PIOR A EMENDA DO QUE O SONETO

            Uma amiga nossa perdeu o esposo e desde então já percorreu vários centros espíritas em busca de mensagens dele. Já recebeu algumas. Atualmente está com problemas graves com a filha, casada com um drogadito que bate nela e põe em risco a filhinha. O filho dessa nossa amiga também tem problemas de saúde. Aborrecida, desabafou com a sua cabeleireira, que, evangélica, pediu ao pastor da sua igreja para visitá-la. Ele foi. Mal entrou disse que o ambiente estava horrível. Percorreu os cômodos da casa e retirou uma porção de imagens de santos e levou embora. Ela ligou, mais tarde, para a casa do pastor pedindo as imagens de volta, aquelas que mais estimava, mas a esposa do pastor disse que ele já as havia quebrado. Quando nos contou o caso, perguntamos:

_ Você se sentiu melhor com a visita dele?

_ Que nada! Fiquei muito pior.

Nós a aconselhamos a não contar os seus problemas para qualquer um, mas apenas para as amigas mais chegadas, que poderão ajudá-la com orações.

Este caso nos remeteu a um semelhante que ocorreu com outro amigo espírita. Pessoa boa ajudava a fazer a sopa no centro espírita que frequentávamos. A esposa com problemas e doente passou a frequentar uma igreja evangélica, onde lhe prometeram a cura. Sabendo que o esposo era espírita, pediram os livros dele e os queimaram todos. Ela não sarou. Piorou muito. Certo dia, à tarde, ele nos procurou e pediu um passe. Fomos atrás da chave do centro e o atendemos. Ele chorou muito. Depois passou a frequentar o centro novamente.

Somos ecumênicas, respeitamos a religião dos outros, mas não aceitamos fanatismos. Ninguém tem o direito de entrar na casa dos outros, apropriar-se das suas coisas e destruí-las. Se não gostam de imagens e nem de obras espíritas limitem-se a não comprá-las, mas jamais destruir o que não lhes pertence. As consequências podem ser dramáticas, como é o caso da queima de um Alcorão por um pastor evangélico, no Afeganistão. Muitas pessoas foram mortas por isso e o caso ainda não terminou.

Amemos a nossa religião, mas deixemos que cada um siga aquela que mais lhe fala à mente e ao coração. Afinal, Deus nos criou a todos e nos ama igualmente.

 

Sônia Aparecida Ferranti Tola e Maria Madalena Naufal

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