TRABALHANDO COM JESUS

Na tarde do dia 6 de abril de 2012, a Sônia entrou na cozinha e me disse:

– Madalena, precisamos orar pela Licinha.

– Quem é Licinha? E por que temos que orar por ela? – perguntei, preocupada.

– É uma prima distante. Era muito pobre e querendo conseguir uma aposentadoria tomou Q Boa. Mas desencarnou e foi parar no Vale dos Suicidas. Há dias estou tendo visões com esse vale, mas só hoje eu a vi. Quer ajuda. Não só ela, mas muitos dos irmãos que ali vivem já estão tendo momentos de lucidez e pedem que Jesus os socorra.

– Vamos fazer um Evangelho à noite.

Antes de contar o que ocorreu na reunião, esclareço aos leitores que eu e Sônia não estamos, atualmente, frequentando nenhum Centro Espírita, pois tanto o sogro quanto a sogra dela estão com problemas graves de saúde. Não podendo nos ausentar da fazenda, pois temos que dar assistência aos dois, costumamos fazer o Evangelho no Lar, leituras edificantes e orações.

Naquela noite a mesa da sala transformou-se em verdadeira mesa mediúnica. O que ocorreu foi belíssimo e emocionante. Iniciamos com uma prece, lemos mensagens evangélicas, porque muitos espíritos desencarnados comparecem para receber esclarecimentos. Logo Sônia começou a ver o vale, os espíritos que lá se encontravam e a ouvir gritos e lamentos. É um local muito triste, com lamaçais e pântanos, nos quais estão mergulhados os irmãos que necessitam purgar os seus perispíritos das mazelas adquiridas pelo mau uso do livre arbítrio. Sônia viu depois duas montanhas e pairando entre elas, Jesus, vestido com túnica branca, olhos serenos e os cabelos castanhos com reflexos dourados, sob a ação de um vento ululante, esvoaçavam. Apontou a mão direita em direção ao vale, e como que imantados, alguns espíritos foram saindo das regiões lamacentas e subindo até certo ponto e depois o Mestre apontou em direção ao vale contíguo àquele, mas também sombrio, só que com résteas de luz e vegetação. Os espíritos foram para lá direcionados. Ali permaneceriam certo tempo para recompor as forças e então seriam encaminhados para tratamento em colônias. Sônia observou que espíritos de luz oravam no local, ajudando na bendita tarefa. Um desses espíritos era Z. A, que na Terra era considerado um exemplo de mulher e havia desencarnado há poucos meses. Poucos dias após o seu desencarne veio até nossa casa acompanhada de crianças. Nós não a conhecíamos pessoalmente, mas a víamos na televisão. De vez em quando comparece ao Evangelho no Lar, ora conosco e prega com sua voz inconfundível aos irmãos que vêm em busca de esclarecimentos. Na reunião anterior revelou-me que estava pleiteando trabalhar nas regiões obscuras, mas não sabia se iria ser atendida. Foi, pois já estava ali, doando o seu imenso amor aos necessitados. Embora católica na Terra, tem um bom conhecimento sobre a Doutrina Espírita. Um fato interessante ocorrido após o atendimento dos irmãos, foi que ela incorporou na Sônia e comentou comigo que enquanto muitos saíam do vale tenebroso, outros espíritos chegavam ao local. Comprovamos a eficácia das orações feitas com fé e amor e então incorporei Swami. Ele e Z.A. conversaram um pouco sobre o valor da prece e da necessidade de mais médiuns se dedicarem a esse tipo de trabalho. Na falta de um centro, uma igreja, um templo, podemos perfeitamente trabalhar com o Cristo de Deus, pois somos templos vivos e Deus está em toda a parte. Se a fé remove montanhas, a dedicação ao bem pode muito. Acompanhei todo o diálogo entre os dois mentores por ser médium consciente. Sônia é médium inconsciente e então precisei passar para ela essa parte. Além de nós duas e dos desencarnados que compareceram, também vários mentores e guardiões vieram ajudar. Foi, realmente, um trabalho de equipe, tendo ao centro o próprio Jesus.

Maria Madalena Naufal

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