OS BONS SERVIDORES E OS DONOS DE CENTROS

               A presença e a assistência dos bons espíritos nas sessões espíritas dependem muitíssimo das intenções e dos objetivos das pessoas que se propõem ao intercâmbio com o mundo invisível. Mas sabemos também que todas as criaturas já vivem acompanhadas pelas almas que lhe são afins a todos os seus atos e pensamentos. Assim os homens regrados e generosos também simpatizam e atraem as boas companhias do “lado de cá” (plano espiritual), cujas almas, quando em vida física, já viviam afastadas das paixões degradantes e dos vícios perniciosos.. No entanto, os maldosos, viciosos e corruptos, transformam-se  em focos de atração dos espíritos gozadores, maquiavélicos e mal-intencionados.

               A segurança e a eficácia dos trabalhos mediúnicos dependem essencialmente da harmonia e firmeza espiritual dos assistentes. O homem irradia forças benfeitoras ou prejudiciais segundo o grau do seu caráter e a natureza da sua mentalidade. Assim qualquer debilidade na força vibratória de alguns, é o bastante para afetar o ambiente espiritual da reunião. Além disso, assim como há pessoas cuja presença influencia beneficamente o ambiente, há outras que lhe são nocivas. Isto depende da aura magnética de cada um.

               Não podemos nos esquecer que os espíritos malfeitores desencarnados têm grande interesse em acabarem com as sessões espíritas mediúnicas, com o propósito de enfraquecer a obra do Espiritismo. Assim é que as falanges das sombras envidam todos os esforços para destruírem as atividades benfeitoras que tentam esclarecer o homem quanto à sua verdadeira responsabilidade espiritual. Quando o homem assume a consciência de seus atos, controlando suas emoções e seus pensamentos, é inquestionável que ele também se liberta das entidades desencarnadas afeitas a todas as torpezas e aberrações. Consequentemente as falanges sombrias realmente combatem furiosamente as atividades espiríticas, no nosso planeta, porque o Espiritismo firma suas bases libertadoras no próprio Evangelho do Cristo, ou seja, no mais avançado conjunto de leis siderais de salvação do homem encarnado.

               Temos que esclarecer que não podemos pôr a culpa sempre nos obsessores. Um centro espírita pode falir ou ser desmanchado pelos seus próprios componentes “vivos”, sem mesmo haver interferência dos “mortos”, pois a vaidade, a obstinação, o amor-próprio, a ignorância, o ciúme ou a rivalidade entre os dirigentes e médiuns também liquidam as agremiações que não vigiam como o Cristo ensinou. Num centro espírita desavisado da realidade espiritual é muito comum o conflito personalístico e a competição entre os seus próprios componentes, onde os neófitos tentam superar os velhos ou estes petrificam-se de maneira teimosa em suas idéias e empreendimentos conservadores. Os médiuns neófitos devem tomar muito cuidado para, na sua pressa e afoiteza de sobrepujar os demais, carreiam as maiores tolices e incongruências para a seara espírita, à guisa de importantes revelações do Além-túmulo, sob o nome de algum falecido de alto gabarito no mundo terreno. Essa ingênua preocupação de impressionar o público e o rebuscamento de um palavreado altiloquente (coisa muito comum entre os médiuns neófitos), às vezes dá ensejo para que os espíritos mistificadores aproveitem para comunicar futilidades e distorções doutrinárias, no sentido de confundir e abastardar a própria filosofia espírita.

               Os médiuns fascinados pelos espíritos maus são sempre os últimos a identificarem sua situação ridícula e as circunstâncias censuráveis com que expõem às demais pessoas.

               De outro lado, o centro espírita petrifica-se num clima lúgubre ou severo em extremo, porque o doutrinador ou demais responsáveis são pessoas irascíveis ou muito puritanas.

               Um escolho terrível dentro do Espiritismo são os presidente de centro que se julgam donos deles. Por vaidade, orgulho, egoísmo, inveja e outras mazelas, que, infelizmente, ainda dominam os seres humanos, afastam médiuns dedicados, grupos de estudo, frequentadores que ficam desiludidos com o tratamento a eles dado, pois esperavam amor, carinho e consolo, mas não receberam nada disso. Alguns perseveram buscando outros centros, mas outros abandonam a doutrina, que nada tem a ver com o comportamento dos maus servidores.

               Felizmente existem (a maioria) presidentes abnegados, capacitados, amorosos, humildes, compreensivos, caridosos e grandes conhecedores da Doutrina Espírita. São exemplos vivos de seguidores do Mestre Jesus, que amava e ama todos os irmãos: pobres ou ricos, doentes ou sadios, pecadores ou virtuosos. Sigamos nós também o nosso Mestre e Terapeuta Divino.

 

Maria Madalena Naufal

 

FONTES

 

               ELUCIDAÇÕES DO ALÉM – Ramatis- psicografia de Hercílio mães – Editora Conhecimento.

Observações feitas durante mais de trinta e cinco anos de trabalho em centros espíritas.

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