LEVITAÇÃO

Para definir o que é levitação vamos recorrer à “Enciclopédia de Parapsicologia, Metapsíquica e Espiritismo”, de autoria de João Teixeira de Paula (Cultural Brasil Editora Ltdª): “Em Espiritismo é o fenômeno em que, graças à ação de Espíritos, que se valem dos fluidos de encarnados e desencarnados, se levitam, suspendem, alçam, elevam, total ou parcialmente, coisas ou seres humanos ou mesmo animais.

Não há entre os mais conceituados autores, concordância acerca do que se deva entender por Levitação: se de pessoas apenas ou de coisas.

Kardec não conhecia o termo (pelo menos não usou dele uma única vez) e falava em Suspensão aérea dos “corpos graves”: de pessoas ou de coisas, portanto.

É o mesmo que Metarsismo e Metatese Mágica”.

L. Palhano Jr., no “Dicionário de Filosofia Espírita” (Edições Celd) assim define levitação: “Ato ou efeito de levitar. Fenômeno psíquico, anímico ou mediúnico, no qual pessoa ou coisa ergue-se acima do solo sem uma razão visível, apenas devido à força mental, de um encarnado ou desencarnado, que movimenta fluidos ectoplasmáticos capazes de produzir uma alavanca psíquica suficientemente forte para vencer a força da gravidade. É um fenômeno de efeito físico. Elevação de um corpo no espaço, sem contato aparente, ficando suspenso, como se estivesse subtraído à ação da gravidade”.

No mesmo dicionário encontramos muitas informações sobre ectoplasma: “(Do grego: ektós= indica movimento para fora; plasma= obra modelável, substância plástica. (Metapsíquica). Palavra usada por Charles Riquet para definir uma substância caracterizada como uma espécie de plasma, flexível, viscoso, incolor e inodoro, sensível ao pensamento, que escapa do organismo de certos indivíduos, através dos poros e dos orifícios naturais do corpo. Trata-se de um transe biológico, quando há não apenas dissociação psíquica, mas também biológica. Segundo o Espírito André Luiz, no livro “Nos Domínios da Mediunidade”, de Chico Xavier, “o ectoplasma está situado entre a matéria densa e a matéria perispirítica, assim como um produto de emanações da alma pelo filtro do corpo, e é o recurso peculiar não somente ao homem, mas a todas as formas da natureza. Em certas organizações especiais da raça humana, comparece em maiores proporções e em relativa madureza para a manifestação necessária aos efeitos físicos. É um elemento amorfo, mas de grande potência e vitalidade. Pode ser comparado a uma genuína massa protoplasmática, sendo extremamente sensível, animado de princípios criativos que funcionam como condutores de eletricidade e magnetismo, mas que se subordinam, invariavelmente, ao pensamento e à vontade do médium que o exterioriza ou dos Espíritos desencarnados ou não que sintonizam com a mente mediúnica, senhoreando-lhe o modo de ser. Infinitamente plástico, dá forma parcial ou total às entidades que se fazem visíveis aos olhos dos companheiros terrestres ou diante da objetiva fotográfica, dá consistência aos fios, bastonetes e outros tipos de formações, visíveis ou invisíveis nos fenômenos de levitação, e substancializa as imagens criadas pela imaginação do médium ou dos companheiros que o assistem mentalmente afinados com ele”.

“Definição- substância que emana do corpo de um médium capaz de produzir fenômenos de efeitos físicos ou aparições à distância”. Trata-se de uma exalação fluídica, sensível ao pensamento, visível ou invisível, plástica, inodora, insípida, originalmente incolor, que tem a semelhança de uma massa protoplasmática.

Natureza- Independe do caráter e das qualidades morais do médium, constituindo emanações do sistema psicofísico, das quais o citoplasma celular é uma de suas fontes de origem.

Elementos essenciais- 1º) Fluidos sutis procedentes do mundo espiritual; 2º) Recursos fluídicos do médium e dos assistentes encarnados; 3º) Emanações fluídicas retiradas da natureza terrestre.

Propriedades- Plasticidade: adaptabilidade às diretivas do pensamento; Penetrabilidade: atravessa obstáculos e interpenetra nas entranhas da matéria, produzindo alterações nas vibrações atômicas (desmaterialização); Condutibilidade: é capaz de conduzir a energia em suas diversas modalidades, eletricidade, magnetismo. Sensibilidade: responde a estímulos, reage à ação mental, à luz (foto-sensível) e ao toque material. Invisibilidade: pode ser encontrado em estado rarefeito e invisível.

*Das obras “Missionários da Luz” e “Nos Domínios da Mediunidade”, ditadas pelo Espírito André Luiz ao médium Chico Xavier”.

Apesar do fenômeno da levitação ser conhecido desde os tempos remotos, os estudiosos do assunto sabem pouco sobre a força ou energia que o provoca.

Encontramos na revista Parapsicologia, Número 1 (Editora Três) que trata de diversos assuntos, um artigo sobre levitação. Nele lemos que no século seis, acreditava-se que certas palavras mágicas conferiam esse dom. Hoje a tendência é associar o fenômeno a práticas respiratórias, à meditação e à produção de ectoplasma. Existem também hipóteses sobre disposição mística, engolir um certo talismã e hipnotismo.

Como exemplo da 1ª hipótese, temos uma crônica inglesa intitulada “A Vida de Jesus”, que fala de uma palavra considerada sagrada, a qual concedia aos que a conhecessem faculdades psíquicas de alto valor, entre elas o poder de voar ou levitar. Como os homens sábios daquele tempo temiam que esse conhecimento caísse nas mãos de pessoas que o empregassem de forma prejudicial à humanidade, a palavra foi cuidadosamente ocultada do público.

Como exemplos da 2ª hipótese temos a opinião dos hindus de que certos exercícios respiratórios influenciam o peso do corpo humano, gerando uma força que contrabalança ou neutraliza parcialmente a gravidade, a opinião de Camille Flamarion, astrônomo francês, que acreditava que a respiração das pessoas presentes a uma sessão de levitação liberava uma força motora comparável àquela que é desprendida quando os braços são repetidamente movimentados, e a do pesquisador inglês Hereward Carrington que fez testes, relacionando a respiração e a levitação e observou que, sob certas circunstâncias as pessoas perdiam peso.

Como exemplo da 4ª hipótese temos a levitação dos iogues que só é conseguida em estados de meditação profunda.

Quanto à produção de ectoplasma, temos como exemplo a pesquisa feita pelo engenheiro mecânico, W. J. Crawford, com uma médium irlandesa chamada Kathleen Goligher, concluindo que as levitações de objetos por ela provocadas eram feitas por bastões ectoplasmáticos emanados do seu corpo, que funcionavam como verdadeiras alavancas para suspendê-los.

A hipótese da disposição mística defende que ela permitia a descida do Espírito Santo e a levitação ocorria em virtude de uma dádiva especial concedida por ele.

Os taoistas chineses acreditavam que os homens poderiam locomover-se para qualquer lugar se tivessem um certo talismã e o engolissem.

A hipótese do hipnotismo é defendida pelo hipnotizador De Mirville.

Segundo a jornalista Elsie Dubugras (Planeta Especial- número 187 A, Editora Três) a levitação não está ligada, de nenhum modo, à santidade. “A maior parte dos santos jamais levitou. Mas os santos que levitam se distinguem por uma característica comum: são místicos, contemplativas, mesmo quando levam uma vida ativa…”

“Como o fenômeno ocorre também fora do contexto religioso, ele deve ser estudado e pesquisado como qualquer outro fenômeno paranormal”.

Há muitos livros que registram casos de levitação. O escritor J. J. Von Görres, cita em sua obra “A Mística Cristã” 72 casos de santos que levitavam. Oliver Leroy, outro pesquisador, autor do livro “Levitação”, aponta uns 200. Clóvis Tavares, autor da obra “Mediunidade dos Santos” (IDE), dedica todo o Capitulo oito à levitação e outros fenômenos físicos.

Os santos mais citados pelos hagiógrafos como portadores da faculdade em estudo são: Santa Brígida de Vadstena, São Pedro de Alcântara, São Domingos, São Tomás de Aquino, Santo Inácio de Loyola, São Felipe Néri, São José de Cupertino, Santo Afonso Maria de Ligório, Santo Edmundo, São Geraldo Majela e Santa Tereza d´Avila. É interessante observar que muitos dos santos citados possuíam outras faculdades anímicas e mediúnicas.

A levitação ocorreu com pessoas que não eram sequer religiosas. Entre elas podemos destacar Daniel Dunglas Home, Eusápia Paladino e Carmine Mirabellli.

Daniel Dunglas Home (1833-1886), médium escocês, nascido perto de Edimburgo, começou a levitar aos 19 anos, involuntariamente, mas depois aprendeu a levitar voluntariamente e fez demonstrações de suas habilidades diante de milhares de pessoas, algumas famosas como Napoleão III, Mark Twain e Ruskin. Além de flutuar, Home fazia com que alguns objetos à sua volta também levitassem, incluindo alguns pesados móveis e até mesmo um piano. Fazia os sinos badalarem sozinhos e os instrumentos musicais produzirem música sem que ninguém os tocasse. Levitou por 40 anos. William Crookes, um dos cientistas mais famosos e prestigiados da época, considerou a sua atuação legítima. Existe uma documentação farta feita por pessoas que pesquisaram os fenômenos por ele produzidos. Num dos casos (1868), “Home flutuou horizontalmente, como se estivesse deitado numa cama, através de uma janela aberta no terceiro andar de uma casa e voltou por outra. Seus pés entraram primeiro, depois o resto do corpo”.

Eusápia Paladino (1854-1918), nascida em Minervino, na Itália, participou de muitas sessões de experimentação mediúnica com vários e célebres cientistas (entre eles Schiaparelli, Aksakof, Charles Richet, Camille Flammarion, Gabriel Delanne e Ernesto Bozzano). Os fenômenos documentados foram Telecinesia, levitação de objetos e dela própria, aparição de luzes, materialização de Espíritos, moldagens, etc.

Carmine Mirabelli (1889-1951), médium brasileiro, nascido em Botucatu (SP), considerado um dos maiores médiuns do mundo, que teve suas levitações registradas por fotografias, impressionou os mais respeitáveis cientistas da primeira metade do século passado com um verdadeiro leque de faculdades que incluíam materializações, desmaterializações, transportes, psicografia, psicopictografia, xenoglossia, clarividência e precognição.

Encontramos, às vezes, casos engraçados de levitação. Um deles ocorreu com a visionária Catherine Emmerich, que levitava desde criança. O fenômeno continuou a ocorrer mesmo após ela entrar num convento. Encarregada da limpeza da sacristia da igreja, ela aproveitou dessa faculdade da seguinte forma: sem saber como, levitava de-repente e, no alto, tirava o pó da parte superior das colunas e lavava as vidraças.

Outro caso surpreendente ocorreu com a cunhada de um amigo meu. Ela e o esposo se deitaram para dormir. No meio da noite ele acordou. A esposa não se encontrava ao seu lado. Já se preparava para se levantar e ir procurá-la, quando olhou para cima e levou o maior susto. Em posição horizontal, ela estava suspensa rente ao teto. Se esse não existisse, sabe-se lá onde ela iria parar.

Observei que entre as várias experiências feitas, os pesquisadores apresentaram, muitas vezes, mais do que uma causa para a levitação. Vou citar apenas um exemplo: Alexandra David-Neel, peregrina, investigadora, escritora, monja e maga do budismo tibetano (que desencarnou com quase 101 anos), na obra “Com Místicos e Magos no Tibete”, informa que certos adeptos associam a concentração mental a diversas formas de respiração. Outros autores acrescentam que eles recitam uma fórmula mística também.

O articulista Ram Panjabi, descreveu um caso de levitação para a revista Esotera, correspondente da revista Planeta na Alemanha, muitíssimo interessante (Edição 242). Uma pedra de 60 Kg flutua  no ar sem nenhum apoio, na aldeia de Khed, no leste da índia. Quando 11 homens se ajuntam e cantam em coro o nome de Qamar Ali Durvesh, um santo muçulmano que morreu há mais de oito séculos, essa pedra levita muitas vezes a até uma altura de 2 metros. E para isso não são necessários rituais secretos ou fórmulas mágicas. Qualquer grupo de 11 homens pode fazer a pedra flutuar. A idade não importa: tanto idosos como meninos podem participar. E quando não há peregrinos suficientes para fazer acontecer o fenômeno, alguns dos faquires, ali presentes, são convidados a participar.

É importante esclarecer que a pedra original (75 Kg), por levitar freqüentemente, para depois cair de novo, começou a se gastar. Após um século já tinha a metade de seu tamanho original. Foi trocada várias vezes e as substitutas  são sempre escolhidas pelo próprio santo, por intermédio do sacerdote-mor.

Não pretendo defender nenhuma hipótese sobre levitação, mas por tudo que li e ouvi, cheguei à conclusão de que a distância entre a superfície do solo e o levitado é muito variável. Vai de centímetros até muitos metros. O tempo de duração vai de segundos até dias. Ocorre com religiosos ou leigos, homens ou mulheres, sobre a terra ou sobre as águas (mares, rios e lagos). Outra observação que fiz foi que se uma hipótese serve para explicar a ocorrência do fenômeno em certos casos, não serve para outros.

Para provar que o fenômeno existe, temos um número considerável de testemunhos e muitas fotos.

Apesar de tantas hipóteses, tantas experiências e observações, resta muito ainda a ser descoberto sobre a levitação.

Maria Madalena Naufal

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