dos casos mais interessantes que se conhece é o de Maria Reyes de Zierold, uma senhora mexicana, filha de um general-de-divisão. Descobriu ser possuidora da faculdade de retrocognição após um tratamento hipnótico.

Em setembro de 1918 Maria começou a apresentar uma grave insônia, a qual não lhe permitia dormir mais do que 45 minutos por noite, apesar dos variados medicamentos que o médico lhe receitava.

A insônia era acompanhada de fortes dores de estômago. Antes de submeter a paciente a uma cirurgia, o médico resolveu tentar a hipnose sugestiva. Com esse tratamento Maria começou a melhorar, mas, durante uma sessão, ela constatou que, apesar de ter os olhos fechados, conseguia ver sua filha mais velha em pé, atrás da sala onde se encontrava. Ficou muito agitada porque não queria que a filha a visse enquanto estava sob influência hipnótica, fato que chamou a atenção do médico, uma vez que a jovem estava realmente no lugar que a mãe indicara.

Depois dessa experiência, Maria desenvolveu a faculdade da psicometria, conseguindo descobrir a procedência de objetos que segurava em suas mãos. Ela via também com nitidez os acontecimentos e o meio ambiente relacionados àqueles objetos.

Maria ficava em estado cataléptico, com todos os seus sentidos suspensos, exatamente dois minutos depois que a ponta de seus dedos tocava no objeto, ela só ouvia a voz do hipnotizador, mas, numa íntima e misteriosa fusão, se identificava com objetos que não conhecia.

Nas pesquisas feitas com a paciente, ela se revelou capaz até mesmo de descobrir a procedência de objetos sem tocá-los. O objeto não era escolhido com antecedência e, em várias experiências, havia objetos na sala, todos eles encerrados em invólucros opacos. Todos esses cuidados tinham por objetivo evitar possíveis mensagens telepáticas, da intervenção da clarividência ou até mesmo da sugestão. Em seguida o pesquisador escolhia um objeto e perguntava a Maria onde ele fora encontrado, a que horas, em qual estação do ano, sob qual temperatura, etc. Depois mandava que ela observasse o meio ambiente em que ele se encontrava originalmente, e o descrevesse. Seus acertos comprovaram que ela possuía realmente a faculdade de psicometria.

Sônia Aparecida Ferranti Tola, que faz parte da minha equipe, é portadora de várias faculdades anímicas e mediúnicas, entre elas a de premonição, mostrou-me que também apresentava a de retrocognição. Descreveu como Santa Rita de Cássia foi parar dentro do convento, que já havia recusado a sua entrada várias vezes. O fato é considerado um milagre. Mas, como espíritas sabemos que tudo o que ocorre é natural, pois obedece a leis emanadas do Criador.

Essa retrocognição ocorreu a 6 de agosto de 1909, sendo complementada no dia 14 do mesmo mês.

Na ocasião resolvi escrever a vida de Santa Rita e esclarecer o fenômeno com ela ocorrido há vários séculos. Rita nasceu em 1381 e desencarnou em 1457. Recebi de fontes diversas a narrativa da vida da santa, sem as pedir. Escrevi, então, para o Blog o artigo Marguerita, a Luz de Cássia. Nele esclareci que o portão e a porta do convento foram desmaterializados e ela colocada dentro dele pelos seus protetores. O aporte é um fenômeno bastante conhecido hoje e estudado. Eu mesma já presenciei muitos aportes e asportes.

Na ocasião que escrevi o artigo, Sônia pediu-me para não por o seu nome. Agora permitiu e por isso revelei o nome da médium.

Peço aos leitores para que leiam ou releiam o artigo que citei, para melhor entendimento do fenômeno.

Uma extraordinária médium de retrocognição foi a escritora Yvonne A. Pereira. Conta-nos nas suas obras muitos casos com ela ocorridos. Via as cenas como se estivessem ocorrendo no momento. Vou narrar apenas alguns casos.

“Apresentada, certa vez, a um jovem cego, cujo rosto e mãos eram desagradavelmente maculados de manchas brancas, naturais, como queimaduras, lemos, de súbito, em sua “aura” (e como que vimos a vida pretérita em torno dele), o seu terrível passado de inquisidor espanhol, que perfurara os olhos dos condenados e os queimara em ferro e brasa. Duas das manchas, que se espalhavam pelo rosto desse jovem, abrangiam os olhos, como sinal indelével do peso que oprimia a sua consciência de Espírito sinceramente arrependido, que se reabilitava através da Dor, sob o amparo do Consolador”.

Interessante esclarecer que idêntico fenômeno ocorreu com o médium Francisco Cândido Xavier, ao ser apresentado ao jovem, no dia imediato, sem que ele e Yvonne se tivessem visto e trocado idéias a respeito.

Quando Yvonne visitava localidades antigas, desenhava-se o passado das mesmas às suas percepções mediúnicas. “Na cidade de São João Del-Rei, em Minas Gerais, era frequente vermos, mesmo à luz do sol, cenas antigas até pelas ruas: séquitos de antigas damas, que se dirigiam às missas, em “cadeirinhas” carregadas por escravos; procissões do “Santíssimo Sacramento”, vibrando campanhias, destacando-se uma espécie de guarda-sol muito amplo, em cores vivas, sob cujas sombras marchava o sacerdote com o Viático, a fim de levar a extrema-unção a moribundos. Aquela cidade mineira conserva em sua “ambiência metaetérica” cenas tão perfeitas e lógicas, do tempo do Brasil-Colônia e dos dois Impérios, que seria possível a um médium dotado da faculdade psicométrica, bastante desenvolvida, descrever episódios que resultariam em sugestivas informações históricas. Detalhe significativo: existem cenas que, melhor do que outras se fixam na dita ambiência. As melhores que temos observado datam de séculos…

E, numa localidade da Zona da Mata, ainda em Minas Gerais, passeando, numa propriedade rural, por um vale extenso, marchetado de flores silvestres, de “lírios do brejo” muito alvos e perfumados, e onde se assentava a estrada real e serpenteava um minúsculo ribeiro, o qual se alongava pelo horizonte a fora, tornou-se-nos visível, repentinamente, um rio caudaloso, no mesmo local por onde caminhávamos, do qual soprava a mesma aragem que no momento sentíamos, estendendo-se para além, em sinuosidades idênticas à do ribeirinho. Mais tarde, engenheiros que o mesmo local visitaram, a serviço do Governo, após exames demorados concluíram que, há uns quatro ou cinco séculos, aquele pequeno ribeiro seria caudaloso rio, cuja passagem por aquele vale o fertilizara tanto que ainda hoje toda a região é rica de humo, própria à produção de cereais, que parecem explodir do seio da terra, sob as bênçãos do próprio Céu…

Oh! Que estranhos poderes existem latentes nos arcanos da nossa personalidade espiritual, para que os segredos que os séculos guardaram nos sejam assim revelados?…”

Estudemos nossas almas, oriundas do Céu, buscando conhecê-las em todas as suas possibilidades, com o propósito de cultivarmos suas poderosas possibilidades. Quantas mediunidades se perdem por falta de uso e que poderiam ajudar muitos irmãos necessitados. Felizes os médiuns que cumprem o que prometeram antes dos seus respectivos reencarnes, com incomensurável amor, mas muitas vezes com sacrifícios inauditos.

 

Maria Madalena Naufal

 

FONTES

 

               ENCICLOPEDIA DE PARAPSICOLOGIA, METAPSÍQUICA E ESPIRITISMO – João Teixeira de Paula – Volume III- Cultural Brasil Editora Ltda;

               DICIONÁRIO DE FILOSOFIA ESPÍRITA – L. Palhano Jr. – Edição do Centro Espírita Léon Denis;

DEVASSANDO O INVISÍVEL – Yvonne A. Pereira – Federação Espírita Brasileira;

REVISTA PARAPSICOLOGIA, Nº 1 – Editora Três;

REVISTA DICIONÁRIO DO INEXPLICADO – Número 133-A – Editora Três.

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