A RAÇA ADÂMICA E A EVOLUÇÃO

Leiam os leitores o primeiro livro do Antigo Testamento. Ele apresenta a criação do mundo, do primeiro homem, da primeira mulher e dos seus descendentes (Gênesis). É uma alegoria com várias passagens incoerentes.

Temos que analisar os dados apresentados, à luz do Espiritismo. Vamos nos servir do médium Divaldo Pereira Franco para os esclarecimentos necessários:

  • Nas Escrituras fala-se de Adão. De onde ele veio para reencarnar?

Para nós, o conceito de Adão, não é da encarnação de um homem, mas de uma raça, como aliás a própria Teologia moderna o concebe. Depois do segundo Concílio Vaticano, a Teologia católica deu maior elasticidade ao conceito de Adão e Eva. Não se tratariam, obviamente, de um homem e de uma mulher, mas se tratariam de raças que povoaram a Terra. Como nós, somos adeptos da teoria do evolucionismo, conforme exarada por Charles Darwin, por João Batista Lamarque, por Ernesto Haeckel, o nosso conceito de Adão é o das raças que vieram sucessivas desde os homens primitivos, atravessando as fases primárias para formarem a nossa atual estrutura biológica.

  • O Espiritismo está então de acordo com a teoria de Darwin?

Totalmente. Sendo que ele se deteve em determinados ângulos, como do “elo perdido” e fez uma conotação só eminentemente biológica. Allan Kardec nos ensinou que a Doutrina Espírita não se detém nos efeitos, vai mais longe, remonta às causas. Acreditamos no princípio espiritual. Darwin fez o seu estudo somente da evolução da forma física. Nós o fazemos partindo das formas embrionárias da constituição física, em relação a um psiquismo espiritual que é antecedente à forma física e que se desenvolveu também.

Muitos anos atrás escutei uma musiquinha de carnaval que dizia sobre Adão e Eva: “A história da maçã é pura fantasia. Maçã igual aquela o papai também comia”. Apesar de ser letra de música de carnaval, o compositor já questionava o que era contado no Antigo Testamento.

Emmanuel também traz esclarecimentos sobre o assunto:

“Onde está Adão com a sua queda do paraíso? Debalde nossos olhos procuram, aflitos, essas figuras legendárias, com o propósito de localizá-las no Espaço e no Tempo. Compreendemos, afinal, que Adão e Eva constituem uma lembrança dos Espíritos degredados na paisagem obscura da Terra, como Caim e Abel são dois símbolos para a personalidade das criaturas.

Examinada, porém, a questão nos seus prismas reais, vamos encontrar os primeiros antepassados do homem sofrendo os processos de aperfeiçoamento da Natureza. No período terciário a que nos reportamos, sob a orientação das esferas espirituais notavam-se algumas raças de antropóides, no Plioceno inferior. Esses antropóides, antepassados do homem terrestre, e os ascendentes dos símios que ainda existem no mundo, tiveram a sua evolução em pontos convergentes, e daí os parentescos sorológicos entre o organismo do homem moderno e o do chimpanzé da atualidade.

Reportando-nos, todavia, aos eminentes naturalistas dos últimos tempos, que examinaram meticulosamente os transcendentes assuntos do evolucionismo, somos compelidos a esclarecer que não houve propriamente uma “descida da árvore”, no início da evolução humana.

As forças espirituais que dirigem os fenômenos terrestres, sob a orientação do Cristo, estabeleceram, na época da grande maleabilidade dos elementos materiais, uma linhagem definitiva para todas as espécies, dentro das quais o princípio espiritual encontraria o processo de seu acrisolamento, em marcha para a racionalidade.

Os peixes, os répteis, os mamíferos, tiveram suas linhagens fixas de desenvolvimento e o homem não escaparia a essa regra geral.

Os antropóides das cavernas espalharam-se, então, aos grupos, pela superfície do globo, no curso vagaroso dos séculos, sofrendo as influências do meio e formando os pródromos das raças futuras em seus tipos diversificados; a realidade, porém, é que as entidades espirituais auxiliaram o homem do sílex, imprimindo-lhe novas expressões biológicas. Extraordinárias experiências foram realizadas pelos mensageiros do invisível. As pesquisas recentes da Ciência sobre o tipo de Neanderthal, reconhecendo nele uma espécie de homem bestializado, e outras descobertas interessantes da Paleontologia, quanto ao homem fóssil, são um atestado dos experimentos biológicos a que procederam os prepostos de Jesus, até fixarem no “primata” os característicos aproximados do homem futuro.

Os séculos correram o seu velário de experiências penosas sobre a fronte dessas criaturas de braços alongados e de pelos densos, até que um dia as hostes do invisível operaram uma definitiva transição no corpo perispiritual pré-existente, dos homens primitivos, nas regiões siderais e em certos intervalos de suas reencarnações.

Surgem os primeiros selvagens de compleição melhorada, tendendo à elegância dos tempos do porvir.

Uma transformação visceral verifica-se na estrutura dos antepassados das raças humanas.

Como poderia operar-se semelhante transição? Perguntará o vosso critério científico.

Muito naturalmente.

Também as crianças têm os defeitos da infância corrigidos pelos pais, que as preparam em face da vida, sem que, na maioridade, elas se lembrem disso”.

A seguir Emmanuel trata da vinda de Espíritos rebeldes oriundos de um dos orbes de Capela (uma estrela da Constelação do cocheiro). Como não acompanharam a evolução do planeta em que viviam foram eles localizados aqui, onde aprenderiam a realizar na dor e nos trabalhos penosos do seu ambiente, as grandes conquistas do coração e impulsionando, simultaneamente, o progresso dos seus irmãos inferiores (raças ignorantes e primitivas).

Com o auxílio desses Espíritos degredados foram operadas as últimas experiências sobre os fluidos renovadores da vida, aperfeiçoando os caracteres biológicos das raças humanas.

Com o transcurso dos anos os degredados reuniram-se em quatro grandes grupos, que formaram os pródromos de toda a organização das civilizações futuras, introduzindo benefícios no seio da raça amarela e da raça negra que já existiam.

 

Maria Madalena Naufal

 

FONTES

 

REVISTA ESPÍRITA ALLAN KARDEC – Nº 19;

A CAMINHO DA LUZ – Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier – FEB.

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