Há muitos anos, estando em São Paulo em visita a minha tia Habuba, esta telefonou para alguns parentes do meu pai, avisando-os que eu lá estava.

À noite apareceram dois casais, um dos quais era o meu primo Jamil e sua esposa Dalloul. Conversa vai, conversa vem, surpreendi-me ao saber que haviam se tornado espíritas. Inquiri-os a respeito e então ouvi uma história extraordinária.

Estando, certo final de semana, descansando em sua cama, meu primo pediu à esposa que fosse buscar um cacho de uvas para ele. Ela foi e ao voltar deparou com o esposo estirado no chão do quarto. Correu para acudi-lo, pensando que estivesse passando mal. Mas, uma força poderosa e invisível arremessou-a também ao chão. A mesma energia que o havia arremessado. E olhem que o meu primo Jamil é robusto e tem quase dois metros de altura. Levantaram-se espantados, sem saber o que ocorrria.

Contaram o caso para várias pessoas, até que um amigo encaminhou-os a um centro espírita. Ali, então, para enorme surpresa de ambos, manifestou-se um espírito vingativo, que disse ser inimígo do meu primo e odiá-lo. Durante várias sessões o doutrinador conversou com o citado espírito e abrandou-o. E não só, fê-lo tornar-se amigo e colaborador.

Resolvido o problema, meus primos passaram, após treinamento, a fazer parte do grupo de traba-lho encarregado de desobsessão, muitas vezes recebendo ajuda do antigo inimigo, que a misericórdia de Deus transformara em amigo.

Mas, perguntarão os queridos leitores, como o Espírito pôde erguer um homem daquela forma, se não possuía um corpo físico? Através de uma combinação do seu fluido com o fluido vital do espírito encarnado, no caso, Jamil, que atuou como médium, mesmo sem ter noção disso.

O que, aparentemente, foi uma queda, marcou, na verdade, o início de uma nova vida, o cumprimento de uma missão belíssima, centrada no amor.

Maria Madalena Naufal

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