Alguns fariseus da época de Jesus não perdiam oportunidade de atacá-lo, por ignorância, má fé e outros motivos torpes. Essas discussões foram registradas pelos evangelistas. Uma delas, descrita por João (8:12-20) é a seguinte:

Então Jesus falou-lhes de novo, dizendo: “Eu sou a luz do mundo: quem me segue, de modo algum andará nas trevas. Mas terá a luz da vida”.

Disseram-lhe pois os fariseus: “Tu dás testemunho de ti mesmo: teu testemunho não é verdadeiro”.

Respondeu Jesus e disse-lhes: embora eu dê testemunho de mim mesmo, meu testemunho é verdadeiro, porque sei de onde vim e para onde vou; mas vós não sabeis donde venho nem para onde vou.

Vós escolheis segundo a carne eu não escolho ninguém.

E se escolho, minha escolha é verdadeira porque não sou só, mas eu e quem me enviou,

E na vossa lei foi escrito que o testemunho de dois homens é a verdade.

Eu sou o testemunho de mim mesmo e o Pai que me enviou testifica a meu respeito”.

Eles lhe perguntaram: “Onde está teu Pai”? Respondeu Jesus: “Não vedes nem a mim nem a meu Pai. Se me vísseis, também veríeis meu Pai”.

Proferiu essas palavras na câmara do tesouro no templo; e ninguém o prendeu porque ainda não chegara a sua hora.

Jesus deu outros testemunhos de si mesmo, a título de esclarecimento. Nessa passagem citada aparece o segundo EU SOU, mas vejamos os outros:

1-Eu sou o Pão da Vida ou o Pão Vivo (João, 6:35);

3-Eu sou a Porta das Ovelhas (João, 10:7);

4-Eu sou o Bom Pastor (João, 10:11);

5-Eu sou a Ressurreição da Vida (João, 11:25);

6-Eu sou o Caminho da Verdade e da Vida (João, 14:6); e

7-Eu sou a Vinha Verdadeira (João, 15:1).

No Antigo Testamento também encontramos frases sobre a luz:

Davi, no início do salmo 27, escreveu: “O Senhor é a minha Luz” e Isaias (42:6 e 49:6) faz o Senhor dizer que porá o Messias “como Luz dos gentios”.

No Novo Testamento, quando se completaram os dias de purificação de Jesus, segundo a lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor. Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso que esperava a consolação de Israel e o Espírito Santo estava nele. Fora-lhe revelado  pelo Espírito Santo que não veria a morte, antes de ver o Cristo do Senhor.

Veio ao templo, impelido pelo Espírito. Quando os pais trouxeram o menino Jesus para cumprirem os preceitos da lei a seu respeito, ele o tomou em seus braços e bendisse a Deus, dizendo “agora, Senhor, deixa teu servo ir em paz, segundo tua palavra, porque meus olhos viram tua salvação que preparaste ante a face de todos os povos, luz para iluminar as nações e glória de teu povo, Israel” (Lucas, 2).

O Evangelista Mateus atribui a Jesus a profecia de Isaias (9:2): “Nasceu uma Luz para os que estavam sentados na região sombria da morte”.

Jesus ensina que a luz deve ser colocada à vista para iluminar a todos (Mateus 5: 15-16) e ainda mais, que Seus discípulos são “A Luz do mundo” (Mateus 5:14).

Em seu Evangelho, João escreveu (1:4) que “a vida é a Luz dos homens”; e ao falar de Si mesmo, o Cristo confirma que “a Luz veio a este mundo (João, 3:19); cada vez que estou neste mundo, sou a Luz do mundo” (João, 9:5); e mais tarde: “ainda por um pouco a luz está dentro de vós (João, 12:35). E na primeira epístola (1:5) ensina-nos esse evangelista que “Deus é Luz”.

Jesus é, realmente, para todos nós o Sol da Verdade, a Luz do Mundo.

“Nós, desde o princípio, somos filhos da Luz da verdade. Não obstante, depende um pouco de nós mesmos para brilharmos na eternidade. E o Evangelho tem essa missão de despertar almas, fazendo com que elas encontrem, dentro de si, o manancial de conhecimentos em germe, para ser desenvolvido pelo esforço próprio, com as bênçãos de Deus, nosso Pai.

O Cristo é o verdadeiro preceptor, senão o único que canalizou a luz do Criador, como um instrumento sulcando o terreno dos corações e da inteligência, no afã de fazer surgir no mundo da alma a fonte pura que nunca mais secará.

O Espírito em si é um deus em miniatura, com todas as qualidades superiores a serem expandidas rumo à Luz. Cada um se salva por si mesmo, entretanto, carecemos do toque do Cristo em nós, o que é motivo de glória e o início da libertação espiritual.

Trabalho gigantesco, que pouco depende da ajuda exterior, a maior parte foi encetada pela Mente Divina ao encargo de cada ser.

Eis o que ouvimos sempre: “Conquista tua própria felicidade”. “Anda com teus próprios pés”. “Fala com tua própria boca”. “Pensa com tua própria cabeça”. E ainda: Conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres.

É necessário o esforço permanente de cada alma, para que se tenha conhecimento das verdades ao seu alcance; como conquista, ela será luz nos seus roteiros”.

Antes de encerrar o artigo, quero fazer alguns esclarecimentos. As afirmativas de Jesus desagradaram os fariseus que o ouviam, porque estes objetavam não poder acreditar num testemunho proferido a favor de si mesmo. Jesus dá a garantia da veracidade de Suas expressões, pelo fato de ter a consciência desperta em todos os planos, e portanto de conhecer-Se perfeitamente, sabendo de onde vinha e para onde ia, o que os presentes, que não o conheciam, ignoravam. É interessante observar que todos os profetas sempre deram testemunho de si mesmos, quando se apresentaram, sendo feita a comprovação da veracidade de suas assertivas pelos frutos que produziam e pelo acerto de suas palavras. Eles mesmos, porém, só se baseavam na força interna que os impulsionava a falar ou a agir O consenso externo pode testificar a santidade ou não de alguém, mas “o recado” que o profeta recebe para transmitir e a lição que o mestre sabe para ensinar, só podem ser garantidas pela própria autoridade sua pessoal e pelo conjunto de obras e palavras, de atitudes e sentimentos que manifesta. Podemos acrescentar que a voz do verdadeiro Mestre e do verdadeiro Profeta ecoa dentro do coração dos evoluídos que “sentem” a legitimidade ou não do que é dito.

Vamos nos ligar, pois, à Luz do Mundo, para saber quem somos, de onde viemos e para onde vamos.

Maria Madalena Naufal

PRINCIPAIS FONTES

 

SABEDORIA DO EVANGELHO – Carlos Torres Pastorino – Volume 5, publicação da revista mensal Sabedoria;

O REINO DE DEUS – Miramez, psicografia de João Nunes Maia (Editora Espírita Cristã Fonte Viva);

BÍBLIA SAGRADA – Tradução de Ciro Mioranza (Editora Escala)

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