AMOR DE MÃE

               A bela morena morava na Barra Funda. Subia a ladeira para rezar na capela para a santa de sua devoção. Eu ficava por ali, na praça em frente. Sabia que lá ela ficava por um tempo, ouvindo a bandinha do coreto. Eu ia devagar, chegando perto dela, até com ela conversar. Meu Deus! Que rosto perfeito: uma boca carnuda, de lábios de mel, olhos pretos como a jabuticaba, perfume de jasmim. Nem sei o que eu falava, pois a admirava, embriagado de amor. Mas um dia, a bela morena não passou, nem no seguinte e nem no outro. Desci a ladeira para saber o que havia acontecido. Num boteco de esquina fiquei sabendo o ocorrido. Os moradores estavam sentindo imensa dor, pois a bela morena foi encontrada estrangulada num matagal próximo à ladeira. Naquele instante, quase morri. Quando consegui falar, perguntei se sabiam quem a havia matado. Ninguém sabia, ninguém havia visto nada. Sai dali arrasado. Fui até a capela rezar pela minha morena. Prometi a santa que ia me vingar. Desci novamente a ladeira e passei a sondar o boteco todos os dias. Certo dia, vi um sujeito medonho aparecer por lá. As pessoas pareciam sentir medo dele e só falavam com ele, quando ele perguntava alguma coisa. Tinha quase que certeza que ele era o assassino da minha morena, mas precisava ter a certeza. Até que um dia me enchi de coragem e fui esperá-lo um pouco longe do boteco. Ele estava sozinho. Perguntei-lhe, então, porque fez o que fez com a bela morena. Ele me olhou friamente e disse num descaso profundo:

_Pedi um beijo e ela não me deu. Ofereci o mundo aos seus pés. Ela, ironicamente, disse que o seu coração era de outro. Tentei trazê-la para mim, mas me empurrou. Tentei de novo e a beijei à força. Ela conseguiu se soltar e cuspiu no meu rosto. Cheio de raiva, bati nela, que parecia uma gata brava. Depois, a possui , cheio de desejos. Quando já estava farto, apertei-lhe o pescoço e acabei o serviço.

Fora de mim, pulei nele como um louco. Várias vezes o esfaqueei. Quando ele caiu, para ter a certeza que estava mesmo morto, dei uma paulada na cabeça dele, cheio de ódio. A polícia estava presente e fui preso no mesmo instante. Na Delegacia, interrogado pelo delegado, falei a verdade. Fui colocado numa cela depois levado para um presídio. Lá sofri horrores, pois o sujeito que matei, era o chefe de muitos dos presos. Desencarnei logo e fui parar num lugar fétido, tenebroso, onde permaneci por um tempo que não sei calcular.  Cansado de tanto sofrimento, pedi socorro a Jesus. Socorrido, fui levado a um hospital, onde permaneci por muito tempo, até conseguir melhorar. Uma senhora explicou-me, que, embora eu não fosse mau, cumprisse os meus deveres, ajudasse os outros, levado pelo ódio um irmão matei. Só Deus tem o direito de tirar a vida. Mostrou-me a colônia que abrigava o hospital, mostrou-me vários lugares e paisagens belas. Comecei a trabalhar com ela e muitos outros seareiros.

Certo dia ela me fez um carinho, o vestígio de ódio que ainda me dominava esvaiu-se completamente. Olhei-a com grande amor e então perguntei:

_A senhora foi minha mãe na Terra? Quando ela partiu do nosso convívio, eu era muito pequeno.

_Sim. Fui sua mãe. Acompanhei você em todas as suas desditas e minhas constantes orações o ajudaram a superar as terríveis provações pelas quais passou.

Abracei aquela jovem senhora, com infinito amor. Agradeci a Deus, a Jesus, a oportunidade de uma vida centrada no bem. Peço a todos amarem as criaturas, mas terem pela mãe um especial desvelo, pois ela nunca nos abandona.

Que Deus nos abençoe a todos.

Abraços do irmão em Cristo

Lourenço

17 de fevereiro de 2013 – 8 horas e 40 minutos.

 

Mensagem psicografada pela médium Sônia Aparecida Ferranti Tola.

Anúncios