OPINIÕES CONTRÁRIAS

            Muitas vezes ficamos ressentidos porque as pessoas não pensam como nós e não aceitam o que fazemos, falamos ou escrevemos, ou seja, têm opiniões contrárias às nossas.

Vamos começar pelos próprios ensinamentos do Cristo quando disse, no Sermão da Montanha: “Ai de vós, quando toda a gente vos lisonjear – pois isso mesmo fizeram seus pais aos falsos profetas”. (Lucas, 6:26.)

Emmanuel, na obra “Caminho, Verdade e Vida”, psicografada por Chico Xavier (FEB) traz interessantes esclarecimentos a propósito do assunto, que devem merecer a nossa atenção:

“Indubitavelmente, muitas pessoas existem de parecer inestimável, às quais podemos recorrer nos momentos oportunos, mas que ninguém despreze a opinião da própria consciência, porquanto a voz de Deus, comumente nos esclarecerá nesse santuário divino.

Rematada loucura é o propósito de contar com a aprovação geral ao nosso esforço.

Quando Jesus pronunciou a sublime exortação desta passagem de Lucas, agiu com absoluto conhecimento das criaturas. Sabia o Mestre que, num plano de contrastes chocantes como a Terra, não será possível agradar a todos simultaneamente.

O homem da verdade será compreendido apenas, em tempo adequado, pelos espíritos que se fizeram verdadeiros. O prudente não receberá aplausos dos imprudentes.

O Mestre, em sua época, não reuniu as simpatias comuns. Se foi amado por criaturas sinceras e simples, sofreu impiedoso ataque dos convencionalistas. Para Maria de Magdala era Ele o Salvador; para Caifás, todavia, era o revolucionário perigoso.

O tempo foi a única força de esclarecimento geral.

Se te encontras em serviço edificante, se tua consciência te aprova, que te importam opiniões levianas ou insinceras?

Cumpre o teu dever e caminha.

Examina o material dos ignorantes e caluniadores como proveitosa advertência e recorda-te de que não é possível conciliar o dever com a leviandade, nem a verdade com a mentira”.

O nosso querido Irmão Saulo também tratou do assunto num artigo publicado pelo Diário de São Paulo, denominado “Opinião e Realidade”. Escreveu ele:

“Já dizia Pitágoras que a Terra é a morada da opinião. Cada qual pensa a seu modo sobre fatos e coisas. Se não fosse assim, não haveria liberdade e ninguém seria responsável pelas suas idéias e pelas suas ações. Os regimes políticos totalitários, pretendem padronizar à força os pensamentos das criaturas, violam a dignidade humana e a lei de evolução que rege o Universo. Os homens mudam de maneira de pensar na proporção em que adquirem experiências novas, mudam de posição na vida e aumentam os seus conhecimentos. Quem deseja impor a sua opinião aos outros dá prova de orgulho e vaidade. Podemos discutir e defender as nossas opiniões, procurando provar aos outros o que consideramos certo e verdadeiro, mas não temos o direito de querer impor-lhes o nosso modo de ver. O Espiritismo não pretende impor-se a ninguém pela força ou pela promessa de realização mirabolantes. Cada qual deve chegar a ele através de sua experiência própria, pela convicção adquirida, pessoal e livremente, da realidade dos fatos. O espírita verdadeiro, consciente de sua doutrina, não quer crer, mas saber. Não lhe interessam as opiniões favoráveis ou contrárias, mas a realidade comprovada pela experiência comprovada pela experiência pessoal de cada um e sancionada pelos resultados universais da pesquisa científica.

Como ensinou Kardec, se uma pessoa não admite a sobrevivência da alma (que é a própria personalidade humana) também não pode aceitar a mediunidade. Considerará os fatos mediúnicos como produtos de uma autoilusão, da imaginação excitada ou de efeitos inconscientes. Cada mente se fecha num determinado círculo de experiências pessoais e só romperá se novas experiências lhe demonstrarem o erro das opiniões que sustenta. A vaidade é a chave do castelo do eu. E Deus concedeu ao homem a jurisdição de si mesmo. Não temos o direito de violar essa concessão”.

Tenhamos as nossas opiniões, sem, contudo, querer impô-las aos outros.

 

Maria Madalena Naufal

About these ads