A VISITA DE CAMÕES

Eu já havia terminado de escrever e digitar a obra infantil “Camilo – Um Bom Menino”. Camilo era aluno de um Curso de Evangelização Infantil de um Centro Espírita. Sua professora, a cada aula, lia uma historieta e pedia para os alunos que a interpretassem à luz do Espiritismo. Conversando com Sônia na varanda da nossa casa, comentei:

_ De todas as histórias que os personagens examinaram e tiraram suas conclusões, só uma achei esquisita.

_ Qual?

_ O Pequeno Polegar. Tanto é que critiquei. Como puderam os pais abandonar os filhos na floresta, onde poderiam perecer de fome ou serem atacados por animais ferozes?

Nisso ouvi uma voz possante (era provinda de um Espírito incorporado na Sônia):

_ Se os pais não tivessem abandonado Polegar e seus irmãos, o menino não seria convidado a ser mensageiro do reino, e todos os seus familiares continuariam a passar necessidades. Assim age Deus conosco. Muitas vezes não entendemos o que ocorre, porque ocorre, mas Ele sabe. Os Seus desígnios são por vezes impenetráveis. Você se lembra de José do Egito, que foi vendido pelos irmãos?

_ Lembro-me.

_ Se os irmãos não o tivessem vendido, jamais ele chegaria a ser a pessoa mais importante do reino após o faraó e não poderia ter ajudado os seus familiares como o fez.

_ Tem razão. Não tinha pensado por esse lado.

O Espírito apresentava grande erudição. Por isso queria saber quem ele era.

_ Quem é você? – perguntei

_ Você me conhece dentro da literatura. E recitou: “Alma minha gentil que te partiste tão cedo desta vida descontente…”

_ Mas esses versos são de Camões – disse-lhe surpresa.

_ Sou Camões.

_ Camões? Mas não é possível. Camões aqui na minha casa? O autor de “Os Lusíadas”?

_ E por que não? Sou, realmente, Camões. Ouvi falar de você. Foi o Pietro Ubaldi que me falou.

_ Gosto muito de Pietro Ubaldi e não perco oportunidade de propagar os seus escritos, frutos de uma mediunidade extraordinária.

Sempre procuro provas da verdade e horas depois perguntei à Sônia:

_ Como era Camões?

_ Ela descreveu: usava um casaco bordado, com uma gola estranha, meio sanfonada, tinha os cabelos lisos e escuros, enfeitados com uma “coroa” de folhas, barba e bigodes.

_ Ele tinha um “problema”. Qual era?

Sônia silenciou por instantes. Depois disse:

_ Não tinha um olho.

Fiquei feliz. Era a prova que procurava.

Encontrei algumas biografias de Camões nos meus livros, todas ilustradas sempre com a mesma gravura, em que ele aparece com o olho direito fechado. Mostrei para a Sônia, que me disse:

_ Foi esse mesmo que vi.

Sendo espírita há mais de trinta anos, sei que muitos espíritos ao se comunicarem conosco, apresentam certas características que não mais têm (a evolução não para), para poderem ser identificados. Camões se apresentou tal como foi retratado, para ser reconhecido por mim. O retrato pintado data de 1581. Ele já havia desencarnado.

Para completar esse artigo, vou escrever uma pequena biografia de Camões e uma de Pietro Ubaldi.

LUIZ VAZ DE CAMÕES

 Poeta épico, satírico, bucólico e comediógrafo português. Nasceu a 4 de fevereiro de 1524 em Lisboa e desencarnou a 10 de junho de 1580, na mesma cidade.

Era filho de Simão Vaz de Camões e Ana de Sá e Macedo.

Ficou órfão de mãe ao nascer.

Camões pertencia a uma família nobre mas empobrecida.

Fez estudos em Coimbra e cedo começou a frequentar a corte de Dom João III. Seu amor por uma dama nobre parece ter sido a razão do seu afastamento da corte.

A partir daí levou uma vida aventurosa, primeiro na África, como soldado na luta contra os árabes (Ceuta), quando perdeu o olho direito; depois na Índia e em Moçambique.

Após dezessete anos de ausência volta a sua terra natal e publica o poema épico “Os Lusíadas”.

Na obra Camões toma a descoberta do caminho para a Índia por Vasco da Gama como motivo para expor toda a história de Portugal.

O rei Dom Sebastião concedeu-lhe uma ajuda de 15.000 réis anuais, mas não cumpriu a promessa.

Na velhice, não fosse o seu escravo Jau (trazido da Índia) pedir esmolas à noite, talvez morresse de fome, dada a estrema miséria em que vivia.

Camões, o maior poeta da língua portuguesa, além de “Os Lusíadas”, escreveu ainda: “Anfitriões”, “El Rei Seleuco”, “Filodemo”, 122 elegias, 15 éclogas, 17 canções, mais de duas centenas de sonetos, algumas sátiras e poesias bucólicas.

 PIETRO DE ALLEORI UBALDI

 Professor, filósofo e escritor ítalo-brasileiro. Nasceu em Foligno, na Itália em 18 de agosto de 1886 e desencarnou em São Vicente em 29 de fevereiro de 1972.

Era filho de Lavínia e Sante Ubaldi.

Aos cinco anos começou a frequentar a escola. Formou-se em Direito (mas não exerceu a profissão) e em Música.  Tornou-se poliglota, falando fluentemente várias línguas.

Casou-se com Antonieta Solfanelli com quem teve três filhos.

Adentrou as diferentes correntes filosóficas e religiosas, destacando-se como um grande pensador cristão do século XX. Apesar de ser de família católica, tornou-se reencarnacionista, leu Kardec, que muito o ajudou no seu adiantamento espiritual.

No verão de 1911, fez uma viagem aos Estados Unidos.

Em 1930 venceu em um concurso, a cadeira de Professor de Inglês nos Ginásios e Liceus da Nação Italiana.

Em 1931 viajou para a Sicília, onde iniciou o seu primeiro ano como professor.

Em 1932, transferiu-se para Gubbio, onde permaneceu por 20 anos. Após a maturação espiritual do período anterior, havia cedido ele, a outros os seus bens, ganhando a vida com o seu trabalho. Foi por este tempo, na Sicília, a aparição do fenômeno inspirativo, que se desenvolveu em Gubbio.

Fez conferências no Brasil em 1951 e no ano seguinte fixou aqui residência definitivamente, com a família. Tinha uma missão a cumprir no nosso país, como lhe disse Sua Voz (seu Guia Espiritual).

Sua missão cumpriu-se na íntegra e durou até 1971.

Vida dedicada a Jesus e ao próximo, exemplo de obediência, perseverança e amor, Ubaldi é digno de toda a nossa admiração.

Deixou 25 obras que desvendam o mistério do universo e o destino do homem nos dois planos da vida: “Grandes Mensagens”, “A Grande Síntese”, “As Noúres”, “Ascese Mística”, “História de Um Homem”, “Fragmentos de Pensamentos e de Paixão”, “A Nova Civilização do Terceiro Milênio”, “Problemas do Futuro”, “Ascensões Humanas”, “Deus e Universo”, “Profecias”, “Comentários”, “Problemas Atuais”, “O Sistema”, “A Grande Batalha”, “Evolução e Evangelho”, “A Lei de Deus”, “A Técnica Funcional da Lei de Deus”, “Queda e Salvação”, “Princípios de Uma Nova Ética”, “A Descida dos Ideais”, “Um Destino Seguindo Cristo”, “Pensamentos”, “Cristo” e “Nazarius”.

“A Grande Síntese” é o mais famoso livro de Pietro Ubaldi, considerado o maior pensador intuitivo dos últimos tempos. O seu conteúdo científico, social e filosófico é de uma profundidade inigualável. É uma revelação, atingida de modo consciente, através de métodos precisos, de que Ubaldi apresentou a técnica. Segundo ele “Sua vestimenta científica é exterior e cobre, realmente, uma substância evangélica que une a síntese ao desenvolvimento gradual, na Terra, do pensamento de Cristo, que é uma contínua emanação”.

Segundo o escritor Clóvis Tavares “A Grande Síntese” é “Benção para a humanidade de hoje e código para a humanidade de amanhã”.

Emmanuel, através da psicografia de Francisco Cândido Xavier, também dá sua opinião sobre essa assombrosa obra:

“A palavra de Cristo projeta nesta hora Suas irradiações energéticas e suaves, movimentando todo um exército poderoso de mensageiros Seus, dentro da oficina da evolução universal.

Aqui fala a Sua Voz divina e doce, austera e compassiva. No aparelhamento destas teses, que muitas vezes transcendem o idealismo contemporâneo, há o reflexo soberano da sua magnanimidade, da sua misericórdia e da sua sabedoria. Todos os departamentos da atividade humana são lembrados na sua exposição de inconcebível maravilha.

“A Grande Síntese” é o Evangelho da Ciência, renovando todas as capacidades da religião e da filosofia, reunindo-as à revelação espiritual e restaurando o messianismo do Cristo, em todos os institutos da evolução terrestre.

Curvemo-nos diante da misericórdia do Mestre e agradeçamos de coração, genuflexo a sua bondade. Acerquemo-nos deste altar da esperança e da sabedoria, onde a ciência e a fé se irmanam para Deus”.

Considero Jesus “O Médium de Deus” e Pietro Ubaldi “O Médium do Cristo”.

Maria Madalena Naufal

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