Em tempos que já vão longe, vivia numa bela Chácara, um gigante chamado Leonel. Plantou, com a ajuda de um empregado, um pomar. As árvores frutíferas cresceram viçosas e não demoraram a dar frutos saborosos. Entre elas havia pessegueiros, ameixeiras, macieiras, cajueiros e pereiras. Nos seus galhos cantavam pássaros que alegravam o ambiente. Atraídas pelas frutas, várias crianças da vizinhança começaram a subir nos galhos das árvores e a apanhar as que já estavam maduras. Incomodado com isso e com a algazarra que elas faziam, Leonel ia até o pomar e dava a maior bronca. As crianças corriam para as suas casas, assustadas. Mas dali a alguns dias, voltavam a procurar as doces frutas. Novamente Leonel corria com elas, irritado.

Passado algum tempo, o gigante mandou construir um muro alto ao redor do pomar. Tão alto que as crianças não conseguiam pulá-lo. No portão, um forte cadeado. O silêncio tornou-se, então, companheiro de Leonel. Não mais ouvia o riso das crianças, o canto dos pássaros, que voaram para longe. As árvores pareciam ressentidas. Ficaram sem viço, seus frutos deixaram de ter o sabor gostoso que tinham. Não necessitava delas para viver, mas começou a sentir-se triste. O silêncio pesava como chumbo. Nunca havia pensado que a alegria da chácara era o riso das crianças e o chilrear dos pássaros.

Certo dia, resolveu tomar uma atitude. Mandou derrubar o muro. Logo as crianças voltaram e os canoros pássaros também. As árvores voltaram a ser ubertosas. Agora, ao invés de expulsar as crianças, ele ficava a olhá-las embevecido. Os risos e cantos eram um bálsamo para o seu cansado coração.

Um belo dia, viu um menino pequeno, de olhos azuis e cabelos dourados, pelejar para subir numa das árvores. Foi até o pequenino e o colocou num dos galhos cheios de frutas. O menino, agradecido, sorriu e afagou o rosto do gigante. Esse, comovido, derramou grossas lágrimas. Havia compreendido que é muito bom ser caridoso.

Mas, como todo o ser vivente, Leonel envelheceu e desencarnou. Após dormir algum tempo, abriu os olhos e viu o doce menininho que um dia, já distante, ergueu nos seus grandes e fortes braços.

– Meu querido menino, – disse-lhe. Ajuda-me! Não sei onde estou. Que lugar é este?

– Não se preocupe e nem tenha medo. Vou levá-lo junto ao Meu Pai.

Benevídia

Psicofonia de Sônia Aparecida Ferranti Tola

Noite de 20/05/03

Comentário: Esta é um historinha dirigida a crianças, mas serve também para nós adultos, pois mostra quanta alegria pode nos oferecer a prática da caridade. Ela traz felicidade não só para os que são servidos, como para os que servem. O final da historinha causou-me impacto, levando-me até às lágrimas. Poucas palavras, mas com um sentido enorme e belíssimo.

Maria Madalena Naufal

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