Dermografismo ou demometagrafia, é, segundo L. Palhano Júnior, autor do Dicionário de Filosofia Espírita (CELD) o fenômeno de efeitos físicos no qual aparecem sinais, marcas, letras, na pele do paciente. Um exemplo disso é a estigmatização, fenômeno dermográfico em que o paciente mostra os sinais da crucificação de Cristo.

Carlos Bernardo Loureiro, advogado, jornalista e escritor espírita, num artigo publicado pela RIE (março de 1996) esclarece que a diferença entre dermografia e estigmatização é que a dermografia aparece de repente, e desaparece do mesmo modo, enquanto a estigmatização ocorre em épocas certas, provoca sangramento e deixa indeléveis cicatrizes.

Loureiro fez uma pesquisa bastante significativa para o assunto em pauta, descrevendo vários casos. Escreveu ele: “A maioria dos casos de dermografia é registrada no século XIX, destacando-se o da Sra. Seymour , uma médium norte-americana da cidade de Waykeegan, nas proximidades de Chicago. Essa médium foi observada pelo pesquisador Manuel Eyre, que relata o seguinte:

“Quando a médium entrava em transe, esticava o braço e, com o indicador da outra mão, fazia movimentos como se estivesse escrevendo no ar. O braço estava coberto pela manga da blusa e o dedo ficava a 30 centímetros dele; mas, quando ela arregaçava a manga via-se a pele a assinatura do Espírito que daria a mensagem durante a sessão, que era realizada sob o mais rigoroso critério científico”.

Segundo noticia o jornal “Spiritual Telegraph” a escrita aparece em relevo, podendo ser sentida ao se passar a mão sobre o lugar. As palavras ficavam visíveis durante mais ou menos vinte minutos; depois desapareciam, sem deixar cicatrizes ou marcas. A Sra. Seymour submeteu-se ao exame de uma comissão especial, integrada particularmente por médicos, que tentou encontrar qualquer indício de fraude, o que não ocorreu, frustrando alguns de seus integrantes.

Por volta de 1933, divulgam-se os fenômenos de dermografia provocados por outra médium norte-americana: Olga Kahl que, àquela época , submeteu-se à investigação de suas faculdades no “Instituto Metapsíquico de Paris”. No seu caso, o vocábulo ou símbolo transmitido mentalmente era impresso em sua pele.

Outro caso que se tornou célebre, e suscitou uma série de controvertidas opiniões, aconteceu em Loudum, na França, com a prioresa das freiras ursulinas, cujo nome religioso era Jeanne des Anges (ou Joana dos Anjos). No mundo leigo, seu nome fora Jeanne de Belciel, filha de Louis de Belciel, Barão de Coze e de Charlotte Goumarte d`Eschillas. Nascida em 1602, Jeanne contava então vinte e cinco anos quando os fenômenos de dermografia tiveram início, muito superficialmente, Para eclodir, posteriormente, com rara intensidade, decorrendo, daí, entre outros eminentes fatores, um dos mais fantásticos processos de obsessão no contexto da história da intervenção de Espíritos em ambientes religiosos. Os nomes José e Maria, pais de Jesus, apareciam escritos entre sentenças em latim, em sua mão, fato testemunhado pelo dramaturgo inglês Thomas Killigrew (1612-1683). Os terríveis episódios obsessionais em loudum vêm contados, em minúcia, na obra “The Devils of Loudun”, de autoria de Aldous Huxley.

Charles H. Foster (1838-1888), considerado por George C. Bartlet, seu biógrafo, “o maior médium espírita desde Emmanuel Swedenborg, ofereceu valiosos exemplos de escrita direta na pele, divulgados nos “Proceedings” (resenha) da society for Psychical Research- SPR, fundada em 1882, por iniciativa do Prof. Frederic W. H. Myers, Henry Sidgwich e Edmund Gurney. Relata George C. Bartlett que um certo Mr. Adams fizera uma consulta a Foster. “Quando ia saindo, Mr. Foster lhe disse que em toda a sua longa experiência jamais tinha visto um indivíduo se fazer acompanhar de tantos Espíritos… A sala estava literalmente cheia deles, indo e vindo… Às duas da manhã seguinte, Mr. Foster me chamou dizendo: ´George, quer fazer o favor de acender o gás? Eu não posso dormir: o quarto está cheio da família espiritual de Mr. Adams que está escrevendo seus nomes em meu corpo´. E, com grande admiração minha”, prossegue George C. Bartlet, “a lista de nomes dos parentes de Mr. Adams se encontrava gravada em várias partes do corpo de Mr. Foster. Contei onze nomes diferentes: um estava escrito na testa, outros nas costas e nos braços”.

Através da dermografia os Espíritos se comunicam utilizando-se não raras vezes de mensagens simbólicas. Foi justamente o que aconteceu com a médium Coggswell. Um assistente mentalizou um amigo desencarnado, solicitando que desse prova de sua presença. No braço da médium apareceu o desenho de um coração perfurado como se uma bala de revólver o tivesse atingido. A representação era perfeita: o Espírito comunicante desencarnara com o coração perfurado a bala. O interessante é que o referido assistente apenas pensou, fortemente, no amigo, sem revelar, mentalmente, o que o levara para o outro lado da vida…

A médium francesa Raymonde Pauline, conhecida, entre os pesquisadores da fenomenologia espirítica, por Chantal, apresentava um tipo de fenômeno muito especial. Ela começa a sentir calor em um determinado lugar do rosto, seguido de formigamentos. Em poucos minutos aparecia, no local, um rostinho, notavelmente perfeito, de alguém já desencarnado, cujo parente ou amigo se encontrava na assistência. O processo, extraordinário, que enriquece, sobremodo, os anais das pesquisas espíritas, durava, às vezes, vários minutos. Houve ocasiões em que dois pequeninos rostos, visíveis e identificados, surgiam em ambas as faces de Chantal, representando, sempre, seres espirituais (homens, mulheres e crianças) que, assim, e de forma incontestável, davam um inusitado testemunho da sobrevivência da alma”.

Entre os casos de estigmatização mais famosos temos os de São Francisco de Assis (1182-1226). O seu biógrafo, Inácio Larrañaga, na belíssima obra “O Irmão de Assis” (Edições Paulinas), no Capítulo Sexto, no subtítulo “A Noite da Estigmatização”, conta-nos como ocorreu o fato. Após um longo colóquio com Jesus, Francisco pediu-lhe que fizesse da sua carne uma pira de dor, e do seu espírito uma fogueira de amor. Quando estava amanhecendo ele comprovou que suas mãos, pés e lado estavam queimados, feridos, perfurados, manando muito sangue. As feridas doíam muitíssimo.

Outra estigmatizada famosa é Anna Katharina Emmerich, médium de efeitos físicos e autora de obras místicas, muito apreciadas.

Estigmatizada bastante conhecida também, é Teresa Neumann (1898-1962), de Konnersreuth, vidente alemã, portadora de faculdades anímicas e mediúnicas tais como levitação, xenoglossia, clarividência e clariaudiência.

A Sra. Atanásia, estigmatizada grega, possui outras mediunidades como a da clarividência e a da clariaudiência e sobretudo de cura. A Revista Espírita de julho de 1968, publicou que em apenas 8 anos curou para mais de 85.000 doentes.

A mais moderna das estigmatizadas, é, segundo a “Enciclopédia de Parapsicologia, Metapsíquica e Espiritismo”, de João Teixeira de Paula (Cultural Brasil Editora Ltdª), a italiana Srª Enza Lotana, de Termini Imerese (Sicília), cujos fenômenos foram estudados pelo médico Giuseppe Anselmo, segundo informações da Revista Espírita de agosto-setembro-outubro de 1970.

Outro conhecido estigmatizado é o padre capuchinho Pio de Pietrelcina (1887-1968), dotado de várias faculdades, entre elas a de cura, bilocação e trilocação. Em 1918, surgiram no seu corpo, chagas nas mãos, nos pés e no lado direito do dorso. Essas feridas doeram e sangraram durante cinquenta anos. O sangue não coagulava e dele evolava um perfume agradável, que parecia vir de flores não existentes no nosso planeta (mais informações leiam a obra “Aurora”- Essência Cósmica Curadora, de Trigueirinho- Nova Cultural).

Um fenômeno diferente ocorreu com Margherita Lotti, a nossa querida Santa Rita de Cássia (1381-1457). Após ouvir um sermão da paixão de Nosso Senhor, Rita ficou muito sensibilizada e ao voltar ao convento onde vivia, prostrou-se diante de um crucifixo e suplicou com toda a sua alma que Jesus lhe concedesse participar de suas dores. Foi atendida. Um espinho destacou-se da coroa do crucifixo, veio até ela e entrou em sua testa de forma tão profunda que ela chegou a desmaiar. Ao voltar a si, a ferida já havia se formado. Enquanto as chagas dos estigmatizados tinham a cor do sangue puro e não eram repugnantes, a de Rita era purulenta e de mau cheiro. Suportou a ferida por 15 anos. Na cela onde ela desencarnou, apareceu uma luz intensa e um perfume se fez sentir em todo o mosteiro, e a ferida do espinho, antes de aspecto repugnante tornou-se brilhante e muito limpa.

Loureiro, no artigo que citei no início, conclui que “fenômenos desse jaez permanecerão envolvidos por denso mistério, enquanto negarem a possibilidade de serem provocados pelos Espíritos, que utilizam dos mais estranhos recursos para testemunhar que a imortalidade é uma realidade, independente de crenças ou descrenças e dos preconceitos tidos como científicos.”

Maria Madalena Naufal

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