Nhá Maria do Rosário

Morava num casarão,

Longe do mundo,

Distante da civilização.

 

Nhá Maria, coitada,

Com ninguém se comunicava,

Mas vivia feliz

Com seus bichos e a passarada.

Com eles conversava

E a todos com carinho tratava.

 

Certo dia ela pensou:

“O mês das águas chegou,

Pois as garças saíram em revoada

E também as andorinhas”.

 

Num dia de chuvarada

E de muitas enxurradas

Escutou que alguém chamava.

Ela, então, saiu correndo,

Atravessou o seu jardim

Até a porteira que dava pra estrada.

Lá viu três pessoas.

Todas encharcadas.

Um homem de meia idade

Pediu ajuda a ela

Para que os abrigasse.

Nhá Maria, gentilmente,

Pediu que eles entrassem.

Mas o filho não andava:

Estava numa padiola

E os pais o carregavam.

 

Depois de todos sequinhos

Diante do fogão de lenha,

Nhá Maria serviu uma sopa

Muito da suculenta.

Após tomarem a sopa,

Contaram uma triste história:

Estavam sem casa e sem nada.

 

Coração feito de luz,

A boa mulher os hospedou

Por tempo indeterminado.

Mas a ninguém contou.

 

Logo se surpreendeu,

Pois outras famílias chegaram.

Ficou matutando a bondosa:

“Quem foi que contou

Que aqui os desvalidos

Têm comida e abrigo?”

Uma voz então falou:

_ Nhá Maria, de agora em diante,

Dê tarefa aos moços

Para que a terra produza

Alimento pro seu povo.

 

Daquele dia em diante

O casarão ficou conhecido

Como abrigo dos flagelados.

 

Nhá Maria e os seus protegidos

Continuaram longe do mundo e da civilização,

Mas vivendo como cristãos,

Orando e agradecendo a Deus

Por serem todos irmãos.

 

(Sônia Aparecida Ferranti Tola)

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