IRMÃO AMOR

A 26 de setembro de 1982 comemoramos oito séculos do nascimento de um homem amado por toda a cristandade: Francisco de Assis, considerado o “Cristo da Idade Média”, chamado de “Divino Poverello” e “Iluminado de Assis”.

Espírito realmente iluminado, sua luz se estendeu não só pela Idade Média, mas atravessou os séculos posteriores, chegando até nós com um brilho intenso e inextinguível.

Luís de Wohl, um dos escritores mais talentosos e inspirados que a cristandade conhece, em sua obra “O Cavalheiro do Amor” mostra o cenário em que Francisco viveu. Tinha tudo para servir ao mundo, mas tudo abandonou para servir a Deus.

Wohl narra como se deu o nascimento de Francisco, contado pela mãe Picca, criatura suave e doce, ao pai Pedro Bernardone (rico comerciante que sonhava para o filho um futuro de riquezas e grande prestígio junto aos homens), que se encontrava na França por ocasião do evento: “Aumentaram as dores e com elas fiquei cada vez mais fraca. Veio então o peregrino cego. Quando lhe abriram a porta não pediu esmola. Disse apenas: Dizei à dona da casa que seu filho tem que nascer no estábulo, porque esse é o desejo de Nosso Senhor!… Então vieram e me levaram ao pequeno estábulo e o menino nasceu quase imediatamente. Esse menino deve ser filho de Deus”.

Ao iniciar a bendita missão pela qual viera à Terra, defrontou-se com a incompreensão de muitos. Foi tachado de covarde por abandonar as vestes de guerreiro, mas ninguém combateu tão bem pelo Cristo quanto ele. Foi chamado de louco por alguns, mas sua pretensa loucura escondia uma das mentes mais lúcidas que já passaram por este planeta.

A fé de Francisco era tão grande e seu amor por Deus e pelas suas criaturas, que seu exemplo comoveu a muitos, que desejosos de respirar o ar abençoado da purificação, de conhecer a paz espiritual que o mundo não pode oferecer, tudo abandonaram e o seguiram. Seus “Irmãos Menores” multiplicaram-se por sobre a terra como modelos vivos da palavra do Cristo.

Em sua extrema humildade, Francisco reconhecia a grandeza de Jesus ao comparar-se diante Dele, qual vaga-lume diante do Sol. Tinha sonhos e visões a respeito do futuro da ordem fundada por ele e também era capaz de saber o que pensavam os seus companheiros. Chamava de irmãos os animais e não só a estes como também a toda a obra do Criador. Dizia “irmão sol”, “irmã lua”, “irmão fogo”, “irmã água”, irmão vento”, “irmã terra” e assim por diante.

Morreu Francisco como viveu: cantando louvores a Deus. Só os justos não temem a irmã morte, pois sabem que ela não representa realmente o fim. Assim que seu espírito se desprendeu, as irmãs cotovias romperam o silêncio iniciando um coro de magnífico triunfo.

Maria Madalena Naufal

 

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