EU E O SENHOR

Encontrei, certo dia, o Senhor, numa avenida da minha cidade litorânea. Ele me cumprimentou e disse:

_ Espere-me na praia. Irei vê-lo. Tenho algumas coisas a lhe dizer.

Contente fui até a minha casa e peguei todo o dinheiro que tinha. Depois fui à praia esperar o Senhor. Ele não apareceu naquele dia e nem nos seguintes. Em compensação apareceram muitos mendigos. Comprei para eles sanduíches, salgadinhos e refrescos. Com medo de o Senhor chegar e não me encontrar, passei a dormir e comer na praia. Cobria-me com jornais ali deixados pelos freqüentadores.

O tempo passou, meu dinheiro acabou e passei a pedir esmolas. Necessitava de um banho e de trocar de roupas. Cansado de esperar, fui em busca do Senhor. Depois de muito andar e perguntar, um senhor idoso, simpático, apontou-me um templo que eu nunca havia visto. Estava envolto por uma luz prateada e parecia pairar alguns centímetros acima do solo. Consegui colocar o pé num degrau e fui subindo a escadaria. Ao completar a subida, olhei para cima e li “Templo Ecumênico”.  A porta estava aberta. Diante dela chamei:

_ Senhor! Senhor!

Foi quando eu O vi. Antes mesmo dos cumprimentos, reclamei:

_ O que aconteceu?  O Senhor pediu-me para esperá-lo na praia e não apareceu.

Até mendigo virei.

_ Calma, meu querido irmão. Eu fui ao seu encontro sim. Cada mendigo que você serviu, foi a mim que serviu. Você os alimentou e deu-lhes de beber. Cumpriu uma parte da sua missão – disse-me o Senhor.

_ Uma parte? E a outra qual é? – perguntei um pouco apreensivo.

_ Não só de pão material vive o homem. Ele é importante para a vida do corpo, mas mais importante do que ele é o pão espiritual. O corpo físico é perecível, mas o corpo espiritual é eterno.

_ O que quer que eu faça, Senhor?

_ Que volte para a sua casa, retome o seu trabalho e, nas horas vagas, quando for procurado pelos mendigos, dê-lhes o pão material, mas converse com eles, procure saber dos seus problemas e, de alguma forma, ajudá-los. Faça com que a esperança, a fé e o amor brilhe nos seus corações, e a confiança em Deus seja para todos eles uma âncora segura. Veja em cada um, um irmão a ser servido e amado. Estarei com você todos os dias e o contarei entre os meus discípulos. Que Deus o abençoe hoje e sempre!

Abracei o Senhor, agradeci e me despedi, sem dar adeus. Meu coração transbordava de amor, um amor puro, um amor sublime. Estava pronto para cumprir a missão a mim dada.

ROSA ANGÉLICA

Mensagem psicofônica recebida pela médium Sônia Aparecida Ferranti Tola, a 13 de dezembro de 2008.

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