Na obra “Os Mensageiros”, André Luiz (psicografia de Francisco Cândido Xavier) apresenta dois capítulos referentes ao ambiente campestre: Rumo ao Campo e Entre Árvores. No primeiro, recebemos a informação de que o poder da luz solar, casado ao magnetismo terrestre destrói intensivamente para selecionar as manifestações da vida na esfera da Crosta, a flora microbiana de ordem inferior não teria permitido a existência de um só homem na superfície do globo terrestre. Por esse motivo, o solo e as plantas estão cheios de princípios curativos e transformadores.

No capítulo seguinte temos mais algumas informações:

– Os desencarnados, embora não se fatiguem como as criaturas terrestres, não prescindem da pausa do repouso. Em geral, suas operações, à noite, são ativas e laboriosas. Apenas um terço dos companheiros espirituais, em serviço na Crosta, conserva-se em atividade diurna.

– O dia terrestre pertence, com mais propriedade, ao serviço do Espírito encarnado. O homem deve aprender a agir, testemunhando compreensão das leis divinas. Pelo menos durante certo número de horas, deve estar mais só com as experiências que lhe dizem respeito.

– A Natureza nunca é a mesma em toda parte. Não há duas porções de terra com climas absolutamente iguais. Cada colina, cada vale, possui expressões climáticas diferentes. É forçoso reconhecer, porém, que o campo, em qualquer condição, no círculo dos encarnados, é o reservatório mais abundante e vigoroso de princípios vitais.

– Na floresta temos uma densidade forte pela pobreza das emanações, em vista da impermeabilidade ao vento. Aí, o ar costuma converter-se em elemento asfixiante pelo excesso de emissões dos reinos inferiores da Natureza. Na cidade, a atmosfera é compacta e o ar também sufoca pela densidade mental das mais baixas aglomerações humanas. No campo, desse modo, temos o centro ideal porque nele reina a paz relativa e equilibrada da Natureza terrestre. Nem a selvageria da mata virgem, nem a sufocação dos fluidos humanos. O campo é nosso generoso caminho central, a harmonia possível, o repouso desejável.

– O campo é também vasta oficina para os serviços de colaboração ativa.

– O reino vegetal possui cooperadores numerosos. Muitos espíritos desencarnados se preparam para o mérito de nova encarnação no planeta, prestando serviços aos reinos inferiores. O trabalho com o Senhor é uma escola viva em toda parte.

– O desrespeito à natureza traz o doloroso choque de retorno, a todo tempo (Lei de Causa e Efeito).

André Luiz, na sua primeira obra psicografada por Francisco Cândido Xavier, “Nosso Lar”, conta que após passar anos no Umbral, foi levado para uma colônia espiritual, para ser tratado e depois estudar e trabalhar. Após algum tempo, recebeu permissão para rever sua família da Terra. Mas sua alegria transformou-se em decepção ao constatar que a sua viúva havia se casado novamente. Estava, no entanto, angustiada, pois o esposo estava com pneumonia, necessitando de cuidados. A perplexidade foi superada ao lembrar-se da recomendação de Jesus para que amemos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, Compreendeu as atitudes daquela que havia sido sua companheira terrena, sentindo que o amor começava a brotar das feridas benéficas que a realidade lhe abrira no coração. A partir de então André passou a interpretar os cônjuges como se fossem seus irmãos e entendeu que deveria auxiliá-los com os recursos ao seu alcance. Iniciou o trabalho procurando esclarecer os espíritos infelizes que se mantinham em estreita ligação com o enfermo. Cansado, lembrou-se que poderia pedir ajuda através do pensamento. Fez uma fervorosa prece, dirigiu-se a Narcisa, a enfermeira que muito o ajudava, pedindo-lhe socorro. Vinte minutos depois a boa amiga o atendeu, vindo ao seu encontro. André ficou muito contente. A mensageira do bem fixou o quadro e compreendeu a gravidade do momento e a urgência do atendimento. Primeiramente aplicou passes de reconforto ao doente, isolando-o das formas escuras que se afastaram imediatamente. A seguir convidou o amigo para ir à natureza. Explicou que não só o homem pode receber fluidos e emiti-los. As forças materiais fazem o mesmo, nos diversos reinos em que se subdividem. Esclareceu que para o caso em pauta necessitavam do auxílio das árvores.

Foram ambos até um local onde se alinhavavam árvores enormes. Narcisa fez um chamado e foi atendida por oito entidades espirituais. Perguntou-lhes da existência de mangueiras e eucaliptos. Explicou a André que eles eram servidores comuns do reino vegetal e aproveitou a surpresa dele para mostrar que não existe nada de inútil na Casa de Nosso Pai. Em toda parte, se há quem necessite aprender há quem ensine; e onde aparece a dificuldade, surge a Providência. O único desventurado, na obra divina, é o espírito imprevidente, que se condenou às trevas da maldade.

Em pouco tempo, a bondosa enfermeira manipulou certa substância com as emanações do eucalipto e da mangueira e, durante toda a noite, aplicaram o remédio ao enfermo, através da respiração e da absorção pelos poros.

Para surpresa do médico, o enfermo apresentava na manhã seguinte melhoras sensíveis, o que encheu a casa de alegria nova. Reconheceu André que vigorosos laços de inferioridade se haviam rompido dentro dele, para sempre, causando-lhe júbilo nalma, alento e esperança.

Atanagildo, discípulo de Ramatis, ditou ao médium Hercílio Mães, a obra “Semeando e Colhendo”, composta de vários contos reencarnacionistas muito interessantes.

Nos contos, apresenta os reflexos dramáticos, no espelho de existências atuais, e as imagens originais – ou causas geradoras – em existências passadas, relativas a casos extraordinários de reparação cármica.

No conto O Cantor narra a vida de um homem bom e muito caridoso, que tinha horror ao fogo, mas morreu num acidente que lhe carbonizou o corpo.

Após receber os primeiros socorros, foi levado a um “posto socorrista” junto à orla de uma praia santista. Ali viviam diversos tarefeiros do reino vegetal, dirigido por um cacique brasileiro, a quem foi pedido para manipular alguma cota de energia vital de mamoeiro, abacateiro ou mangueira, para revitalização do cantor. O cacique reuniu meia dúzia de silvícolas e todos desapareceram por entre as frondes das árvores frutíferas da propriedade terrena, onde se situava o posto espiritual socorrista denominado “Mestre Guaciro”.

Enquanto aguardava a volta dos benfeitores, o cantor foi aconselhado a fazer a catarze das lembranças confrangedoras que lhe tumultuavam a mente. Viu-se como um dos juízes do Santo Ofício da Inquisição (século XV) quando sentenciou hereges, judeus, renegados e relapsos católicos às fogueiras estorricantes, em nome da Justiça de Deus. Foi aí que adquiriu o terrível “carma do fogo”, naquela existência clerical, onde confundira a devoção, a fé e o sentimento religioso, com as próprias paixões de cobiça, fanatismo e vinganças políticas. Cansado das vidas pregressas censuráveis, deixou-se tocar pela inspiração divina do espírito que lhe fora mãe carnal e rendeu-se ao programa cruciante de purgação dos tóxicos nocivos perispirituais. Sofreu por quatro vezes a tortura das fogueiras da inquisição. Na penúltima existência cometeu erros atrozes e terminou também sendo queimado. O cantor então entendeu porque o fogo sempre o angustiava, mas esperou que estivesse liberto da angústia do fogo e pago o débito espinhoso na contabilidade divina.

Mestre Guaciro retornou trazendo a substância vital extraída das emanações “etéreo-físicas” das árvores frutíferas. O cantor absorveu pelos poros do perispírito e pela respiração, a carga energética do “tônus-vegetal” que lhe era ministrado numa operação sem similitude na matéria.

A equipe espiritual que trabalha na natureza, como já ficou claro, atende encarnados e desencarnados.

O caso que agora vou contar aconteceu comigo. Eu havia operado o olho esquerdo (descolamento de retina) e não estava bem. Estando sozinha na casa da fazenda, pois a Sônia, seu esposo Adauto e o filho Rafael estavam trabalhando: Sônia estava no mangueiro tirando leite, Adauto cuidando dos pés de café e Rafael no Trator. Olhei no relógio da sala e vi que estava na hora de fazer o almoço. Ao descer a escada que dava para a cozinha, cai, batendo primeiro o ombro e sentindo o úmero quebrar. Em seguida bati a cabeça, ocasionando um pequeno corte na sobrancelha esquerda. Saiu tanto sangue que escorreu pelo rosto, vestido e chão. Não desmaiei e nem gritei. Levantei-me com dificuldade e liguei no celular do Rafael. Chegou em dois tempos, assustado. Chamou os pais. Sônia e o filho levaram-me para uma Casa de Saúde. As enfermeiras fizeram uma limpeza no meu rosto, colocaram-me uma roupa do hospital e levaram-me para tirar uma radiografia do braço. Após fui levada para um quarto e o meu médico providenciou soro com medicamentos.

Enquanto isso, Rafael ficou aguardando o radiologista. Ao sair da sua sala, ele comunicou que eu teria que passar por uma cirurgia e ficar, pelo menos, quinze dias internada. Rafael ficou muito nervoso.

No meu quarto, Sônia, sentada numa cadeira, de repente viu que ele se enchia de entidades espirituais. Entre elas, uma enfermeira que manipulava com as mãos alguma substância (soube depois que eram manga, eucalipto, flamboaiã e carambola, ou seja: folhas, flores e frutos de árvores próximas ao hospital).

Após preparar a substância, a enfermeira soprou-a no meu úmero esquerdo.

Meia hora depois chegou o médico ortopedista de Lucélia, que atendia na Casa de Saúde de Osvaldo Cruz. Veio com a radiografia na mão e disse, para espanto da Sônia (que já havia conversado com o filho) que não havia necessidade de operação, mas ficaria com uma tipóia por 39 dias. A radiografia apresentava apenas uma quebradura no úmero.

Providenciada a tipóia e colocada, fomos embora.

Já em casa, Sônia me contou as ocorrências. Na verdade ocorreram dois fenômenos: mudança na radiografia e a manipulação de energias da natureza. A espiritualidade sempre ajuda no que pode e no que lhe é permitido. Agradeci a Deus e aos tarefeiros bondosos que trataram de mim.

(Maria Madalena Naufal)

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