Um construtor de nossa cidade contou-me um caso interessantíssimo, ocorrido com ele quando ainda jovem. Tendo feito negócios com um senhor envolvendo madeiras, ficou aborrecido por este não ter feito tudo de acordo com o combinado.

Certo dia ia indo por uma estrada, quando viu o dito cujo sentado num toco. Ao se aproximar, o “sócio” pediu desculpas por não ter cumprido a sua parte.

O jovem seguiu o seu caminho e chegando na cidade, foi até a oficina mecânica do irmão do “sujeito” com o qual havia conversado.

O mecânico estava num deitador, embaixo de um carro. Após os cumprimentos, disse-lhe:

– Estive com o seu irmão. Ele me pediu desculpas por causa daquele caso da madeira.

– Você está mentindo -respondeu o outro.

Por mais que ele insistisse, o mecânico continuava a dizer que mentia. Perdeu a paciência e puxou-o pelas pernas, inquirindo-o nervoso:

– Porque me chama de mentiroso? Pensa que sou o quê?.

– Você é mentiroso, porque o meu irmão morreu há uma semana.

– Não pode ser. Eu conversei com ele agorinha mesmo. Você está brincando comigo.

– Eu garanto que ele morreu e provo.

Levou, então, o rapaz até a casa do irmão e bateram palmas. Atendeu à porta uma senhora toda vestida de preto, de semblante abatido. Era a viúva.

Ao se inteirar, realmente, da morte do homem, ele ficou surpreso.

Deu os pêsames, mas não contou à viuva o ocorrido, para não perturbá-la.

Sentindo-se em dívida para com o rapaz, o Espírito deu jeito de pedir desculpas, mesmo estando em outro plano de vida.

Neste milênio, as comunicações entre encarnados e desencarnados estão aumentando muitíssimo. Só não percebe quem não quer.

Maria Madalena Naufal

Anúncios